Memória Legislativa Piraquarense

Memória Legislativa Piraquarense Esta página tem por objetivos específicos, a pesquisa, o estudo e a difusão da história do Poder Legislativo do município de Piraquara.

RACHED SALIBA SMAKA - *1926  +2018Médico - Professor universitárioVereador: 1959-1963; 1963-1969; 1969-1973; 1973-1977;1...
25/03/2024

RACHED SALIBA SMAKA - *1926 +2018
Médico - Professor universitário
Vereador: 1959-1963; 1963-1969; 1969-1973; 1973-1977;1977-1983.
Presidente da Câmara Municipal: 1961; 1971-1972; 1973-1974; 1977-1978; 1981-1982.

Filho dos imigrantes libaneses Chafic Smaka e Maria Saliba – Rached Saliba Smaka nasceu em Piraquara, no dia 22 de setembro de 1926, sendo o segundo de quatro filhos do casal. Seus pais se estabeleceram na cidade, atuando como comerciantes, possuindo uma casa de armarinho. Mais tarde, seu pai passou também a comercializar pedras.
Sua formação escolar iniciou no ano de 1934, no Grupo Escolar Manoel Eufrásio. Onde permaneceu até o ano de 1937. No ano seguinte transferiu-se para a Capital, em virtude de Piraquara não oferecer possibilidades para o prosseguimento dos estudos. Em Curitiba, o curso ginasial ele fez no Ginásio Belmiro César, tendo sua conclusão ocorrida no ano de 1942. Nos dois anos seguintes, freqüentou o Colégio Novo Ateneu. Sendo que por essa época, já cultivava o desejo de encaminhar-se profissionalmente na área biológica.
Em 1945 prestou concurso de habilitação para a Faculdade de Medicina do Paraná. Ao que foi aprovado. Já no seu segundo ano do curso de Medicina (1946), passou a atuar como auxiliar da Cadeira de Anatomia, na Faculdade de Medicina, a qual tinha como titular o Dr. Carlos Estrela Moreira.
Em 1950, estando a aproximadamente meio ano da conclusão do curso de Medicina, o governo do Presidente Eurico Gaspar Dutra, decretou a federalização da Universidade do Paraná, tornando assim os seus cursos gratuitos.
Em 1951, estando então formado, passou a exercer a função de Professor Auxiliar de Anatomia no curso de Medicina da Universidade Federal do Paraná, permanecendo na Instituição até sua aposentadoria, no ano de 1985. Ainda no ano de 1951, abriu seu consultório médico em Piraquara; como também, em associação com alguns colegas – dentre eles o Dr. Daniel Egg, seu ex-professor e grande amigo – nasceu a idéia da fundação de um hospital na cidade. A que se salientar que nessa época o serviço médico local era limitadíssimo, havendo apenas um pequeno posto de atendimento, que funcionava no prédio da Prefeitura Municipal; e o recém criado Posto de Puericultura Francisco Leal. No mais, a população acabava buscando auxílio junto aos farmacêuticos, ou então, no caso das gestantes, comumente eram requisitados os serviços de parteiras. Afora isso, restavam ainda as infusões, simpatias e as benzedeiras.
Mas voltando a idéia da construção de um hospital em Piraquara, tal iniciativa logo ganhou o apoio de toda a população, uma vez que todos só teriam a ganhar com tal benefício. A primeira conquista dos idealizadores se deu pelo fato da família Smaka possuir uma área considerável e bem localizada, onde o hospital poderia vir a ser instalado. A partir de então, o grupo de sócios e a população piraquarense passou a se mobilizar em prol da sua construção.
Enquanto se iniciavam as obras do hospital, o Dr. Rached seguia a sua carreira como professor na UFPR e como médico em seu consultório. Por aproximadamente um ano lecionou a disciplina Ciências Naturais no recém criado Ginásio Romário Martins, fazendo parte do corpo docente responsável pela primeira formatura dos jovens do Curso Ginasial de Piraquara, no ano de 1953.
