07/04/2026
Quem tem o direito de dormir quando chove?
Região Metropolitana do Recife, 7 de abril de 2026. Mas poderia ser em qualquer outro ano que o cenário seria praticamente o mesmo: ruas alagadas, serviços suspensos, risco de desabamento. A exceção recente foi em 2022, onde mais de 130 pessoas morreram e mais de 130 mil pessoas ficaram desabrigadas e/ou desalojadas. Reforço o termo recente, porque já houveram situações semelhantes em décadas passadas e que ainda estão presentes na memória e no imaginário coletivo do pernambucano. Nesta madrugada, duas pessoas morreram vítimas do desabamento de um casarão histórico e abandonado na Comunidade do Pilar, no Recife. Na última semana, desabamentos de terra em Camaragibe, Olinda e Jaboatão dos Guararapes.
E por que entra ano e sai ano e as coisas parecem iguais quando falamos dos impactos das chuvas na Grande Recife?
Todo mundo parece ter a resposta na ponta da língua, mas falta enxergar isso em ação. Antes o que era chamado de desastre natural já foi entendido que não é tão natural assim e que é resultado de escolhas políticas, sendo, então, um desastre político. Mas desastre é algo meio estabanado, sem controle, que foge aos planos, mas quando a gente olha para onde esses eventos acontecem, parece que é sempre o mesmo alvo. Será que é mesmo um desastre quando as vítimas são sempre pessoas negras em territórios periféricos? Para mim, soa como uma limpeza, uma ferramenta de morte. Mais fácil culpar a chuva (e até mesmo Deus) pela morte de inocentes do que se responsabilizar pela vida das pessoas que mais precisam, porque responsabilidade exige trabalho. E, infelizmente, não é o tipo de coisa que aparece em foto no instagram ou em matéria de jornal.
Leia o artigo completo de Igor Travassos () no link na bio da