24/10/2020
2020 -A ELEIÇÃO DO 10
(Por Luise Veronez e Clóvis Veronez _ NOCP)
Quem esperava por uma eleição singular em função da pandemia, jamais poderia esperar por tamanha singularidade. Temos presenciado, no Núcleo de Observação do Comportamento Político, um fenômeno que, em função da sonoridade das vozes que auscultamos em nosso trabalho de pesquisas eleitorais, resolvemos denominar como a eleição do “dez”. O número faz alusão as chapas que concorrem à prefeitura (que após muitas reviravoltas tornaram-se 11), porém, não apenas em virtude deste fato: o 10 estampa, sonoramente, a desilusão, a desesperança, o desinteresse, o desconhecimento, o desencanto, o desalento!
O descrédito, percebe-se, logo de saída, no trabalho de campo. Há uma forte tendência à desconfiança, que se repara em expressivo contingente de populares diante da consulta sobre a direção do voto. Muito são os que, ao saber tratar-se de pesquisa política, oferecem resistências na abordagem, mesmo que diante de formulários anônimos e objetivos, que não tomam mais do que dois minutos do cidadão.
Tal dado é inédito em mais de 16 anos em nosso trabalho de pesquisas sobre comportamento político. Noutros tempos, muitas vezes tínhamos que “disparar” de eleitores muito interessados em responder nossos questionários, ainda mais, naquilo que convencionou-se chamar de o “Tempo da Política”, justamente esse no qual nos aproximamos do pleito.
Outro dado que reforça a atmosfera desta estranha paisagem é a ampla e majoritária percepção da população de que a campanha no HGPE (horário gratuito de propaganda eleitoral) se tornou ineficaz, ou tem se mostrado incapaz de influenciar a decisão do eleitor sobre a direção do seu voto. Não há diferença, são todos iguais, diz a maioria das pessoas.
Como dados ilustrativos sobre a paisagem inóspita que verificamos em nosso trabalho de campo apresentamos os seguintes:
1- Mais de 40 % dos eleitores ainda não decidiram seu voto para prefeito
2- Quase 70% ainda não decidiram sua candidatura para vereança.
3- Aos indecisos se somam ainda um percentual inédito de eleitores que apontam o voto e m branco u a vontade de anular seu voto.
Sim estamos diante de processo eleitoral aberto, onde quase tudo pode acontecer e, também, quase tudo haverá de decidir-se numa última onda.