Museu Virtual da Família Fialho

Museu Virtual da Família Fialho Este museu foi criado com o objetivo de mostrar fotografias, textos, obras de arte, objetos antigos, fatos históricos e pessoas da Família FIALHO.

Em 1939, o jornal Gazeta de Alagoas, noticiou o enlace matrimonial do casal Lectícia de Aragão com ANTÔNIO ACCIOLY BASTO...
21/02/2026

Em 1939, o jornal Gazeta de Alagoas, noticiou o enlace matrimonial do casal Lectícia de Aragão com ANTÔNIO ACCIOLY BASTOS. Ela era filha da VIÚVA FRANCISCO FIALHO.

Nesta mesma edição, o jornal Gazeta de Alagoas noticiou o casamento de Arnon de Mello com Lêda Collor, realizado em Lisboa - Portugal.

Francisco Gonçalves Fialho, conhecido como Francisco Fialho. Foi um próspero comerciante em Maceió. Sua casa de comércio...
21/02/2026

Francisco Gonçalves Fialho, conhecido como Francisco Fialho. Foi um próspero comerciante em Maceió. Sua casa de comércio funcionava no bairro Jaraguá. Seguidor da doutrina espírita (Kardecista), exercitava a caridade e visitava pessoas enfermas em hospitais e hospícios, na capital alagoana. Antes de mudar-se para Maceió, ele morava na cidade de Penedo (AL). O Centro Espírita Francisco Fialho, localizado na Rua Formosa, em Maceió, recebeu este nome em sua homenagem.

José Fialho de Mello, filho de Maria Amélia Fialho de Mello (Maroca Fialho) e João Gomes de Carvalho Mello (João Mouco)....
21/02/2026

José Fialho de Mello, filho de Maria Amélia Fialho de Mello (Maroca Fialho) e João Gomes de Carvalho Mello (João Mouco). Nasceu em Pão de Açúcar, Alagoas. Morou e faleceu no Río de Janeiro.

Em 1935, o jornal Gazeta de Alagoas publicou esta nota social, na qual noticia o noivado da jovem Lectícia Fialho com o ...
21/02/2026

Em 1935, o jornal Gazeta de Alagoas publicou esta nota social, na qual noticia o noivado da jovem Lectícia Fialho com o jovem Antônio Accioly Bastos, em Maceió. Lectícia Fialho era filha do comerciante Francisco Fialho.

Em 1950, o jornal Gazeta de Alagoas publicou esta nota sobre o falecimento da senhora Virginia Gusmão, fundadora do Cent...
21/02/2026

Em 1950, o jornal Gazeta de Alagoas publicou esta nota sobre o falecimento da senhora Virginia Gusmão, fundadora do Centro Espírita Francisco Fialho, em Maceió. Ela era amiga do comerciante Francisco Gonçalves Fialho.

Em 1935, o farmacêutico Durval Fialho de Mello sofreu um gravíssimo acidente, no qual sofreu traumatismo craniano. O mes...
21/02/2026

Em 1935, o farmacêutico Durval Fialho de Mello sofreu um gravíssimo acidente, no qual sofreu traumatismo craniano. O mesmo foi socorrido e encaminhado para um hospital de Garanhuns (PE). Matéria publicada pelo jornal Gazeta de Alagoas.

Nota de Falecimento da esposa do comerciante alagoano Francisco Gonçalves Fialho, divulgada pela  Gazeta de Alagoas, em ...
21/02/2026

Nota de Falecimento da esposa do comerciante alagoano Francisco Gonçalves Fialho, divulgada pela Gazeta de Alagoas, em 1939.

DR. FRANCISCO FIALHO E SUA MISSÃO DE SALVAR VIDASEle nasceu em 10 de setembro de 1918, na cidade do Rio de Janeiro, filh...
21/02/2026

DR. FRANCISCO FIALHO E SUA MISSÃO DE SALVAR VIDAS

Ele nasceu em 10 de setembro de 1918, na cidade do Rio de Janeiro, filho do Acadêmico e Professor Amadeu da Silva Fialho.