Em 1954, casou-se com a jovem Maria de Lourdes Araújo, filha do casal Sérgio e Elisa Araújo, ele farmacêutico estabelecido em Piraquara. Desse casamento nasceram três filhos: Márcia, Sílvia e Chafic. Também por volta do ano de 1954, ingressou profissionalmente no Hospital Colônia São Roque, onde teve início os seus trabalhos relacionados às cirurgias vasculares. Em pouco tempo ascendeu ao cargo de Diretor naquela instituição.
No campo social, apesar da Piraquara dos anos 50, possuir poucos atrativos, um dos locais que conseguia fazer com que a sociedade local se reunisse era o Clube União Piraquarense. No clube, fundado em 1940, participou de sua diretoria por algum tempo, chegando também a presidi-lo no final dos anos 50.
Em 1959, iniciou também as suas atividades profissionais no recém inaugurado Hospital Evangélico de Curitiba, no qual permaneceu até o ano de 1983.
Também naquele ano de 1959, em virtude de tentar coibir abusos eleitoreiros no interior do Hospital São Roque, foi denunciado ao então Governador do Estado, Moysés Lupion, que o destituiu do cargo de diretor daquela instituição. Temendo ser transferido para outra cidade, para se resguardar dessa possibilidade, estando em um ano eleitoral aceitou o convite do ex-vereador e ex-prefeito Zacarias Vieira – então, candidato a prefeito municipal de Piraquara – para que concorresse a uma vaga de vereador pelo PTB. Nas eleições ocorridas no dia 04 de outubro de 1959, o PTB elegeu os candidatos: Guilherme Ribeiro, Alcides Cunha Luz e o Dr. Rached, que alcançou 260 votos – a maior votação dentre os eleitos do seu partido. Nos quatro anos relativos ao seu mandato, fez parte da mesa executiva na condição de Primeiro Secretário no ano de 1960 e como Presidente no ano de 1961.
No início dos anos 60, fez o curso de Cirurgia Vascular no Hospital de Clínicas de São Paulo. No seu retorno após o término da especialização, trouxe consigo várias técnicas, inclusive algumas inéditas. Foi o pioneiro em cirurgias vasculares no Paraná, sendo que em pouco tempo tornou-se um dos nomes mais respeitados nacionalmente nessa especialidade. Em reconhecimento a sua dedicação e seu vasto conhecimento, a ala destinada às cirurgias vasculares no Hospital Evangélico recebeu o seu nome.
Em 06 de outubro de 1963, reelegeu-se para o cargo de vereador, obtendo mais uma vez a maior votação dentre os seus companheiros da coligação PTB/PSD e a segunda posição dentre os nove candidatos eleitos, somando 412 votos. Nos cinco anos que durou esse turbulento segundo mandato, em razão dos diversos compromissos profissionais, esteve por um considerável período licenciado. Tendo participado da Mesa Executiva no ano de 1966, na função de Primeiro Secretário.
As obras de construção do Hospital de Piraquara, que atravessaram a década de 50 e adentraram pelos anos 60, após quase 14 anos de intensos sacrifícios, almoços e campanhas para a arrecadação de fundos e materiais, finalmente alcançaram o seu êxito! No dia 28 de setembro de 1964, com a presença de uma grande parcela da comunidade piraquarense, a sociedade liderada pelos Drs. Rached Saliba Smaka e Daniel Egg inaugurou a “Clínica Médico Cirúrgica de Piraquara”. O início das atividades dessa instituição configurou-se para o povo piraquarense, uma importante conquista, tornando-se também, em pouco, tempo uma referência regional em função da excelência no seu atendimento.
Nos anos que se seguiram, as obras continuaram e diversas foram as etapas de sua ampliação. Enquanto isso ocorria, o Dr. Rached se dividia entre as suas atividades profissionais na Capital, as atividades políticas, e então, somando-se a elas, agora também a Direção do seu próprio Hospital.
