18/03/2021
FRENTE AO COLAPSO NA SAÚDE, PREFEITURA DE POÁ DECIDE FECHAR TEMPORARIAMENTE UBS’S
Nesta quinta-feira (18) a Secretaria Municipal de Saúde de Poá informou ao seu quadro de profissionais que as Unidades Básicas de Saúde serão fechadas pelos próximos 10 dias, deslocando as equipes para o atendimento no Hospital Municipal Dr. Guido Guida, enquanto psicólogos realizam teleatendimento, profissionais da odontologia e assistentes sociais serão incorporados à Estratégia de Saúde da Família.
É evidente o colapso do sistema de saúde, não só na cidade, mas em todo o país. No entanto, não se pode fechar a porta de entrada o sistema público de saúde, as UBS’s, que constituem o pilar central da atenção básica. A importância das UBS’s vai desde a vacinação de recém nascidos, passando pelo acompanhamento de gestantes de alto risco, até a necessária campanha de prevenção e combate à desinformação sobre a atual pandemia. Tal medida impede a implementação de ações no combate à COVID-19 apontadas como urgentes em recente manifesto do Colegiado dos professores titulares da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (reproduzido na íntegra ao final desta nota). Especialmente na “implementação de estratégias de testagem, rastreamento e isolamento de casos e contatos” e na aceleração da vacinação.
É necessário ouvir a voz dos profissionais na linha de frente e estabelecer um sólido compromisso para enfrentar este momento. Temos de adotar medidas radicais de lockdown na cidade e na região. Não há outra saída. Portanto, as autoridades políticas regionais, passando pela prefeita, vereadores, deputados, partidos políticos e entidades do movimento social devem denunciar a responsabilidade do governo federal sobre este verdadeiro genocídio e assumir o compromisso com a vida de nosso povo, garantindo auxílio emergencial digno, preservando o emprego, socorrendo comerciantes e pequenos empresários atingidos pela crise e providenciando a vacinação em massa.
Diretoria da Associação dos Servidores de Poá – JUNTOS SOMOS MAIS FORTES
MANIFESTO DA FACULDADE DE MEDICINA DA USP
O Colegiado dos professores titulares da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) vem manifestar publicamente sua preocupação com o grave momento que atravessamos no Brasil. Enfrentamos uma das maiores crises sanitárias e humanitárias de nossa história. Vivemos um recrudescimento assustador do número de casos notificados de adoecimento pela covid-19 e já alcançamos o patamar trágico de mais de 2.000 mortes diárias pela doença.
Danos igualmente graves, são os devastadores efeitos afetivos e materiais dessas mortes para as famílias e comunidades dos que se foram; as sequelas persistentes em muitos dos que conseguiram ultrapassar a fase aguda da doença; o colapso dos serviços de saúde e esgotamento dos profissionais, não prejudicando apenas o provimento da assistência aos pacientes com covid-19, mas também obstruindo o acesso de pacientes com outros tipos de demandas urgentes e relevantes.
Um desafiador agravante da situação é o surgimento de variantes do sars-cov-2, que tem tornado ainda mais urgente nossa corrida pela imunização e, mais importante, pela implementação de medidas estruturais e comportamentais de controle da pandemia.
Para isso, juntamos nossas vozes às daqueles que conclamam autoridades, profissionais, formadores de opinião e cada cidadão e cidadã de nosso país a assumir radicalmente o compromisso com a construção de uma resposta efetiva e solidária para superarmos esse triste cenário.
Sabemos que a tarefa é complexa e exigirá esforços, mas já temos clareza de caminhos a seguir:
1) coordenação dos diversos níveis da administração – federal, estaduais e municipais – para otimizar a capacidade do SUS na resposta à pandemia no País, das Unidades Básicas às UTIs;
2) implementação de estratégias de testagem, rastreamento e isolamento de casos e contatos;
3) vigilância genética para identificação precoce das variantes virais;
4) adoção de medidas radicais de lockdown nas regiões mais acometidas, com estratégias socialmente pactuadas para garantir adesão e eficácia;
5) desenvolvimento de políticas emergenciais intersetoriais para prover as condições materiais e logísticas necessárias para a adequada adesão das pessoas às políticas de isolamento físico, especialmente para as regiões e populações em situações de maior vulnerabilidade;
6) realização de uma estratégia de comunicação social capaz de promover uma cultura de prevenção que oriente e estimule as pessoas ao uso de máscara, higiene das mãos e a evitar aglomerações;
7) envolvimento das lideranças de grupos atingidos e comunidades em situação de vulnerabilidade para identificar necessidades e estratégias adequadas às diversas situações locais;
8) emissão de normas técnicas para os diversos espaços de interação (escolas, indústrias, comércio, entre outros) para diminuir o risco ambiental de transmissão, cuidando especialmente do transporte público para garantir a não aglomeração atual;
9) aceleração significativa do programa de vacinação, com critérios estratégicos para priorização de populações-alvo;
10) medidas de combate às notícias falsas, desinformação e más práticas de prevenção e tratamento.
Como se vê, há a necessidade de um firme compromisso ético e político para que essas medidas sejam postas em operação e para que consigamos construir o futuro de progresso e bem-estar, com justiça social e liberdade, que buscamos para nossa população. Os Professores Titulares da FMUSP reiteram esse seu compromisso e, mais uma vez, somam-se aos que trabalham para que um futuro de saúde e prosperidade seja o mais rapidamente possível o nosso presente.
São Paulo, 16 de março de 2021.
https://jornal.usp.br/universidade/manifesto-da-faculdade-de-medicina-da-usp-destaca-acoes-urgentes-para-o-combate-a-pandemia/