Formou-se, em 1941, pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ingressou no Instituto Nacional do Câncer (Inca) como Assistente do Serviço Nacional de Câncer, entre 1942 e 1947. Na mesma instituição, foi chefe da Seção de Anatomia Patológica (de 1947 a 1971) e, em 1963, foi nomeado diretor.

Francisco Fialho foi Professor Catedrático de Anatomia e Fisiologia Patológica da Fundação Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, Livre-docente de Anatomia e Fisiologia Patológica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Diretor do Hospital Universitário Gaffré Guinle, Chefe do Departamento de Patologia de Apoio Clínico da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e Decano do Centro de Ciências Biológicas e Saúde da (UNIRIO).

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina em 1962, apresenando a memória intitulada “Fibroadenoma gigante da mama (cisto-sarcoma phylloides)”, e transferido para a classe de Eméritos em 1996.

Foi membro de várias instituições, entre as quais, do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, da Ordem Nacional de Mérito Médico, da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Patologia. Presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia e membro emérito da Academia Nacional de Medicina.

Faleceu no dia 29 de agosto de 2010.

*Foto: Reprodução/ https://www.anm.org.br/francisco-fialho/
**Texto extraído da Academia Nacional de Medicina - https://www.anm.org.br/francisco-fialho/

A atividade empresarial de Antônio Fialho de Vargas na colonizaçãoprivada do Vale do Taquari (século XIX)1Júlia Leite Gr...
20/02/2026

A atividade empresarial de Antônio Fialho de Vargas na colonização
privada do Vale do Taquari (século XIX)1

Júlia Leite Gregory

Introdução

Entre o início do século XIX e as primeiras décadas do XX, esti- ma-se que a América recebeu entre 42 e 60 milhões de imigran- tes europeus (Lanza; Lamounier, 2015). Esse processo provocou
diversas transformações no território americano, tanto em termos es- paciais como sociais e econômicos. No Brasil, a imigração foi entendida como solução para resolver questões que impediam o Império de ser mo- derno e capitalista, como a Europa. O latifúndio, a escravidão (que es- tava com os dias contados), a baixa produção de alimentos para abaste- cer a população e o despovoamento de algumas regiões eram problemas sempre presentes nas discussões parlamentares ao longo do oitocentos (Zarth, 2002). Embora sofresse críticas, o projeto de imigração e coloni- zação de europeus foi representado como processo civilizatório e uma forma mais racional de ocupação das terras devolutas. O pressuposto de

1 O presente texto é uma versão adaptada do artigo originalmente publicado sob o título “Uma história de fracasso ou sucesso? A participação de Antônio Fialho de Vargas e sua empresa no processo de colonização privada (Vale do Taquari/RS, segunda metade do século XIX).”


superioridade branca estava implícito no plano, ainda que fosse menos evidente nas leis e decretos relativos ao assunto (Seyferth, 2002).
Na província de São Pedro do Rio Grande do Sul, extremo sul do Brasil, os imigrantes se estabeleceram a partir de 1824, sendo que a maioria foi instalada em pequenos lotes coloniais voltados à agricultu- ra desenvolvida com mão de obra familiar. Os lugares para os quais os grupos eram encaminhados foram chamados de colônias, que podiam ser administradas tanto pela iniciativa pública como privada. De acordo com o aumento demográfico das colônias, estas se expandiam para territó- rios adjacentes ou as famílias se dirigiam para outros núcleos, menos populosos, que possibilitavam a compra de lotes maiores. O aumento da demanda por terra fez crescer o número de empresas privadas interes- sadas em investir no negócio da colonização, ainda mais em um período de valorização fundiária como foi o século XIX. Mas como ocorriam os empreendimentos coloniais? Por que empresários decidiam aplicar ca- pital nesta atividade? Era um bom negócio? Quem eram os negociantes atraídos por este tipo de investimento?
Estas perguntas podem gerar múltiplas respostas, dependendo dos lugares e sujeitos aos quais forem direcionadas, no entanto, quando a escala de análise é reduzida, é possível visualizar aspectos do proces- so geral que não poderiam ser detectados em uma escala mais ampla (Levi, 2016). As pesquisas sobre a colonização privada no Rio Grande do Sul oitocentista começaram a aparecer mais recentemente2, demons- trando que
[...] cada colônia particular é um micro espaço complexo e singular, resultado de uma negociação entre o(s) seu(s) proprietário(s)/idealizador(es), os colonos, os lavradores nacionais, os proprietários adjacentes, o poder público, e das contingências macro-históricas (Neumann, 2009, p. 575, grifo original).