Nas eleições realizadas no dia 15 de novembro de 1968, como candidato da ARENA, concorreu pela terceira vez para o cargo de Vereador, sendo mais uma vez reconduzido à Câmara Municipal, quando obteve 273 votos. Nesse terceiro mandato compôs a Mesa Executiva ocupando a Primeira Secretaria no ano de 1969 e a Presidência no biênio 1971/1972.
No ano de 1969 participou da fundação da Faculdade Evangélica, permanecendo nessa instituição até o ano de 1990.
Reelegeu-se pela ARENA, para o seu quarto mandato consecutivo de vereador, nas eleições realizadas em 15 de novembro de 1972. Nessa ocasião obteve a segunda maior votação do pleito, com 586 votos. Três dias antes da posse do novo mandato, que aconteceria no dia 31 de janeiro, como parte das comemorações pelo 83º aniversário do Município, na condição de Presidente da Câmara Municipal, recebeu do então Prefeito Municipal – o Sr. Manuel Alves Pereira – as novas dependências da sede do Legislativo Municipal, que depois de quase meio século passaria a funcionar em prédio próprio. O ano de 1972 marcou os 150 anos da Independência do Brasil, em razão dessa importante data, o novo prédio recebeu o nome de “Sesquicentenário da Independência”. Ao ser empossado para o seu quarto mandato de vereador, foi reconduzido pelos seus companheiros para presidir a Casa durante o biênio 1973/74. No biênio seguinte – 1975/76 – ocupou a Primeira Secretaria.
Ainda na primeira metade da década de 70, fazia parte do grupo de médicos responsáveis pela fundação do Hospital San Julian. Tendo ocupado por algum tempo o cargo de Diretor Geral.
Durante o ano de 1976, por iniciativa de Orlando Silvestre, um seleto grupo da sociedade piraquarense fundou na cidade, o Rotary Club. O Dr. Rached fazia parte deste grupo pioneiro, que reunia ainda: Nagib Riechi, João Teixeira Nogueira, Georges Gebrail Samaha e Pedro Renato Nascimento além de outros. Coube ao autor da iniciativa o privilégio de ser o primeiro presidente daquele Clube de Serviços, tendo o Dr. Rached exercido esse cargo logo a seguir, por volta de 1978 e permanecendo nessa condição até o ano de 1983.
Em outubro de 1976, com grande alegria presenciou a realização de um antigo anseio acalentado por toda a população piraquarense: a entrega pelo Governador Jayme Canet Júnior da pavimentação asfáltica da PR-415, antiga Estrada do Encanamento. A execução da obra fora autorizada dois anos antes pelo então Governador do Estado Emílio Hoffmann Gomes, mas até alcançar essa etapa houve a necessidade de muito esforço e persistência por parte dos políticos locais, principalmente da Câmara Municipal e do Deputado Estadual piraquarense João Leopoldo Jacomel.
No mês seguinte, concorrendo pela ARENA, alcançou a reeleição para o seu quinto mandato consecutivo de vereador. Nessa ocasião obteve 368 votos. Ao tomar posse no dia 31 de janeiro de 1977, foi eleito para presidir a Casa Legislativa para o biênio 1977/1978. No decorrer dessa legislatura, o cargo de vereador passou a ser remunerado. Ao término desse período, passou a ocupar a Primeira Secretaria para o biênio 1979/1980.
Durante o ano de 1980, mudanças na lei eleitoral acabaram por estender os atuais mandatos até o ano de 1982, quando então seriam realizadas eleições gerais no País. Essas mudanças promoveram também a volta do pluripartidarismo, acabando com o bipartidarismo que congregava os políticos entre ARENA e MDB, desde 1966.
Com a prorrogação dos mandatos, houve a necessidade de uma nova eleição para a composição da Mesa Executiva que iria dirigir os trabalhos legislativos para o biênio 1981/1982 – mais uma vez então, foi eleito para presidi-la.
