17/11/2019
Documentos internos vazados do governo chinês, obtidos pelo The New York Times, revelaram diretrizes e discursos, emitidas pela liderança comunista, que estabeleciam as políticas públicas voltadas à supressão de minoria étnicas na província de Xinjiang. Os documentos revelam discursos proferidos pelo presidente chinês, Xi Jinping, onde ele defende o uso de mecanismos ditatoriais para lidar com a questão do extremismo islâmico.
Com efeito, os 24 documentos vazados ao jornal americano por um alto funcionário do governo chinês, que optou pelo anonimato, contém instruções para oficiais do governo lidarem com estudantes que retornam para casa férias – em Xinjiang há um programa que seleciona os melhores estudantes para estudar fora e se tornarem professores e servidores fiéis ao regime chinês – e se deparam com seus lares vazios e seus familiares detidos.
Segundo os documentos vazados, o “ vírus do radicalismo islâmico” teria “infectado” os habitantes da região e até mesmo pessoas idosas, incapazes de perpetrarem atos violentos, foram detidas pelo Estado. É estarrecedor que, em pleno século XXI, ainda se faça uso de conceitos de natureza biológica para se referir a determinados grupos sociais, vítimas de repressão estatal – já vimos esse filme antes.
Estima-se que cerca de 1 milhão de pessoas estejam detidas em campos de detenção, para fim de serem “reeducados” em matérias de islamismo e se tornarem cidadãos mais leais ao governo central chinês. Tentar destruir a coesão de comunidades étnicas é prática recorrente em regimes comunistas, como ocorreu com as grandes deportações stalinistas, responsável por deslocar imensas quantidades de pessoas para quebrar seu sentimento de nacionalidade.
O silêncio de alguns movimentos políticos da esquerda brasileira em relação à brutalidade policial em Hong Kong e às políticas islamofobicas da China é ensurdecedor – aqui, paradoxalmente, movimentos de esquerda criticam os manifestantes de Hong Kong por serem influenciados pelo imperialismo enquanto são agredidos e assassinados pelo governo chinês. Ao mesmo tempo, defendem o extremismo islâmico enquanto viram as costas aos muçulmanos oprimidos e escravizados pelo autoritarismo de Xi Jinping".