2 Alguns exemplos são: Gregory (2019), Bosenbecker (2011), Neumann (2009), Martirén (2017),
Schaeffer (2020).


Antes do surgimento dessas pesquisas, tínhamos poucas informações sobre os núcleos coloniais privados3, que geralmente eram descritos de maneira homogênea, como negócios lucrativos a priori. Não se levava em consideração quem eram os empresários, como estavam constituídas suas redes de relações e quais eram as estratégias econômicas empregadas.
Sendo assim, o objetivo do presente texto é explorar o universo da colonização particular desenvolvida na província do Rio Grande do Sul a partir da análise da trajetória de Antônio Fialho de Vargas, gerente da empresa Batista Fialho & Cia. Esta funcionou durante apenas oito anos, tendo como principais realizações a fundação da Colônia Conventos em 1855, no município de Taquari, e o financiamento do deslocamento de fa- mílias de origem germânica da Europa até o estabelecimento na colônia mencionada. Contudo, Fialho de Vargas ficou envolvido no comércio de lotes de terras para imigrantes e descendentes durante quarenta anos.

Antecedentes
Antônio Fialho de Vargas nasceu em 1818, na Freguesia de Nossa Senhora da Aldeia dos Anjos4, município de Porto Alegre, e faleceu em 1895, na cidade de Taquari5. Seu pai, Manoel, era imigrante açoriano, da Ilha do Faial, assim como os avós paternos e maternos. A mãe, Maria Inácia, já nasceu no Brasil. Antônio teve oito irmãos6, os quais exerceram diversas profissões e residiram em lugares diferentes, como Porto Ale-

3 O baixo número de pesquisas sobre colônias privadas provavelmente está relacionado ao fato de que é mais difícil encontrar informações sobre elas nas fontes. As colônias públicas, adminis- tradas pelo Império ou província, produziram uma maior quantidade de documentos e também de uma maneira mais regular, tendo em vista que os governos procuravam estar atentos ao que ocorria nos espaços coloniais e aos rendimentos de cada um. Além disso, a documentação gera- da pelos administradores públicos tinha mais probabilidade de ficar armazenada nos arquivos centralizados, uma vez que a salvaguarda dos documentos produzidos por empresas privadas ficava à mercê do interesse dos indivíduos vinculados a estas.
4 Livro de Batismos nº 4 (1811-1823). Gravataí, Freguesia Nossa Senhora dos Anjos, Comarca de Porto Alegre, p. 171.
5 Livro de Óbitos nº 6. Taquary, Paróquia São José de Taquary, p. 37v.
6 Inventário post-mortem. 1866. Inventariado: Manoel Fialho de Vargas. Acervo do Poder Judi- ciário, Comarca de Porto Alegre, Cartório de Órfãos e Ausentes, nº 330. Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (APERS).