Em 1982, ao aproximar-se do término do seu quinto mandato, decidiu-se que não disputaria as eleições que seriam realizadas no dia 15 de novembro. Após mais de duas décadas no exercício da vereança, quando ocupou a presidência da Casa por cinco vezes, despediu-se da política sem jamais ter conhecido derrota ou ter se envolvido em qualquer situação que pudesse diminuir sua credibilidade diante da opinião pública. Através de proposição sua, em 1981, que as datas 29 de janeiro – aniversário de Piraquara – e 06 de agosto – dia do padroeiro Senhor Bom Jesus dos Passos – se tornaram feriados municipais. Foi um orador eloqüente e um político respeitado até pelos seus opositores.
A partir do ano de 1983, estando afastado das obrigações políticas, afastou-se também da presidência do Rotary, a qual ocupara desde a sua fundação, transmitindo-a para o Sr. João Teixeira Nogueira.
No ano seguinte, no dia 10 de setembro, com grande satisfação participou da solenidade de instalação da Comarca de Piraquara, a qual foi conseguida através de intensa campanha daquele Clube de Serviços, quando estava sob sua responsabilidade.
Em 1985, em razão da aposentadoria, despediu-se das suas atividades no Hospital Evangélico e da Universidade Federal do Paraná.
Em 1989, a Câmara Municipal de Piraquara aprovou o seu nome para o recebimento do “Título de Vulto Emérito”, como um justo reconhecimento pela sua importante contribuição visando o bem estar da população, o desenvolvimento local e também como um tributo à sua reconhecida capacidade profissional.
Em 1990, foi a vez de encerrar as suas atividades junto à Faculdade Evangélica, da qual fora um dos fundadores, em 1969. A partir de então, passou a se dedicar exclusivamente às funções como Diretor da Clínica Médico Cirúrgica de Piraquara. E ali também, clinicando e realizando cirurgias.
Não fugindo à regra a que as instituições particulares de saúde que prestam atendimento ao sistema público de saúde, estão sujeitos, a Clínica Médico Cirúrgica de Piraquara, que tivera a partir da sua inauguração e no decorrer da década de 70 – o seu auge – a partir dos anos 80, entrou num processo de sucateamento, provocado pelo achatamento nos valores repassados pelo Governo aos procedimentos ali executados, e isso agravado também pela extrema burocracia que envolve o credenciamento das instituições hospitalares.
A conseqüência desses problemas, fez com que, aquela instituição hospitalar, entrasse em franca decadência. Ocorrendo a desativação de uma considerável área da sua estrutura física. Chegando nos últimos anos de seu funcionamento, a ocupar aproximadamente, apenas 20% da área construída total. Parte da área construída inicialmente, que se constituiu na primeira fase do Hospital, por um curto período de tempo, foi utilizada pela Secretaria Municipal de Saúde de Piraquara, que instalou ali o CESP-Centro de Especialidades em Saúde Herta Alídia Milbratz (homenagem a uma antiga funcionária do Hospital).
Nos seus últimos anos de funcionamento agonizante da Clínica Médico Cirúrgica de Piraquara, dos 150 leitos outrora disponíveis, passou a se ocupar de uma capacidade instalada de apenas 30% daquele total. E depender consideravelmente do subsídio repassado pelo Município. Resistindo assim, até a cessação dos repasses desse recurso, ocorrida em meados do ano de 2014. Quando enfim, em dezembro daquele ano, 50 anos depois de sua inauguração, a Clínica Médico Cirúrgica de Piraquara, encerrou as suas atividades e fechou definitivamente as suas portas.
Quatro anos depois deste fato, no dia 18 de dezembro de 2018, o Dr. Rached Saliba Smaka, faleceu, aos 92 anos de idade.
Em sua homenagem, em reconhecimento às décadas de atuação na Medicina, através da Lei Municipal nº 2048/2020, o Centro de Especialidades de Piraquara, recebeu o seu nome.

