19/11/2025
UFRJ E GATE/MPRJ FUNDAMENTAM DENÚNCIA DE PECULATO EM NITERÓI.
O Ministro Público do RJ, com fundamento em pareceres de Mobile-LAB/UFRJ e Gate/MPRJ, denuncia peculato que teria sido cometido por servidores e políticos de Niterói por desapropriação do Morro do Morcego por R$ 65 milhões (com 20 milhões de superestimação).
O grupo de pesquisa da UFRJ demonstrou que o suposto potencial construtivo que serviu para a estimativa de valor era irrealizável por sérias restrições ambientais.
Essa foi a segunda tentativa de exploração daquela área, adotando-se parâmetros urbanísticos fictícios. A primeira vez, em 1997, Axel Grael, então presidente da Feema (atual Inea) teve que cancelar a licença ambiental que concedera ao empreendimento ilegal por determinação do Ministério Público do RJ com base em pareceres técnicos do prof. Jorge Martins, líder do grupo de pesquisa Mobile-LAB.
25 anos depois, novamente Axel Grael, dessa vez como prefeito de Niterói, foi quem tomou a iniciativa de desapropriar a área por um valor superior ao que teria sido possível arrecadar se todas as 140 unidades do ilegal empreendimento residencial de luxo tivessem sido vendidas.
Coube mais uma vez àquele professor da UFRJ proferir parecer sobre a estimativa de valor da área do Morro do Morcego por solicitação do vereador Douglas Gomes de Niterói. Provocado por este, o MP remeteu o parecer técnico ao Grupo de Apoio Técnico Especializado que corroborou o trabalho do docente.
Ontem o Gaeco fez busca e apreensão nas residências dos envolvidos no crime apontado, isto é, os servidores que estimaram o valor, o ex-secretário de Urbanismo (atual secretário de Mobilidade) o ex-subprocurador e os representantes dos proprietários que teriam sido beneficiados irregularmente.
O parecer do professor da UFRJ chegou a recomendar que a área não fosse desapropriada, por não ser a alternativa mais eficiente para o Município, tendo recomendado a constituição de PPP capaz de compensar os proprietários pelo serviço ambiental de manutenção da área preservada. Assim, após estimar a demanda turística do parque a ser criado no local e considerando a mesma tarifa que o Município cobra dos visitantes do MAC, o estudo demonstrou que os proprietários poderiam receber os mesmos R$ 65 milhões da desapropriação ao longo de 25 anos da PPP, sem descapitalizar o Município. Porém, mesmo avisada em plenário pelo vereador demandante do parecer, às vésperas do fim do ano de 2022, a Câmara desconsiderou a recomendação e autorizou a desapropriação superestimada sem análise de economicidade. Poucos dias depois, em 05 de janeiro de 2023, o Município pagou os proprietários.
Esse não foi o único caso de desapropriação milionária na cidade nos últimos 4 anos, porém foi o primeiro investigado com a atenção e o cuidado que o tema merece.
Saiba mais em: https://www.google.com/amp/s/g1.globo.com/google/amp/rj/rio-de-janeiro/noticia/2025/11/19/mp-denuncia-por-suspeita-de-peculato-em-desapropriacao-em-niteroi.ghtml