gre, São Leopoldo, Vacaria e Taquari. Os familiares mantinham relações nos negócios, sendo Antônio sócio de seu irmão, Manoel Filho, na empre- sa de colonização Batista Fialho & Cia.
Manoel Fialho de Vargas Filho (1825-1863)7 residia no centro de Porto Alegre, em uma das ruas mais ativas da capital, a Rua da Igreja, e a leitura de seu inventário permite visualizar o envolvimento em uma variedade de investimentos, como terras urbanas e rurais, localizadas em diferentes locais, ações e atividades empresariais em geral que lhe permitiram acumular uma fortuna estimada em 15 mil libras8. Analisar os negócios de Manoel é fundamental para entender algumas caracterís- ticas da sociedade que ele viria a firmar com o irmão Antônio, em 1855.
Antes de criar a empresa de colonização, uma das principais ativi- dades de Manoel era a arrematação de licitações para a construção de obras públicas em Porto Alegre e áreas próximas, como indica a docu- mentação9. Nesse ramo, atuava em conjunto com o padrinho, João Ba- tista Soares da Silveira e Souza, na empresa chamada Batista & Fialho. Esta foi responsável pela construção do Teatro São Pedro, da Casa de Correção, da Sociedade Bailante, do prédio da Assembleia Provincial, da ponte do Riacho (ponte de pedra sobre o Arroio Dilúvio, no Largo dos Aço- rianos), da abertura da Doca (possivelmente um porto no Lago Guaíba)

7 Livro de Batismos nº 5 (1823-1832). Gravataí, Freguesia Nossa Senhora dos Anjos, Comarca de Porto Alegre, p. 50v.
8 Inventário post-mortem. 1875. Inventariado: Manoel Fialho de Vargas Filho. Acervo do Poder Judiciário, Comarca de Porto Alegre, Cartório de Órfãos e Ausentes, nº 289. APERS.
9 Processo judicial de embargo. 1862. Suplicantes: Manoel Fialho de Vargas Filho e João Bap- tista Soares da Silveira e Souza. Suplicada: Associação Theatral Rio Grandense. Acervo do Poder Judiciário, Comarca de Porto Alegre, nº 2829, m. 116, e. 1. APERS. BELLO, Luiz Alves Leite de Oliveira. Relatorio do vice-presidente da província de S. Pedro do Rio Grande do Sul, Luiz Alves Leite de Oliveira Bello, na abertura da Assembléa Legislativa Provincial. 1º de ou- tubro de 1852. Porto Alegre, Typ. Do Mercantil, p. 25. Disponível em: . Acesso em: 02/01/2019. BUENO, José Antonio Pimenta. Relatório do presidente da província de S. Pedro do Rio Grande do Sul, o conselheiro José Antonio Pimenta Bueno, na abertura da Assembléa Legislativa Provincial no 1º de outubro de 1850; acompanhado do orçamento da receita e despeza para o anno de 1851. 1850. Porto Alegre: Typographia de F. Pomatelli, p. 38. Disponível em: . Acesso em: 02/01/2019. MURITIBA, Barão de. Relatorio do presidente da província de S. Pedro do Rio Grande do Sul, barão de Muritiba, na abertura da Assembléa Legislativa Provincial. 1º de outubro de 1855. Porto Alegre, Typ. Do Mercantil,
p. 26. Disponível em: . Acesso em: 02/01/2019.


e do aterro do Mercado Público, em Porto Alegre; duas pontes e a Igreja Matriz da freguesia de Nossa Senhora da Aldeia dos Anjos; uma ponte no município de Santo Antônio da Patrulha; uma estrada na serra do Mundo Novo (atual município de Taquara) (Duarte, 2002).
João Batista era padrinho de Manoel e havia emigrado dos Açores, da Ilha de São Jorge, quando tinha doze anos, em 1813 (Duarte, 2002). Também residia na Aldeia dos Anjos, sendo vizinho e amigo da família Fialho de Vargas10. O afilhado seguiu a profissão do padrinho, tendo em vista a participação de João Batista na construção de obras públicas des- de a década de 1840.
Manoel e João Batista, além de possuírem parentesco espiritual e de serem sócios na empresa Batista & Fialho, tiveram cargos políticos. Este foi vereador em Porto Alegre (1853-1856), Juiz de Paz na Freguesia da Aldeia dos Anjos e Irmão da Santa Casa de Misericórdia de Porto Ale- gre (Duarte, 2002). Aquele foi deputado na Assembleia Provincial, eleito em 186211 (como faleceu um ano depois, não teve uma longa trajetória na política). Os dois também eram proprietários de inúmeros prédios urbanos na capital, além de terrenos rurais, utilizados para render alu- guéis. Sendo assim, ambos já tinham alguma experiência com o mercado imobiliário e uma estreita relação com o governo da província, uma vez que é possível depreender certa reciprocidade entre eles. Por um lado, há o serviço prestado pela empresa Batista & Fialho ao governo provincial quando da realização das diversas obras públicas, a disponibilização de casas aos enfermos vítimas da epidemia de cólera12 e a contribuição fi-