Texto: Renato Cardoso dos Santos

ARCIDES SCHANE - *1924 - +2012Funcionário Público EstadualVereador: 1956-1959; 1963-1967Presidente da Câmara Municipal d...
22/02/2024

ARCIDES SCHANE - *1924 - +2012

Funcionário Público Estadual
Vereador: 1956-1959; 1963-1967
Presidente da Câmara Municipal de Piraquara: 1964 e 1965

Arcides Schane nasceu em Piraquara no dia 03 de julho de 1924. Era filho do casal Amélia Wandembruck e Francisco Schane. Teve mais seis irmãos: três homens e três mulheres.
Em sua infância e juventude, vivenciou a realidade bucólica da Piraquara dos anos 30 e 40. Resumindo-se a sua vida nos anos de estudos no Grupo Escolar Manoel Eufrásio, os afazeres domésticos na chácara paterna e os compromissos religiosos. Estes últimos, aliás, sempre foram levados muito a sério e o influenciaram poderosamente durante toda a sua vida.
Na sua vida profissional, atuou por curto período na venda de cachorros-quentes e também nas Indústrias Kowalczuk. Mais especificamente, como motorista, na comercialização e entrega de café.
Mas, ao iniciar-se profissionalmente na função de inspetor de alunos, no Ginásio Romário Martins, nela seguiria através de muitos anos, até a sua aposentadoria.
Sua intensa participação nas atividades religiosas em Piraquara, o levaram a presidir por anos a Congregação Mariana. Sendo que durante a sua gestão, foi viabilizada a construção da sede própria daquela instituição.
No campo político local, no ano de 1951, Arcides Schane disputou as eleições municipais para uma das vagas ao cargo de vereador, pela UDN. No entanto não foi eleito. No ano de 1955, meses antes da realização de novas eleições municipais, sendo ele suplente de vereador, assumiu o cargo, ocupando a vaga deixada pelo vereador Lírio Jacomel, que se afastara para disputar o cargo de prefeito municipal. Nestas mesmas eleições, concorrendo pela UDN, Arcides Schane foi eleito vereador, ao obter 133 votos. Ao final do ano de 1955, casou-se com a professora Elvira Simião. Dessa união nasceriam quatro filhos
Durante o quatriênio 1955-1959, como vereador, compôs a mesa executiva da Câmara Municipal, ocupando a primeira secretaria nos anos de 1957, 1958 e 1959. E ao término do seu mandato, não se candidatou à reeleição nas eleições municipais ocorridas no ano de 1959. No início do ano de 1961, foi nomeado pelo Governo do Estado do Paraná, para exercer a função de Juiz de Paz. Seu grande anseio era o de ser prefeito municipal. Chegou a iniciar a articulação da sonhada candidatura para ser levada a efeito no ano de 1963. Mas com o passar do tempo, tal possibilidade acabou se desintegrando, e ele acabou por se candidatar mais uma vez para uma cadeira na Câmara Municipal. Disputando mais uma vez pela UDN, foi eleito, nas eleições realizadas no dia 15 de novembro de 1963. Sendo terceiro candidato mais votado e recebendo 237 votos. Dias depois – em 01 de dezembro, ao tomar posse de seu mandato, foi eleito para presidir a Casa de Leis para o ano de 1964. Tendo ao seu lado os vereadores Arvelino Franco de Oliveira e Álvaro Mühlenhoff, como primeiro e segundo secretários, respectivamente. Sob a sua presidência, a Câmara Municipal dando cumprimento à lei que criou o cargo de vice-prefeito, elegeu dentre os legisladores, o vereador Heinrich de Souza. E empossando em seu lugar, o suplente Amilton da Silva Paula. Foi também o responsável por conduzir as sessões que culminaram com a cassação do mandato do vereador major Joaquim Pires Cerveira, e que deu posse ao suplente Osmário Gaio. No início dos trabalhos legislativos no ano de 1965, Arcides Schane foi reconduzido na presidência da Câmara Municipal, juntamente com Arvelino Franco de Oliveira e Álvaro