27/11/2025
Alguns dos dirigentes do PCdoB Paulínia foram procurados por lideranças da população que apresentaram uma insatisfação ponderada e madura com a forma como os Conselhos da Cidade vêm produzindo baixa representatividade das pessoas comuns dentro dos espaços coletivos e colegiados junto à Prefeitura e às respectivas Secretarias.
Os conselhos municipais existem para garantir participação popular e controle social das políticas públicas. Não foram criados para funcionar como extensão do gabinete do prefeito, nem como instrumento de propaganda do governo de turno. São espaços institucionais de democracia, que deveriam expressar a pluralidade da cidade, o conflito de ideias, a cobrança por transparência e resultados.
Em Paulínia, no entanto, temos assistido a um movimento preocupante: diversos conselhos da cidade vão sendo ocupados, na prática, como vitrines políticas para o prefeito Danilo Barros. Reuniões e agendas que deveriam servir para debater problemas concretos das políticas públicas acabam transformadas em cenas de exaltação pessoal, discursos ensaiados e produção de imagens para redes sociais, sempre com o foco na figura do governante, e não nos direitos da população.
O Conselho Municipal de Saúde é um exemplo emblemático desse processo. Presidido hoje por um representante dos usuários, deveria ser justamente um dos espaços de maior independência em relação ao Executivo, com capacidade de questionar prioridades, pressionar por melhorias nos serviços e exigir transparência no uso dos recursos. Em vez disso, o que se observa é uma aproximação excessiva entre a direção do Conselho e a narrativa oficial da Prefeitura, reproduzida em redes sociais e falas públicas.
Não se trata de negar que conselheiros tenham posição política ou opinião sobre a gestão. Isso é legítimo. Mas, quando a atuação pública se aproxima demais da lógica de marketing – com elogios reiterados ao prefeito, personalização de obras e serviços e silenciamento sistemático dos conflitos e problemas – o Conselho de Saúde vai perdendo sua alma de controle social e se aproximando do padrão já visto em outros conselhos do município: mais aplauso do que fiscalização, mais foto do que denúncia, mais alinhamento automático do que debate democrático.
Esse padrão é grave porque esvazia a própria ideia de participação popular. Em vez de conselhos fortes, plurais e críticos, a cidade passa a ter estruturas formais que funcionam como “carimbo” de legitimidade para decisões já tomadas no Executivo. O discurso da participação aparece, mas o conteúdo é controlado. Fala-se em diálogo, mas se evita o confronto necessário com a realidade: filas, desigualdades, falta de acesso, prioridades controversas, uso dos recursos públicos.
No caso da saúde, isso é ainda mais sensível. O que se espera do Conselho Municipal de Saúde é que suas lideranças usem sua visibilidade para fortalecer a voz dos usuários e trabalhadores, divulgar resoluções e deliberações do colegiado, e não apenas agendas com o prefeito; abrir espaço para críticas e demandas da população, e não apenas reproduzir a narrativa de sucesso da gestão. Quando as redes sociais ligadas à presidência do Conselho se limitam a ecoar o discurso oficial, o sinal que chega à cidade é: o conselho está alinhado ao prefeito, não necessariamente ao conjunto da população usuária do SUS.
O PCdoB Paulínia entende que é preciso romper esse ciclo de captura política dos conselhos municipais. Isso significa defender:
Conselhos com autonomia real, capazes de reconhecer avanços, mas também de enfrentar o governo quando for preciso;
Uma cultura de participação que não confunda apoio crítico com seguidismo automático;
A separação nítida entre a comunicação institucional do controle social e a comunicação de governo;
A valorização das vozes divergentes dentro dos conselhos, sem intimidação simbólica nem uso das redes como instrumento de desqualificação de quem pensa diferente.
Nosso compromisso é com conselhos municipais que pertençam à cidade, não ao marketing de qualquer gestor. Em especial na saúde, onde o SUS é direito do povo e dever do Estado, o controle social precisa estar a serviço dos usuários e dos trabalhadores, e não subordinado às conveniências políticas do prefeito de plantão.
Paulínia merece conselhos vivos, críticos e independentes – capazes de dizer “sim” quando o governo acerta, e “não” quando o governo erra. Tudo o que ficar abaixo disso é maquiagem de participação. E é justamente contra essa maquiagem que o PCdoB Paulínia se posiciona: em defesa da democracia real, do SUS público e da participação popular de verdade.