10 Habilitação matrimonial. 1844. João Batista Soares da Silveira e Souza e Ana Joaquina de Jesus. Nº 32, caixa 228. Arquivo Histórico da Cúria Metropolitana de Porto Alegre (AHCMPA).
11 NOTICIAS do interior. Correio Mercantil. Rio de Janeiro, n. 73, 15 mar. 1862. Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional.
12 Em 1867, João Batista pôs à disposição do governo todos os prédios urbanos que possuía na capital para auxiliar na epidemia de cólera. MELLO, Francisco Ignacio Marcondes Homem de Mello. Falla dirigida a Assembléa Legislativa da província de S. Pedro do Rio Grande do Sul pelo presidente, dr. Francisco Ignacio Marcondes Homem de Mello, em a segunda sessão da 12ª legislatura. 1867. Porto Alegre, Typ. do Rio-Grandense, p. 31. Disponível em: . Acesso em: 02/01/2019.


nanceira para as despesas com a Guerra do Paraguai13. Por outro, vemos João Batista sendo condecorado com um título honorífico14 e Manoel com o cargo de Coronel da Guarda Nacional.
Ressalta-se a proximidade com o governo da província tendo em vis- ta que isso pode ter sido um dos fatores a levar os empresários a inves- tirem na instalação de imigrantes europeus, juntamente com Antônio Fialho de Vargas. Aquele era o responsável pelo processo de colonização no período, portanto, os sócios tinham acesso a informações privilegiadas sobre o negócio, na medida em que possuíam vínculos de reciprocidade com ele. Contudo, também é possível visualizar outros estímulos para o novo investimento. A própria atividade da empresa Batista & Fialho, a arrematação de licitações de obras públicas, indica uma possibilidade. Estradas, pontes e igrejas se fizeram cada vez mais necessárias com o aumento da população da província e o processo de modernização pelo qual ela estava passando. Nos núcleos coloniais que iam se formando, construções como essas eram fundamentais para o desenvolvimento so- cioeconômico local, uma vez que proporcionavam a exportação dos gêne- ros alimentícios produzidos. Assim que uma colônia era criada, os habi- tantes do lugar ou os próprios empresários logo reivindicavam obras de infraestrutura, seja para melhorar as condições de vida da população ou dar continuidade ao projeto da empresa, preparando o lugar para o rece- bimento de um maior número de famílias. Por conseguinte, investir no estabelecimento de uma colônia criaria ainda mais demanda por obras públicas, além de ser uma maneira de diversificar as aplicações, estra- tégia comum entre os empresários oitocentistas15. Sendo assim, tudo in- dica que Manoel e João Batista, junto com Antônio, criaram a colônia

13 João Batista doou um conto de réis para ajudar nas despesas com a guerra. INTERIOR, No- ticias do Sul. Correio Mercantil, Rio de Janeiro, ano 24, n. 205, p. 2, 26 jul. 1867. Hemeroteca Digital.
14 João Batista recebeu o título de Comendador da Ordem da Rosa. CAMPANHA do Paraguay.
Almanak, Rio de Janeiro, ano 26, p. 1324, 1869. Hemeroteca Digital.
15 Para um exemplo brasileiro, ver: Fragoso; Rios (1995). A diversificação de investimentos tam- bém foi uma estratégia utilizada por empresários que atuaram na colonização privada da pro- víncia de Santa Fé (Argentina): Martirén (2012).