Mühlenhoff nas mesmas funções do ano anterior. Foi grande entusiasta de que a poesia e a música, compostas pelos professores João Rodrigues de Oliveira e Aldo Ademar Hasse, respectivamente, se tornasse no Hino de Piraquara. Cuja execução pública ocorreu pela primeira vez durante as comemorações do Dia da Independência do Brasil, em 1965. O decorrer do quinquênio (1964-1968) que durou aquela legislatura foi marcado por muitas dissensões entre os vereadores e diversos momentos polêmicos. Sejam por questões ideológicas, sejam por rixas pessoais, que iam desde bate-bocas, até vias de fato e ameaças de morte. Sendo também marcada por diversas substituições entre os vereadores titulares e os suplentes imediatos. Havendo renúncias (Heinrich de Souza, para assumir como vice-prefeito, e João Leopoldo Jacomel, que, suplente de deputado estadual, assumiu por curto período e foi depois eleito em 1966); pedido de licença (Dr. Rached Saliba Smaka), falecimentos (Amilton da Silva Paula e Sílvio Ferreira de Moraes) e cassação (major Joaquim Pires Cerveira).
Diante deste cenário, ao encerrar o ano de 1965, também o segundo mandato do vereador Arcides Schane à frente da presidência da Câmara Municipal de Piraquara chegou ao seu término. O difícil relacionamento entre os dois grupos que havia naquela instituição tornara-se totalmente improvável a intenção de uma possível permanência sua na liderança da Casa. Ainda mais pelo fato do grupo adversário estar aliado aos irmãos Jacomel (então prefeito municipal e deputado estadual). Coincidindo com aquela difícil convivência entre os dois grupos, por essa época, Arcides Schane, que era funcionário público estadual, foi surpreendido com sua transferência para trabalhar no município de Guaratuba. Por se caracterizar como uma atitude unilateral, ele procurou contestá-la. E através de seus relacionamentos políticos a nível estadual, não tendo conseguido revogar tal determinação, conseguiu ao menos que sua transferência fosse então cumprida no município de Curitiba. Assim, passou a prestar serviços e também residir, no Ginásio Hildebrando de Araújo. Ali servindo até se aposentar. Diante da sua nova realidade de trabalho e das dificuldades para locomoção desde Curitiba até Piraquara, para participar das sessões, ele solicitou a princípio uma licença de 30 dias. Mas em verdade, não mais a renovou e também não retornou às atividades legislativas. Sendo que, no dia 12 de agosto de 1967, Arcides Schane teve o seu mandato extinto como vereador em Piraquara. Sendo, em 19 de agosto, empossado em seu lugar, o suplente João Wilson da Costa Lima. Assim se encerraria a sua participação na história política no município de Piraquara. Anos mais tarde, ainda que de forma indireta, Arcides Schane, voltaria à cena política. Durante a campanha eleitoral para as eleições municipais de 1976, sua filha Iara, com apenas 19 anos de idade, se lançaria como candidata para prefeita de Piraquara, disputando numa das sublegendas do MDB. Tendo como candidata a vice-prefeita, a também jovem Zeuguema Vieira, com 22 anos de idade. Filha do ex-vereador e ex-prefeito Zacarias Vieira. Diante de candidatos muito mais experientes, a dupla de moças não teve a menor oportunidade de vitória. Mas pelo ineditismo da iniciativa, num tempo e cenário dominado pela presença masculina, tal ousadia marcou a história política local.
No dia 29 de março de 2011, faleceu sua esposa Elvira. E, pouco mais de um ano depois, no dia 05 de setembro de 2012, Arcides Schane também veio a falecer; aos 88 anos de idade, em Curitiba. Tendo, no dia seguinte, seu corpo velado no plenário da Câmara Municipal de Piraquara e sepultado no Cemitério Bom Jesus.

