24/02/2026
No dia 3 de agosto de 2024, a cidade de Passos/MG foi atravessada por uma dor profunda. No bairro Jardim Canadá, a vida de *Lidiane Aparecida dos Reis*, de 30 anos, foi interrompida de forma violenta. Seu corpo foi encontrado e identificado no dia 7. Mãe de quatro filhos, Lidiane deixou um legado de afeto, cuidado e presença que permanece viva na memória de quem a ama.
As investigações conduzidas pela Polícia Civil de Minas Gerais apontaram que o crime teria ocorrido na noite do dia 3 de agosto. O acusado, seu ex-companheiro, foi indiciado por homicídio qualificado por motivo torpe e com recurso que impossibilitou a defesa da vítima, além de furto, fraude processual e ocultação de cadáver. Após o crime, ele teria utilizado o celular de Lidiane para enviar mensagens à família, tentando sustentar a falsa ideia de que ela ainda estava viva.
Com o avanço das investigações, o aparelho foi localizado em Campinas/SP, e o suspeito foi preso no dia 9 de agosto. Ele permanece detido e será julgado no dia *25 de fevereiro de 2026, às 8h, no Fórum da Comarca de Passos*. A família aguarda que a Justiça seja firme e que a memória de Lidiane seja honrada com a devida responsabilização.
Mas a história de Lidiane não é um caso isolado. Ela ecoa uma realidade que ainda fere o Brasil. Em 2024, o país registrou cerca de *1.450 a 1.492 feminicídios*, o maior número da última década. Em 2025, os dados indicam a continuidade desse aumento, com aproximadamente 1.470 casos já contabilizados no início do ano. Desde 2015, os registros cresceram de forma alarmante.
Mais de 60% das vítimas são mulheres negras, muitas entre 18 e 44 anos. A maioria dos crimes ocorre dentro de casa, espaço que deveria ser abrigo e, em 97% dos casos, o agressor é companheiro ou ex-companheiro. O feminicídio é crime hediondo no Brasil e, com a alteração trazida pela Lei 14.994/2024, a pena passou a ser de 20 a 40 anos de prisão, a mais alta prevista no Código Penal para esse tipo de crime.
Falar de números é necessário, mas falar de nomes é urgente. Lidiane não é estatística. É filha, mãe, amiga. É riso guardado em fotografias. É abraço que ainda mora na lembrança dos filhos. É história interrompida, mas não apagada.
No dia 25 de fevereiro de 2026, às 8h, estaremos em frente ao Fórum da Comarca de Passos, de forma respeitosa, solidária e firme, demonstrando apoio à família de Lidiane e reafirmando que a violência contra a mulher não pode ser naturalizada.
Que sua memória floresça como resistência.
Que sua ausência nos convoque à presença ativa na defesa da vida das mulheres.
Que a comunidade se una em apoio à família, em respeito à sua dor e em compromisso com a justiça.
Porque enquanto houver memória, haverá luta.
E enquanto houver luta, haverá esperança.
*Lidiane Aparecida dos Reis, presente.*