Conventos, em Taquari, para potencializar os negócios que já estavam acostumados a realizar16 e variar os investimentos.

Investir na colonização
A colônia Conventos foi fundada em 1855, no município de Taquari, freguesia de Santo Amaro, distante cerca de cem quilômetros de Porto Alegre. A empresa responsável por ela era a Batista Fialho & Cia., for- mada por Manoel, João Batista e Antônio. Os sócios adquiriram duas fazendas17, localizadas na margem direita do rio Taquari, e as transfor- maram em inúmeros lotes coloniais. A escolha do lugar pode estar rela- cionada com a informação transmitida pela Câmara de Vereadores de Taquari ao governo da província, que indicava as fazendas Conventos e Carneiros como um bom local para instalar uma colônia18. Tendo em vista a proximidade de João Batista e Manoel com o governo provincial, é provável que eles também tivessem acesso a essas notícias.
Além disso, na década de 1850, o excedente populacional das regiões coloniais mais antigas, como as do Vale do Rio Caí e Vale do Rio dos Si- nos, estavam se direcionando para o Vale do Rio Taquari. As migrações internas ocorriam por vários motivos, sendo os principais deles o esgo- tamento do solo provocado pela agricultura intensiva dos imigrantes e o aumento populacional. Conforme as famílias cresciam e os filhos conti- nuavam com a profissão agrícola dos pais, era necessário comprar áreas maiores, que não estavam mais disponíveis nas colônias antigas. Assim, a família vendia a propriedade e migrava para novas frentes de ocupação ou somente alguns filhos se deslocavam (Roche, 1969). Isso garantia a

16 Esta afirmação será desenvolvida mais adiante.
17 As fazendas foram adquiridas da empresa Claussen e Companhia. Auto de Medição. 1872. Antonio Fialho de Vargas. Nº 390. Taquari. Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul (AHRS).
18 O governo provincial estava interessado em instalar uma colônia em Taquari, por isso solicitou à câmara municipal que informasse onde havia terras devolutas. Estas, comunicaram os vere- adores, eram de difícil acesso, recomendando ao governo a compra das referidas fazendas, algo que não ocorreu. Correspondência da Câmara Municipal. 13 de junho de 1852. Autoridades Municipais. Taquari, Maço 277, caixa 151. AHRS.


reprodução social do grupo, uma vez que, garantindo mais terras, pode- riam continuar desenvolvendo as atividades de costume.

Mapa 1 – Localização da colônia Conventos
Fonte: Adaptado pela autora a partir de: JACQUES, João Candido. Carta geographica do estado federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, RS: Joaquim Alves Leite, 1891. 1 mapa, 70 x 80cm. Escala 1:1.545.925. Disponível em: . Acesso em: 04 nov. 2018.

Deste modo, na década de 1850, para quem estivesse interessado em investir na colonização, era uma boa oportunidade atentar-se para o ter- ritório do município de Taquari, pois lá havia demanda por terra. Não era à toa que a maioria dos clientes da Batista Fialho & Cia. era oriunda de São Leopoldo19, a primeira colônia do Rio Grande do Sul. No entanto, três anos após a fundação de Conventos, em 1858, os empresários ousaram e decidiram realizar o deslocamento de famílias diretamente da Europa20.

19 De acordo com a documentação disponível no Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul sobre a colônia. Colônia dos Conventos. Colônias, caixa 31, maço 57. AHRS.
20 Provavelmente este já era um projeto idealizado pelos sócios quando compraram as fazendas
para fundar a colônia.