Pesquisa e texto: RENATO CARDOSO DOS SANTOS

CHAFI BOAZAR - *1906 - +1974ComercianteVereador: 1955-1959; 1959-1963Presidente da Câmara Municipal de Piraquara em 1957...
22/02/2024

CHAFI BOAZAR - *1906 - +1974

Comerciante
Vereador: 1955-1959; 1959-1963
Presidente da Câmara Municipal de Piraquara em 1957

De origem sírio-libanesa, era filho do casal João Antonio Boazar e Carmen Antonio Gebran, e sobrinho do comerciante Felippe Antonio – que exerceu por um curto período o cargo de prefeito municipal de Piraquara, no ano de 1933.
Chafi Boazar nasceu na cidade de Paranaguá no dia 20 de fevereiro de 1906. Naquela cidade passou sua infância e adolescência. Casou-se com Ana Santos Boazar, com quem teve duas filhas: Carmen e Clara.
No ano de 1941, a família se transferiu para Piraquara. Nesta cidade, Chafi Boazar passou a atuar no comércio, em sociedade com a Srª Ana Riechi. Dentre suas atividades, destacava-se o envio de frutas e verduras para a cidade de Paranaguá através do trem, sendo que de lá, recebia peixes e demais frutos do mar, os quais eram comercializados em Piraquara.
Expandindo as suas atividades como negociante, passou também a intermediar o envio de pedras para Paranaguá.
Participante freqüente nos eventos sociais e políticos de Piraquara, presidiu o Clube União Piraquarense, no início dos anos 60. Elegeu-se vereador pelo Partido Social Democrático – PSD – nas eleições municipais de 1955, tendo obtido 162 votos. Como vereador, foi autor da proposição que denominou uma rua central de Piraquara, como homenagem ao falecido prefeito de Paranaguá – o Dr. Roque Vernalha. Durante o ano de 1957, ocupou o cargo de Presidente da Câmara Municipal.
Reelegeu-se para o cargo de vereador nas eleições municipais do ano de 1959. Neste pleito, concorreu pela coligação UDN/PSD – a qual elegeu para Prefeito Municipal de Piraquara, Felipe Zeni e seis dos nove vereadores. Obteve 110 votos. Durante este seu segundo mandato, compôs a mesa executiva da Casa nos anos de 1960 e 1961, na condição de Segundo e de Primeiro Secretário, respectivamente. Ao término do período legislativo, não mais voltou a concorrer para cargos eletivos. No entanto, manteve-se ainda próximo aos acontecimentos relativos à política local.
Faleceu em Piraquara, no dia 17 de abril de 1974, aos 68 anos de idade, sendo sepultado na sua terra natal – Paranaguá. Em homenagem à sua memória, a lei nº 002/74, de 11 de junho de 1974, denominou de Praça Chafi Boazar, o logradouro localizado ao lado da sede da Prefeitura e da Câmara Municipal. (atuais: Casa da Memória e Farmácia Central de Piraquara, respectivamente).

Pesquisa e texto: RENATO CARDOSO DOS SANTOS

AZIZE CORINA CORDEIRO DA SILVA (1919 - 2000)1ª mulher a exercer um cargo eletivo em PiraquaraVereadora 1969 - 1972 Nasce...
21/02/2024

AZIZE CORINA CORDEIRO DA SILVA (1919 - 2000)

