24/08/2021
*COMPOVO EM DEFESA DA VIDA*
*CONDIÇÕES PARA RETOMADA RESPONSÁVEL DAS ATIVIDADES PRESENCIAIS: A PANDEMIA NÃO ACABOU*
O Comitê Popular de Enfrentamento à Pandemia de Pelotas - COMPOVO manifesta preocupação com a chegada da variante Delta no estado e as decisões da Prefeitura de Pelotas que flexibiliza os protocolos de prevenção da covid-19, os quais incluem o retorno presencial das atividades escolares.
É fundamental que o poder público se mantenha atento nesse momento tão singular em que vivemos. Estamos avançando na imunização, porém a baixa cobertura da vacinação completa, o relaxamento do distanciamento e as lacunas no processo de monitoramento/rastreamento dos casos de covid-19 e seus contatos não favorecem o controle da pandemia, especialmente
considerando a possiblidade de disseminação da variante Delta, com sua alta taxa de transmissão.
É incontestável a importância da escola na vida dos estudantes e de seus familiares não somente em relação aos aspectos educacionais, mas também no que diz respeito à segurança e à
organização da rotina dessas famílias. Entretanto, considerando a situação sanitária, o retorno das atividades presenciais deve ser condicionado a medidas que visem proteger a saúde e a vida, tais
como:
• Garantir a participação de toda a comunidade escolar na discussão sobre as condições e as formas mais adequadas para a retomada das atividades presenciais nas escolas;
• Verificar as condições de cada uma das escolas para a retomada das atividades presenciais;
• Para as escolas que necessitem adequações, estabelecer prazo para que elas sejam realizadas de forma a garantir equidade;
• Considerando que será necessário manter o ensino híbrido, proporcionar a todos os professores e estudantes acesso à tecnologia para ministrar/acompanhar as atividades de ensino remotas;
• Seguir rigorosamente os planos de contingência nas escolas, sob pena de fechamento até a sua readequação;
• Manter os protocolos para a abertura das escolas priorizando o distanciamento de 1,5m, máscaras de qualidade para todos os trabalhadores da educação e estudantes, ventilação adequada nos ambientes e vacinação de toda a comunidade escolar com 12 anos ou mais o mais rápido possível;
• Realizar a vigilância à saúde nas escolas, com detecção e isolamento de casos suspeitos e amplo rastreamento e testagem de contatos;
• Dar transparência à situação epidemiológica das escolas, com ampla divulgação do número de casos e surtos na comunidade escolar, bem como de estatísticas referentes à suspensão de turmas.
• Criar uma instância de controle social específica para avaliar e acompanhar o cumprimento destas medidas.
Atualmente o município está em situação de transmissão substancial com 70 casos novos por semana a cada 100.000 habitantes. Cabe ressaltar que a manutenção das atividades presenciais nas escolas depende da manutenção da epidemia no município em situação de igual ou menor transmissão do que a atual. Considerando o risco de disseminação da variante Delta, é fundamental que se insista na adesão ao uso de máscaras em todos os ambientes e por todas as pessoas, mesmo as que foram vacinadas ou que já tiveram a doença; que se evite aglomerações e seja limitado o número de pessoas em espaços confinados; e que se amplie fortemente a vigilância epidemiológica da covid-19, especialmente o rastreamento de contatos e a testagem em tempo
oportuno. Além disso, é preciso uma articulação com os serviços de atenção primária à saúde para vacinar idosos acima de 70 anos, visto que neste grupo ainda há entre 10 e 24% sem vacinação
completa e 24% para o grupo de 80 anos ou mais. Ainda sobre a vacinação, vale salientar a importância da segunda dose dos profissionais de educação que está prevista para o período entre
28 de agosto e 09 de setembro, alcançando efeito imunológico esperado a partir de 23 de setembro.
O retorno das aulas presenciais é de interesse e preocupação de toda população Pelotense, pois impacta diretamente no aumento da circulação de pessoas no transporte público, espaço suscetível
à proliferação do vírus. Além do mais, a circulação transpõe o trajeto casa/escola, aumentando significativamente a circulação em comércios para aquisição de bens necessários a essa mudança de rotina.
Por fim, o enfrentamento da pandemia em Pelotas nunca teve o caráter popular que o COMPOVO apontou. Persistiu, de março de 2020 até aqui, fechando escolas sem oferecer ensino remoto
acessível para todos e abrindo bares, restaurantes e academias; sem contratar nenhum assistente social a mais, sem ampliar as equipes Maria da Penha, o número de médicos nas equipes de saúde da família e sem testagem em massa e apoio para garantir isolamento de todos os positivos.
Dado o exposto, diante do risco de mais mortes evitáveis, reivindicamos que todas essas condições sejam atendidas e os protocolos respeitados.