Foram contratados cerca de setenta imigrantes alemães, que saíram do porto de Hamburgo ajustados por Frederico Schmidt21, possivelmente um sujeito que atuava como intermediário em uma rede de mediadores res- ponsáveis por atrair imigrantes para se deslocarem ao Brasil.
Schmidt havia sido encarregado por Manoel Fialho de Vargas Filho de executar o trabalho, o que aponta para uma possível divisão de tarefas entre os sócios da empresa. Localizamos João Batista encaminhando os relatórios referentes à situação de Conventos para o governo da provín- cia, enquanto Antônio era o gerente da empresa e da colônia, residindo no local e informando João Batista sobre as condições dela. Manoel, por sua vez, ficou responsável pela contratação dos imigrantes. Fazia sen- tido deixar Antônio se deslocar para Taquari e dirigir o negócio, tendo em vista que os demais sócios já se ocupavam com outras atividades na capital. Analisando a situação mais atentamente, podemos concluir que a aplicação realizada por João Batista e Manoel na criação da colônia pode ter sido uma maneira de auxiliar Antônio, membro da família, a dar início ao negócio, além de diversificar os investimentos. Embora Antônio fosse proprietário de metade da empresa, o capital dispendido e o papel cumprido pelos parceiros foi fundamental para concretizar o projeto.
Logo após a fundação de Conventos, os empresários trataram de solicitar ao governo da província, mais de uma vez, a construção de uma estrada, três pontes e cinco estivas22, tendo em vista que o rio Taquari possuía onze cachoeiras que impediam a navegação em determinadas épocas do ano. Isso prejudicava o escoamento da produção dos colonos,

21 Por esse ocorrido, a Batista Fialho & Cia foi acusada de fraudar o prêmio garantido pela pro- víncia aos particulares que trouxessem colonos europeus. FERRAZ, Angelo Moniz da Silva. Relatorio com que o Exm. Sr. conselheiro Angelo Moniz da Silva Ferraz, entregou a presidencia da provincia de S. Pedro do Rio Grande do Sul, ao 2º vice-presidente o Exm. Sr. commendador Patricio Corrêa da Camara, no dia 22 de abril e este ao Exm. Sr. conselheiro Joaquim Antão Fernandes Leão. 4 de maio de 1859. Typ. do Correio do Sul, Porto Alegre. Disponível em: Acesso em: 02/01/2019. Para mais informações sobre as tensões ocorri- das entre governo provincial e empresas de colonização, ver Gregory (2019, pp. 86-97).
22 Correspondência enviada ao presidente da província em 27 de setembro de 1859, Porto Alegre. Observações feitas no mapa geral da colônia dos Conventos em 15 de maio de 1862, Porto Ale- gre. Colônias. Colônia dos Conventos, caixa 31, maço 57. AHRS.


que às vezes não podiam mandar os gêneros ao mercado por falta de via terrestre. As obras levaram alguns anos para serem construídas e a Batista Fialho & Cia. não realizou nenhuma delas. A justificativa do governo provincial para adiar as construções foi a incipiente população do local ainda no final da década de 1850. Tendo em vista a recente fun- dação de Conventos, as autoridades consideraram não serem necessárias as obras naquele momento23. A estratégia dos empresários estava acerta- da, afinal, a edificação das estruturas era inevitável, contudo, não seria algo imediato. Além disso, o empreendimento custaria caro, em torno de 50 contos de réis, de acordo com o orçamento da província24. Talvez isso também tenha sido motivo para postergar o projeto. Na região do Vale do Taquari, outros indivíduos também buscaram aliar o comércio de terras para imigrantes à arrematação de licitações de obras públicas, como Primórdio Centeno de Azambuja, responsável por construir uma ponte25 e uma estrada26. Isso aponta para uma estratégia comum entre os empresários da província.
Em 13 de abril de 1863, após oito anos de funcionamento, a Batista Fialho & Cia. encerrou as atividades em decorrência da inadimplência dos imigrantes contratados na Europa, de acordo com o prazo estipulado pela empresa para o pagamento. Os contratos firmados com as famílias indicavam que a empresa venderia o terreno e forneceria as sementes e os víveres necessários até a primeira colheita, além de uma quantia em

