17/05/2025
Howard Kelly, um adolescente órfão, era extremamente pobre. Para ganhar a vida e pagar seus estudos, ele vendia pequenos produtos de casa em casa.
Um dia, não tinha mais um centavo no bolso.
Sofrendo de fome, decidiu entrar na casa mais próxima e pedir comida. Sentia-se terrivelmente envergonhado, mas ao se aproximar da casa, um sentimento de determinação tomou conta dele: recusariam ou não, que seja o que Deus quiser.
Ele estendeu a mão decididamente até a campainha e apertou o botão várias vezes.
Mas quando uma jovem muito bonita abriu a porta, Howard ficou inesperadamente atordoado. Da confiança recente não restava nenhum traço.
Ele simplesmente ficou envergonhado de pedir comida a ela.
E então, gaguejando de nervosismo, disse:
– Posso... pedir um copo de água?
A garota percebeu que o jovem estava com fome e trouxe um grande copo de leite. Howard bebeu lentamente e perguntou: – Quanto te devo?
– Você não me deve nada, – respondeu a jovem.
– Minha mãe me ensinou a nunca cobrar por boas ações. – Nesse caso, sou muito grato! – respondeu ele.
Ao sair da casa da jovem, Howard Kelly sentia-se não apenas mais forte fisicamente, mas também moralmente. Agora tinha certeza: enquanto existirem pessoas tão generosas e boas no mundo, tudo ficará bem!
Passaram-se muitos anos. E então, um dia, uma jovem mulher moradora daquela cidade adoeceu gravemente. Os médicos locais não sabiam o que fazer.
Decidiram, por fim, enviá-la para uma cidade grande para ser avaliada por especialistas experientes. Entre os consultados estava o Dr. Howard Kelly.
Quando ele ouviu o nome da cidade de onde a mulher vinha, seu rosto se iluminou.
Ele se levantou imediatamente e foi até o quarto dela. A mulher, cansada da viagem, estava dormindo.
O médico entrou silenciosamente no quarto e a reconheceu instantaneamente. Sim, era ela – a mesma jovem que um dia havia lhe dado um copo de leite.
Após examinar a história clínica de sua doença e os resultados dos exames, o rosto do médico escureceu:
"Ela está condenada!" O doutor voltou ao seu escritório e sentou-se em silêncio, pensando em algo.
Pensava naquela mulher, em sua impotência para ajudá-la, na injustiça do destino. Mas quanto mais ele pensava, mais firme se tornava seu olhar. Finalmente, ele se levantou da cadeira e disse:
"Não, farei tudo que é possível e impossível para salvá-la!".
A partir desse dia, o Dr. Howard Kelly deu uma atenção especial à paciente. E após quase oito meses de longa e árdua batalha, o Dr. Kelly triunfou sobre a terrível doença. A vida da jovem mulher não estava mais em perigo.
O Dr. Kelly pediu que a contabilidade do hospital preparasse a conta do tratamento. Quando lhe trouxeram a conta, a quantia que ela deveria pagar por sua cura era enorme.
E não era de se espantar – pode-se dizer que a resgataram da morte. O Dr. Kelly olhou para a conta, pegou uma caneta, escreveu algo no final da conta e pediu que a entregassem no quarto dela.
Ao receber a conta, a mulher temia abri-la. Estava certa de que teria que trabalhar sem descanso pelo resto da vida para pagá-la. Finalmente, vencendo a si mesma, abriu a conta.
E a primeira coisa que chamou sua atenção foi uma inscrição feita à mão, localizada logo abaixo da linha "Pagar".
A inscrição dizia:
"Pago integralmente com um copo de leite. Dr. Howard Kelly".
Lágrimas de alegria encheram seus olhos, e seu coração transbordou de calor e gratidão.
O Dr. Kelly (Howard Kelly, 1858 – 1943) não é um personagem fictício, mas um conhecido terapeuta, um dos fundadores da primeira Universidade de Pesquisa Médica nos Estados Unidos, a Johns Hopkins.
A história sobre ele e o copo de leite que lhe foi oferecido é também verdadeira e registrada por seu biógrafo.