18/12/2017
Monica Japiassú
Educação Somática, uma nova visão de pensar o corpo.
Entre as duas grandes guerras mundiais, surgiu na Europa notáveis estudiosos de novos conceitos para uma abordagem corporal.
Pode-se distinguir três períodos na história da educação somática. Na primeira metade do século XX quando seus criadores desenvolvem seus métodos, de 1930 a 1970 período quando se propagou por toda a Europa e Estados Unidos, através de formações realizadas pelos seus fundadores e neste momento a sua integração as práticas e estudos terapêuticos, psicológicos, educativos e artísticos.
Em 1937 Mabel Tood escreve um livro o qual marca a introdução desta nova visão das técnicas somáticas. Ela lhe dá o título de “O corpo pensante”. Sem dúvida nenhuma este é o grande divisor de águas, comparando a forma mecânica que nos dias de hoje os exercícios físicos são realizados, sem falarmos das sobrecargas de peso cuja única função infelizmente é o de trazer grandes desgastes em nossas estruturas neuro-osteo-muscular.
Quase simultaneamente surgem Elsa Guindler a mãe dos métodos de relaxação, Ida Rolf e a plasticidade do corpo, Gerda Alexander e seu método da Eutônia (equilíbrio dos tônus muscular), Moshe Feldenkrais para uma nova consciência corporal, S. Piret e M.M Béziers, aspecto mecânico da organização motora do homem, Joseph Pilates e muitos outros.
Abordei estes primeiros fundadores da educação somática pela necessidade que sinto em explicar como, ao dirigirmos nosso pensamento para o movimento do nosso corpo, abrimos caminhos tanto no sentido das estruturas ósseas, musculares e articulares como também deixamos fluir nossas percepções, sensações e emoções, estimulando todas as potencialidades do nosso ser. E minha vida foi construída nas observações do meu próprio corpo e em suas grandes transformações, é lógico que minhas aulas nao poderiam ser diferentes. O meu trabalho é fruto das minhas experiências pessoais. Sou de São Paulo, comecei meus estudos de ballet clássico na Escola Municipal de São Paulo aos sete anos de idade. Fui bailarina clássica, moderna, coreógrafa e educadora. Como educadora meu maior compromisso era com os diferentes corpos dos meus alunos para que pudessem adquirir um vocabulário amplo de movimentos e também de conhecimentos em relação ao seu corpo. Acabei encontrando nas técnicas somáticas algo que procurava.
Fiz algumas formações, uma delas foi com Ivaldo Bertazzo em sua escola de educação e movimento baseada em coordenação e organização motora do homem, de S. Piret e M.M. Béziers. A organização fundamental do movimento como escreve Ivaldo Bertazzo no prefácio do livro destas duas grandes estudiosas do corpo humano e do seu movimento “O casamento entre a forma dos ossos, a disposição dos músculos entre si, a presença da pele como mensageira, é a necessária condição para que exista o movimento fundamental.”.
Há muitos anos atrás fazendo um curso do método Moshe Feldenkrais me senti inteiramente fascinada. A consciência para Feldenkrais é a mais alta etapa do desenvolvimento humano e através dela nos aproximarmos do nosso ser global, nos permitimos exercer um controle harmonioso de todas as nossas atividades corporais.
No entanto, não cheguei a fazer uma formação de Feldenkrais, mas por uma intensa curiosidade e interesse, foram vários cursos que fiz livros e vídeos que comprei, horas e horas de estudo e prática em minha sala de aula, me tornando uma autodidata.
Fiz minha formação de Pilates em Salvador com Alice Becker que introduziu na Bahia o método Pilates. Há vinte anos eu trouxe este método para Recife.
Seus exercícios corporais proporcionam fortalecimento muscular, mobilidade articular, alongamento, equilíbrio e respiração.
No prefácio do livro Consciência pelo Movimento de Moshe Feldenkrais, José Ângelo Gaiarsa escreve “As sensações provenientes dos movimentos e posições, traz um gradual e interminável progresso em nossa capacidade de nos movermos com precisão, graça, economia e eficiência”.
As aulas:
As aulas podem ser individuais ou com um pequeno grupo formado por duas pessoas. São realizados duas vezes por semana com duração de uma hora de aula ou mais, dependendo da necessidade de cada aluno.
Trabalho também com minha filha Adriana Japiassú que tem o mesmo pensamento que o meu.
As aulas tanto podem ser no solo integrando todas essas técnicas somáticas como também nos aparelhos do pilates.
Esperamos por todos que venham conhecer nosso trabalho e através dele, possam vivenciar um novo caminho para um corpo mais livre e vivo.