23 FERRAZ, Angelo Moniz da Silva. Documentos anexos ao relatório do presidente da província de S. Pedro do Rio Grande do Sul, Angelo Moniz da Silva Ferraz, apresentado a Assembléa Le- gislativa Provincial na 1ª sessão da 8ª legislatura. 1858. Porto Alegre, Typ. do Correio do Sul,
p. 102. Disponível em: . Acesso em: 02/01/2019.
24 FERRAZ, Angelo Moniz da Silva. Documentos anexos ao relatório do presidente da província de S. Pedro do Rio Grande do Sul, Angelo Moniz da Silva Ferraz, apresentado a Assembléa Le- gislativa Provincial na 1ª sessão da 8ª legislatura. 1858. Porto Alegre, Typ. do Correio do Sul,
p. 102. Disponível em: . Acesso em: 02/01/2019.
25 SERTORIO, João. Relatorio com que o excellentissimo Sr. Dr. João Sertorio, presidente d’esta província, passou a administração da mesma ao Ex. Sr. Dr. João Capistrano de Miranda e Cas- tro, 1º vice-presidente. 20 de agosto de 1870. Porto Alegre, Typ. do Rio Grandense. Disponível em: . Acesso em: 02/01/2019.
26 MORAES, João Pedro Carvalho de. Falla dirigida à Assembléa Legislativa da província de S. Pedro do Rio Grande do Sul pelo presidente Dr. João Pedro Carvalho de Moraes em primeira sessão da 16º legislatura. 1875. Porto Alegre, Typ. do Rio-Grandense. Disponível em: . Acesso em: 02/01/2019.

Homenagem aos 50 anos de morte do meu saudoso pai. Fui a última pessoa a conversar com ele antes de sua partida para a d...
06/02/2026

Homenagem aos 50 anos de morte do meu saudoso pai. Fui a última pessoa a conversar com ele antes de sua partida para a dimensão dos espíritos. E seu último alimento foi peixe (curimatã) e suco de limão. Sua caneca verde, de ágata, era inseparável, quando queria tomar café, suco e água. "Estas recordações me matam".
(Por Helio Fialho)

Nesta segunda-feira (26), pela manhã, foi instalada a placa com a nova denominação da antiga  Rua Alto Paraíso. A nova d...
26/05/2025

Nesta segunda-feira (26), pela manhã, foi instalada a placa com a nova denominação da antiga Rua Alto Paraíso. A nova denominação é Rua João Fialho de Mello. O Projeto de Lei, de autoria do vereador Diomedes Rodrigues, contou com a aprovação dos demais vereadores. A Lei Municipal nº 663, de 04 de outubro de 2023, foi sancionada pelo prefeito Jorge Dantas.
A referida placa, que hoje foi instalada, não foi adquirida com recursos da Prefeitura Municipal de Pão de Açúcar e sim com recursos dos irmãos Giovanni, Helio, Yvan e Eliana Fialho. As doações financeiras destes quatro irmãos, para aquisição desta placa, não foram por causa do valor monetário da mesma, porém, devido à importância do registro, para ficar na história da família, para a posteridade.

A Rua João Fialho de Mello é motivo de contentamento para os filhos, netos, bisnetos, tetranetos, sobrinhos e outros membros da família FIALHO.

Vejam como a Lei era aplicada antigamente contra ESTUPRADOR. Nesta época, a Lei só era aplicada contra pessoas do s**o m...
26/05/2025

Vejam como a Lei era aplicada antigamente contra ESTUPRADOR. Nesta época, a Lei só era aplicada contra pessoas do s**o masculino. Hoje a lei pode ser aplicada contra pessoas do s**o feminino. Este antigo recorte de jornal é uma "pérola", devido à linguagem usada na sentença dada pelo juiz. Este caso ocorreu na Vila de Porto da Folha, em 15 de outubro de 1833, hoje município de Porto da Folha. no estado de Sergipe. Por se tratar de um museu, resolvemos aqui publicar está preciosidade.

Endereço

Pão De Açúcar, AL
57400-000

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