29/06/2025
NOTA DE ESCLARECIMENTO:
Mediante um conjunto de informações desencontradas por um lado e falsas por outro, a direção da EM Tatiana Chagas Memória vem, através de nota, trazer alguns esclarecimentos.
Antes de qualquer coisa, queremos, mais uma vez, como já foi dito em postagem em nossos stories, reforçar nosso lamento pela vida perdida do jovem Adalberto, nosso ex aluno, nas condições que ocorreram e manifestamos, novamente, aos familiares e amigos nossa solidariedade nesse momento tão dificil.
Desde o ocorrido, uma série de páginas de redes sociais, das que buscam ser jornalísticas, mas não fazem a apuração dos fatos, nem buscam o contraditório, regra básica de qualquer jornalismo que busca ser visto com seriedade, simplesmente, divulgam sem qualquer filtro toda e qualquer informação que os chega por mensagem direta. De forma apressada, veicularam vídeos do fato, ignorando que tal divulgação pode levar a quem assiste disparo de gatilhos, bem como funcionar como estímulo a pessoas que passam por situações de fragilidade emocional e psicológica e podem, em momentos de maior vulnerabilidade, atentar contra a própria existência. Esse estilo jornalístico e de "disse me disse", infelizmente, não possui compromisso com a verdade e não se importa a quem vão ferir ou atacar, trazendo indignidade, inclusive, aos amigos e familiares do Adalberto.
Tais páginas, descomprometidas com a verdade, na sequência aos vídeos, informavam: que tratava-se de aluno da escola; que sofria bullying durante as aulas; que ele era autista; que houve negligência, entre tantas outras coisas.
Sobre esse fato, esclarecemos que o prédio de nossa escola possui dupla administração: durante a manhã e a tarde, a escola é de responsabilidade da Secretaria Municipal de Educação, funcionando a nossa escola. A noite, momento em que ocorreram os fatos, a escola f**a sob a responsabilidade da Secretaria Estadual de Educação, na qual funciona o Colégio Estadual Cel Carlos Magno Nazaré Cerqueira. Por isso, já não estávamos mais no prédio da escola no momento em que tudo aconteceu, apesar disso, temos o conhecimento de que todas as providências com relação em acionar os Corpo de Bombeiros e outros órgãos competentes foram realizadas não só pela direção da noite como por moradores do bairro.
Outro fato importante a informar é que Adalberto já não era aluno da nossa escola , ele estudou na Tatiana Memoria de 2019 até 2022 e estava no Ensino Médio. No Colégio Cel Carlos Magno, que funciona a noite, estudou até maio de 2023 e solicitou transferência para outra escola na Zona Sul, pois foi morar com o pai no bairro da Rocinha durante um período.
Portanto, Adalberto não era aluno de nenhuma das escolas que funcionam no prédio desde 2023 . Os casos de bullying mais recentes que possam ter ocorrido foram fora da escola. Não se pode descartar que essas agressões possam ter sido feitas por alunos que o conheciam, todavia, se elas ocorreram, foram fora do ambiente escolar, uma vez que quem possa ter praticado é morador do bairro e convivia com Adalberto na própria comunidade.
Reforçamos que as escolas, tanto a Tatiana Memória, quanto a Carlos Magno atuam e combatem fortemente a prática de bullying e procuramos dar todo o suporte aos alunos e alunas que, de alguma maneira, passam por isso. E, nós da Tatiana Memória, temos conseguido algum sucesso em resolver esses casos toda vez que chegam ao nosso conhecimento, mas no caso do Adalberto não se aplica, visto que ele não era aluno de nossa escola e estava fora da escola Carlos Magno desde 2023.
Outro ponto a considerar e que não foi divulgado amplamente
é que Adalberto não era diagnosticado com transtorno do espectro autista e que a causa provável para cometer o trágico ato tem a ver com o fato de que sofria de fortes problemas emocionais e psicológicos. Ainda quando era nosso aluno no Ensino Fundamental a família foi comunicada e orientada que buscasse auxílio profissional para ele, pois apresentava nítidos sinais de quadro depressivo. Nos últimos tempos, após um surto parecido com o ocorrido, informações atestam que ele estava vivendo em abrigo, no qual, provavelmente, possuía algum tipo de auxilio para tratar dessas questões, mas que, uma vez não estando mais lá, acabou não contando mais com esse atendimento de forma mais direta.