1ª mulher a exercer um cargo eletivo em Piraquara
Vereadora 1969 - 1972

Nasceu em Piraquara, no dia 19 de janeiro do ano de 1919. Seus pais eram Francisco Alves Cordeiro e Maria Milk Cordeiro: a "Maria Gringa". Se não a mais conhecida, uma das mais conhecidas parteiras de todos os tempos em Piraquara.
Ainda muito jovem, aos 18 anos de idade, casou-se com Emiliano Gonçalves da Silva. Ele, um já muito conhecido cidadão piraquarense que, proprietário de vastas extensões de terras no município, trabalhava como fornecedor de lenha para a Rede de Viação Paraná-Santa Catarina (RVPSC). Naquela ocasião, Emiliano contava com 43 anos, era viúvo e tinha três filhos.
Com o passar dos anos, naturalmente o casal teve mais três filhos. Corina, como sempre foi chamada por todos os que a conheciam, se dedicou às atribuições domésticas e religiosas por vários anos, como era habitual para as mulheres naquele contexto. O marido, por sua vez, se dedicava ao trabalho que possibilitava a subsistência da família e participava ativamente da política local.
Em meados dos anos 50, estando Moysés Lupion à frente do Governo do Estado do Paraná, Dona Corina foi por ele, nomeada para a presidência da unidade local da Legião Brasileira de Assistência, que estava sediada no Posto de Puericultura Francisco Leal. Em pouco tempo, pelo trabalho desempenhado no atendimento dos menos favorecidos economicamente, acabou por se tornar em uma colaboradora de plena confiança por parte da então primeira-dama do Estado e Presidente Estadual da L.B..A - Srª Hermínia Lupion. Que lhe garantira o livre acesso no âmbito estadual para o que viesse a precisar em prol da maternidade e infância piraquarense.
Por essa época, tiveram extraordinário incremento as festas realizadas no Posto de Puericultura, por ocasião do Natal. Dona Corina então intensificava a sua campanha em favor da arrecadação de brinquedos, a fim de atender à multidão de crianças que a cada ano eram levadas àquele memorável evento.
Incansável no objetivo de prestar um bom atendimento às pessoas que recorriam aos serviços oferecidos pelo Posto de Puericultura conquistou para o município um gabinete odontológico, que ao iniciar as suas atividades, se constituiu no primeiro serviço do gênero a ser oferecido gratuitamente à população de Piraquara.
Foi também através do seu empenho, que se instalou no canteiro central da Avenida Getúlio Vargas, defronte ao Posto de Puericultura e ao Grupo Escolar Manoel Eufrásio, um parquinho infantil composto de vários brinquedos, e que ali permaneceu por uns bons anos.
No início da década de 60, quando as Irmãs Passionistas receberam por doação um terreno localizado na Avenida Getúlio Vargas e comprometeram-se em, ali fundar uma instituição educacional, Dona Corina assumiu a responsabilidade de liderar a comissão feminina que deveria empenhar-se no objetivo de arrecadar fundos em prol da sua construção. Para isso, foi criado um livro-ouro, organizadas festas, almoços e incentivadas as doações voluntárias. O resultado deste trabalho se materializou em toda a sua plenitude dois anos depois, quando em novembro de 1962, em festa, Piraquara inaugurou a Escola Profissional "Maria José". E que atualmente ainda presta serviços à comunidade local.
No ano de 1968, houve a realização de eleições municipais em Piraquara. O Sr. Emiliano Gonçalves da Silva, até então, já havia disputado vários pleitos municipais. Naquele ano, ao estar finalizando o seu terceiro mandato no cargo de vereador, e a esta altura, se configurar no decano dos políticos piraquarenses em atividade - durante uma legislatura extremamente atípica, que sofrera muito com os "respingos" da Revolução de 1964, preferiu então encerrar as suas atividades políticas.
A política piraquarense, por sua vez, e até então, era um reduto dominado unicamente pelos homens. Cabendo às mulheres apenas, se sujeitarem ante as decisões que se tomavam, e a lamentarem, ainda que de si para si, os infortúnios que as intrigas partidárias, ou mesmo pessoais, agravadas pela política, provocavam.
Mas como nada é eterno, coube à Dona Corina dar início à quebra deste paradigma. Se pela influência que o Sr. Emiliano detinha após ter participado da política local durante um longo período; ou se pela confiança e admiração que a própria Dona Corina fez frutificar na população através das suas iniciativas; ou se pelas duas razões, a verdade é que ela não só foi a primeira mulher a se candidatar a um cargo eletivo no município de Piraquara, como acabou por alcançar 399 votos: a segunda maior votação dentre os candidatos ao cargo de vereador, naquelas eleições realizadas no ano de 1968. Ficando atrás, e por pouco mais de vinte votos, do então prefeito licenciado - Lírio Jacomel.
Eleita, exerceu o seu mandato legislativo de forma discreta. Mas sempre defendeu com firmeza as suas convicções e com a dignidade de não se deixar sucumbir ante a "verdade" imposta e seguida pela maioria. Num tempo em que a truculência e o autoritarismo insistiam em imperar em Piraquara .
Após cumprir os quatro anos seguintes no cargo de vereadora, decidiu-se por não disputar a reeleição nas eleições do ano de 1972. Se retirando definitivamente da vida pública, mas deixando eternamente escrito o seu nome na história local, como a pioneira que abriu as portas da política piraquarense para a participação feminina.
No ano de 1994, por ocasião do aniversário de 104 anos da emancipação política de Piraquara, a Câmara Municipal, através da Lei nº 191/94, lhe concedeu o Título de Vulto Emérito, como uma forma de reconhecimento pelos relevantes serviços que prestou ao município. Principalmente pela sua atuação na área assistencial.
Dona Corina faleceu no dia 01 de abril de 2000, aos 81 anos de idade.

Postumamente, ela foi também homenageada, no ano de 2016, através da Lei nº 1555, quando da inauguração do novo Anexo da Câmara Municipal de Piraquara, que recebeu a denominação de “Edifício Azize Corina Cordeiro da Silva”.

Texto: RENATO CARDOSO DOS SANTOS

Endereço

Rua Ezequiel Pinto Sn/Centro
Piraquara, PR
83301630

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