23/07/2020
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Olá, colegas!
Durante a Assembleia Geral do curso, ocorrida na última segunda (20/07/2020), foram deliberadas algumas questões, que foram descritas na ata que postamos aqui na página do Diretório anteriormente. Dentre as ações que as e os estudantes aprovaram estão a criação de um manifesto e um abaixo assinado representando o que o corpo discente pensa no tocante a implementação do Ensino Remoto Emergencial na FURG. Elaborou-se, como proposto:
- o Manifesto das e dos Estudantes do Curso de Engenharia de Computação – FURG:
https://drive.google.com/file/d/1huDFT7G7r_4UPIKKS1v2DbBXHSyhuNSF/view?usp=sharing
- o Abaixo Assinado das e dos estudantes de Engenharia de Computação - FURG contra o Ensino Remoto Emergencial:
https://forms.gle/qivKwVkDkEz8YbXX8
É de extrema importância que todas e todos leiam e assinem o abaixo-assinado para que possamos pautar junto a coordenação e o C3 ações que supram nossas demandas!
Segue o texto manifesto:
Manifesto das e dos Estudantes do Curso de Engenharia de Computação - FURG
No Brasil chegamos a uma marca de 80 mil mortos e mais de 2 milhões de casos notificados do covid-19. Só na cidade de Rio Grande temos, até agora, 44 mortos e quase mil casos confirmados. A cidade também acumula o índice de letalidade de 6,5%, mais de 2 vezes a média para o estado, que é de 2,7%. É importante lembrar também que o Brasil é um país que testa muito pouco sua população (15 mil te**es a cada 1 milhão de habitantes) em relação ao resto do mundo, o valor representa pouco mais de 10% em relação aos EUA, que tampouco é um padrão de excelência no combate ao vírus. Como se não bastasse a pandemia vivemos também uma crise econômica sem precedentes, onde o nível de desemprego em nosso país beira os 12%, atingindo quase 13 milhões de trabalhadoras e trabalhadores. Enquanto isso, há mais de dois meses, não possuímos um ministro da saúde efetivo e na educação suportamos os ataques ideológicos vindos do aparelhamento do MEC na direção do ex ministro Abraham Weintraub.
É evidente que o governo federal e a gestão Bolsonaro, Mourão e Guedes não colocam a Educação ou Saúde pública como prioridade, ao invés disso pautam políticas que visam o desmanche das estruturas públicas. O mais recente exemplo disso é o tema que envolve a renovação do Fundeb (fundo que é usado como mantenedor de quase metade da estrutura de escolas da rede pública), onde o governo pauta a diminuição percentual da participação do Governo Federal no fundo, a flexibilização para utilização da verba outras áreas e que essas novas condições sejam impostas apenas para o ano de 2022, o que ataca diretamente o funcionamento do ensino público e cria um limbo para o setor no próximo ano.
Ressaltamos que os ataques à estrutura e autonomia da Universidade Pública não se dão num contexto isolado do cenário político a qual o Brasil passa. Ainda vivemos sob o regime imposto pela Emenda Constitucional 95, que restringe os investimentos na educação pública por um período de 20 anos. Alinhado a isso surgem políticas que visam a abertura da universidade pública ao capital privado, como é colocado no programa que foi proposto no ano de 2019 com o FUTURE-SE. Nele são pautados pontos como a flexibilização da gestão universitária, alteração da grade curricular dos cursos determinada pela nova administração privada (as Organizações Sociais), aluguel de espaços físicos para fins privados e desvinculação da receita de universidades à União, forçando que as instituições criem ações que foquem na captação de recursos alternativos para garantir seu funcionamento.
Nessas condições vemos a implementação ou qualquer plano que vise a construção de condições para a adoção do ensino remoto como preocupantes e perigosas para o funcionamento e estrutura da Universidade Pública.
Focando no meio acadêmico podemos ver que vivemos em um espaço de difícil acesso para a parcela majoritária da classe trabalhadora e a implementação de um método de ensino remoto precariza ainda mais a condições desses em seu acesso ao ensino superior. A universidade, como parte de uma estrutura social, reflete suas mazelas e desigualdades, no tocante ao ingresso e permanência estudantil atinge principalmente a comunidade negra, pobre e periférica. São esses que não conseguem ingressar ou acabam optando por um caminho fora da educação superior, por essa não ser inclusiva e não fazer parte de sua realidade. É também o grupo mais afetado pelas políticas públicas e pelo sucateamento das condições de vida.
Percebe-se também que o processo de implementação do Ensino Remoto Emergencial na FURG, como tem ocorrido em outras universidade federais, segue a linha proposta pelo Governo Federal através da Portaria nº 544 do Ministério da Educação (MEC) e operacionalizada pelo do Parecer nº 5/2020 do Conselho Nacional de Educação (CNE) que define as normas em que o Ensino Remoto deve ser implementado. O processo é dado, desta forma, por via totalmente verticalizada, a partir do Governo Federal que numa lógica totalmente produtivista e quantitativa sob a educação pública brasileira, estabelece a opção de retorno das atividades que na FURG são implementados de forma autoritária, desconsiderando de forma efetiva o corpo discente de sua elaboração.
Seguindo essa lógica vemos que o prejuízo para maior parcela da população universitária será irreversível, uma vez que o ensino remoto emergencial é excludente e antidemocrático por não levar em conta problemáticas que vão além da limitação tecnológica. Temos, por exemplo, o caso de estudantes que possuem filhos, familiares ou uma casa para cuidar, trabalhadoras e trabalhadores que não possuem o direito a quarentena, famílias que possuem apenas um (ou nenhum) ponto de acesso com mais que uma pessoa que o utilize, além do fator psicológico, que se agrava durante a pandemia.
Sentimos também que, nesse momento complexo, a responsabilidade está sendo jogada para o estudante, em decidir se possui condições de continuar seus estudos de maneira precarizada ou esse deseja atrasar sua formação. Temos dados de que, por exemplo, no estado de São Paulo mais de metade dos alunos do ensino médio da rede pública não estão acompanhando as aulas remotas, logo é bastante concreto que o índice de abandono e evasão escolar e universitário se intensifique. Dentre os que conseguirem dar continuidade, teremos uma queda na qualidade do ensino devido a falta de preparo dos professores, diminuição da interação entre discentes e docentes, além de fatores técnicos relacionados ao sistema e a conexão.
É com base na atual conjuntura que os estudantes do curso da Engenharia de Computação da FURG se reuniram em assembleia no dia 20/07/2020 e se colocaram contra a implementação do ensino remoto emergencial. No espaço também se discutiu quanto a possibilidade de, durante o período de pandemia, não serem ofertadas atividades obrigatórias, mas que sejam propostos espaços e trocas de conhecimento, porque acreditamos que a Universidade não pode e não deve ficar parada. Devemos focar nossos esforços para desenvolver junto à comunidade ações que ajudem no controle e no combate à pandemia, para que possamos seguir com nossas atividades normais quando a situação de fato se normalizar.
O presente abaixo assinado vai ao encontro do que foi deliberado na Assembleia Geral das e dos Estudantes de Engenharia de Computação - FURG ocorrida no dia 20/07/2020, onde foi debatido o projeto de implementação do modelo de Ensino Remoto Emergencial no contexto de pandemia devido ao Covid 19....