26/08/2026
Em 26/8, às 08h37 no Nepal (23h52 de 25/8 BRT), redes sismográficas globais registraram um sinal próximo à região de Kodāri, no norte do Nepal, junto à fronteira com o Tibete.
O boletim automático do Serviço Geológico dos EUA (USGS) classificou o registro como um terremoto de magnitude 4,4. No entanto, após a análise manual dos dados, o USGS concluiu que o sinal não foi produzido por um terremoto tectônico, mas pela movimentação de uma enorme massa (provavelmente formada por rochas, água e gelo).
O que as estações sismográficas registraram era, portanto, o sinal de um deslizamento, cuja energia sísmica, neste caso, foi equivalente a de um sismo de magnitude 5,2.
Ou seja, não foi um terremoto que provocou o deslizamento. Foi o deslizamento que gerou um sinal sísmico.
Deslizamentos de grande porte, colapsos de encostas e avalanches de rocha e gelo também irradiam energia sísmica e são detectáveis mesmo a dezenas (às vezes centenas ou milhares) de quilômetros de distância.
Vale registrar que a correção de um boletim não indica falha da agência. É parte do fluxo normal de trabalho da sismologia operacional em todo o mundo, incluindo o Centro de Sismologia da USP e da Rede Sismográfica Brasileira.
Ainda, o valor de magnitude 5,2 divulgado pelo USGS deve ser lido como uma medida da energia sísmica liberada pelo deslizamento, expressa em uma escala com a qual o público está habituado. Não significa que tenha ocorrido um terremoto de magnitude 5,2 na região.