02/07/2020
Depois de meses sem uma proposta unif**ada de volta às aulas na UFRGS e com pouco diálogo com a comunidade acadêmica, a reitoria lança a proposta de Ensino Remoto Emergencial (ERE) com o principal argumento da garantia da não evasão dos estudantes nesse período de pandemia. Entretanto, desde o início da suspensão das aulas presenciais, os e as estudantes tem se posicionado contra qualquer implementação de ensino a distância pela falta de condições materiais para continuarem estudando e pela perda da qualidade de ensino.
As respostas da pesquisa elaborada pela PROGRAD sobre acesso a internet e equipamentos tecnológicos, além de ter sido respondida por somente 46% dos e das estudantes e não alcançar a parcela que não tem acesso a internet, escancara que o principal interesse para a implementação do ERE não é o atendimento das necessidades estudantis. Nela, 50,33% dos e das estudantes beneficiários PRAE, ou seja, que têm renda familiar per capita de até 1,5 salário mínimo, respondeu não ter acesso à notebook plenamente adequado de atender as demandas do ERE e 23,69% não apresenta nenhum tipo de acesso ao equipamento. Ainda, 52,29% dos e das estudantes declararam que o equipamento é compartilhado com outras pessoas, o que limita a disponibilidade para o estudo.
Outro dado que desmascara o argumento da reitoria, no próprio relatório produzido por ela, revela que 60,2% dos e das estudantes teria dificuldade em estudar por assumirem outras tarefas nesse período, como estágios, trabalho e cuidados familiares, sendo que em relação ao beneficiários PRAE, o número chega em 67,9%. Não podemos ignorar que essas tarefas estão completamente vinculadas à necessidade de renda, demonstrando uma maioria de estudantes trabalhadores/as na universidade e que os cuidados familiares se acentuam com a pandemia do Covid-19, expondo que os estudantes também são afetados pela crise econômica e sanitária que vivemos hoje no Brasil.
Por três meses a PRAE impôs aos estudantes beneficiários que não moram na casa de estudante a exposição à contaminação por Covid-19 para a retirada de marmitas no RU sem um plano de assistência estudantil emergencial que desse conta das demandas concretas dos e das estudantes durante a pandemia. No final de junho, a reitoria apresentou um plano de assistência que não garante acesso às tecnologias necessárias e vincula à assistência estudantil à implementação do Ensino Remoto Emergencial, revelando que a preocupação é a continuidade do semestre. Os benefícios de R$ 360,00 reais para compra de tablet e de R$ 70,00 reais para plano de internet são uma piada com os e as estudantes que precisam de melhores equipamentos, seja para acompanhar aulas, realizar os trabalhos ou porque seus cursos exigem programas e softwares incompatíveis com os que são suportados por tablet.
Por tudo isso, f**a evidente que a preocupação nunca foi com a evasão estudantil, já que a proposta de ERE é, em sua essência, excludente e promotora da evasão, principalmente dos e das estudantes trabalhadores/as, de baixa renda, negros e negras, indígenas e mães. Infelizmente, não surpreende essa posição autoritária da reitoria que, ano após ano, se utiliza da matrícula precária para provocar a expulsão de estudantes cotistas com indeferimentos político-burocráticos no ingresso à universidade.
Além de todas as questões específ**as da UFRGS, entendemos que a aplicação do ensino a distância é também mais uma forma de precarizar o ensino e caminhar em direção a privatização da educação pública.
Por isso, defendemos a manutenção e ampliação da assistência estudantil, não vinculada a implementação do ERE, como forma de garantir a permanência na universidade e o isolamento social necessário para esse período, que dará condições para o retorno às aulas presenciais quando possível. Não podemos esperar da reitoria uma proposta que atenda às nossas necessidades. Somente com o avanço da luta organizada e independente nos cursos vamos conseguir barrar o ERE e avançar nas conquistas de assistência e permanência estudantil.
NÃO À EXCLUSÃO PROMOVIDA PELO ENSINO REMOTO EMERGENCIAL!
PELA AMPLIAÇÃO DA ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL DESVINCULADA À IMPLEMENTAÇÃO DO ERE!