12/08/2026
Como nossas memórias ganham vida?
Iniciativas comunitárias, artísticas e educativas exploram em sua própria linguagem novas formas de disputar a memória coletiva e questionar os sentidos do chamado progresso civilizatório. São experiencias de subversão e remixagem do museu convencional que se apropriam de processos museológicos para construção e valorização de novos discursos e práticas de escuta, encontro e resistência.
A campanha que iniciamos hoje é um convite para reconhecer os museus que acontecem nas ruas, nas praças, nas escolas, nos terreiros e em tantos outros espaços onde a memória permanece em contrução. Movimentos de memória que guardam saberes, fortalecem vínculos e afirmam a permanência daqueles que fazem da experiência coletiva uma forma de resistência
O Museu Ambulante apresenta uma proposta de museologia que busca mobilizar a comunidade de Atafona, em São João da Barra, território que há mais de cinquenta anos enfrenta os impactos do processo de erosão no território.
Desenvolvida pelo Grupo Erosão, a iniciativa articula teatro de rua, documentação arquivística e exposições itinerantes para denunciar o abandono, mas também para tornar visíveis as memórias, os modos de vida e a força da comunidade pesqueira, profundamente afetada por atividades predatórias.
O Museu Ambulante é uma prática de museologia comunitária que se desloca pelo território para criar condições de autorreconhecimento, produção de memória e afirmação política de uma comunidade pesqueira diante das transformações ambientais e sociais que ameaçam sua permanência, a partir do exercício da memória, reivindica o seu próprio futuro.
Fotografia: Pamela Correa, Mateus Gomes e acervo do Grupo Erosão.