Quanto à acusação de negligência, falando pela Tatiana Memória, a direção que tomou posse em agosto do ano passado vem, desde então, desenvolvendo junto a alunos e responsáveis um trabalho de conscientização para cuidado, conservação e manutenção da escola. Fazemos vídeos informativos, enviamos fotos de casos de vandalismo e chamamos os responsáveis para nos ajudar nesse processo conscientizando suas filhas e filhos em casa.
Nas primeiras semanas do mês de junho, consertamos as grades do entorno da nossa escola, grades essas que precisam constantemente de manutenção por f**arem expostas ao tempo, mas que foram quebradas por membros da comunidade. Um dia após ao conserto, foi preciso fazer nova manutenção e reforço, pois as grades já haviam sido vandalizadas, e foi necessário consertar novamente. No dia do ocorrido, todas as grades estavam fechadas e consertadas.
As grades são instrumentos de delimitação do espaço escolar, mas funciona, principalmente, como um recurso que promove a segurança de nossas alunas e alunos. Nas reuniões de responsáveis, sempre conclamamos a comunidade escolar a auxiliar no cuidado das grades para evitar que sua depredação traga insegurança aos estudantes durante as aulas de Educação Física, ou qualquer atividade no pátio externo da escola. Não foram poucas as vezes que foi preciso solicitar que pessoas que não eram estudantes da escola se retirassem da quadra durante as aulas. Essas pessoas entravam na escola pelas grades quebradas.
Outro ponto importante e que foi amplamente divulgado de maneira irresponsável é sobre a caixa d'água na qual houve o fato. Apesar do reservatório f**ar próximo a quadra da nossa escola, ela não é de responsabilidade da EM Tatiana Chagas Memória, ela pertence ao EDI Alfredo Fernando Vaz, que, igualmente como nossa escola, vem sofrendo, desde sua inauguração, com vandalismo de alguns membros da própria comunidade.
Colocamos isso não para transferir a responsabilidade pelo ocorrido para a direção da unidade escolar vizinha, mas para deixar explícito que a cobrança com relação ao fato tanto à Tatiana Memória, quanto a Carlos Magno não procede.
Por último, lamentamos que algumas pessoas, escondidas em perfis, com nomes irreais e sem fotos, e lamentamos, ainda mais, pela possibilidade de algumas delas serem estudantes da escola, mais uma vez de forma apressada, responsabilizarem a direção da escola EM Tatiana Chagas Memória pelo ocorrido, como se o fato houvesse acontecido dentro de nossa escola, o que não foi, além de ter sido fora do horário de nosso funcionamento.
Estranhamos somente que alguns membros da comunidade escolar manifestem revolta com o ocorrido, mas vandalizem as grades de proteção ou se omitem quando presenciam esses fatos.
Estranhamos igualmente que muitos, agora, emitam cartazes exaltando, corretamente, a vida do querido Adalberto, mas durante o ocorrido tenham gritado para que ele pulasse, iniciado contagem regressiva cronometrando o fato, filmassem em vez de utilizarem seus celulares para auxiliar em acionar os órgãos competentes.
Ou, ainda, que, enquanto, esteve entre nós era ridicularizado pelo bairro, sem ter recebido ajuda devida, mas diante de sua partida, agora queiram limpar a consciência manifestando revolta e canalizando-a a quem não pertence a responsabilidade.
Reforçamos que nossa escola é um lugar de aprendizado e cuidado. Desde o início da atual gestão, temos desenvolvido instrumentos que aproximam nossa escola dos responsáveis, informando horário entrada e saída de alunos, alertando quanto a ocorrência de algum fato, ligando para os responsáveis em casos de preocupação com a saúde, levando em casa, ou dando socorro aos estudantes que passam mal. Nem todas as vezes conseguimos responder a tudo rapidamente, mas temos feito um trabalho árduo para cuidar de nossos alunos e, principalmente, para que além de cuidado eles aprendam, portanto, não aceitaremos falsas narrativas e responsabilização por esses fatos.
Informamos, ainda, que já denunciamos os perfis que emitiram comentários de ódio incitação à violência às autoridades que possuem recursos para descobrir quem são as reais pessoas por trás de cada um deles e que nos mantemos à disposição de responsáveis de alunos e das páginas que fazem bom trabalho jornalístico , e elas existem, que queiram maiores esclarecimentos.
De resto, segue, mais uma vez, nosso abraço carinhoso aos familiares e amigos. Em nosso coração, jamais queremos ver o fim de um ex aluno de uma forma tão triste. Nosso coração segue partido e solidário a todos os que realmente amavam nosso querido Adalberto.
Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro GED 10ª CRE