25/08/2023
Na terça-feira, dia 22/08/2023, houve a realização da audiência pública sobre a minuta de concessão da Superintendência de Água e Esgoto (SAE).
Em primeiro momento, é preciso denunciar a forma autoritária e antidemocrática com que a audiência foi conduzida, seja pela convocação que o prefeito fez para que seus cargos comissionados lotassem a câmara dos vereadores para impedir a participação de munícipes contrários à concessão, ou, seja pela condução feita pela audiência em que cada munícipe inscrito tinha apenas 2 min para fazer perguntas e/ou comentários, sendo que as respostas tergiversaram das perguntas, e o prefeito e seus secretários aproveitaram, durante o tempo que quiseram para mentir e fazerem autopromoção política.
A justificativa da prefeitura para a realização da concessão, é a de que se o serviço de água e esgoto permanecesse sobre a gestão da SAE, haveria um aumento exponencial das tarifas; segundo a versão da prefeitura, seria necessário um aumento de 633% na conta de água para que a SAE mantivesse os investimentos necessários.
Foi dito diversas vezes pelo Secretário de Meio Ambiente e Agricultura, que não é possível que a gestão realize mágicas para resolução desse problema. Todavia, comicamente, a entrega do serviço de água e esgoto para a empresa privada (que vencer a licitação) foi apresentada como mágica, pois, a empresa privada, que visa lucro, manteria os investimentos necessários, mas sem aumentar as tarifas.
É preciso salientar que diversas vezes o mesmo secretário alegou que as justificativas para a concessão eram técnicas e não políticas; é notável que esse é um artifício da ideologia dominante, do neoliberalismo, que se coloca como não ideológico, e apresenta as políticas que favorecem a burguesia como apolíticas.
Segundo o edital da concessão, haverá um ataque, uma penalidade aos mais pobres, pois, o valor mínimo a ser pago pelo consumo de água passará de R$11,58, que é o valor cobrado por um consumo de até 5m3, para R$28,30, o valor a ser pago para 10m3 de consumo.
Além disso, a taxa de esgoto, que hoje representa 70% da taxa de água, passará para 100%; portanto, a taxa mínima de água e esgoto ou como costuma-se chamar "custo de disponibilidade", passará de R$19,68 para R$56,60, ou seja, terá um aumento de 287%.
Outro absurdo que salta aos olhos é que o valor mínimo para que as empresas concorram no processo de licitação é de 10 milhões de reais, um valor irrisório, dado que a SAE obteve 11 milhões de superávit em apenas um ano, isto é, ano passado; o valor inicial do "leilão" é ainda mais absurdo se considerarmos o lucro que a empresa licitante irá obter com os 35 anos de concessão.
Em relação aos (as) servidores (as) da SAE, a prefeitura prometeu que incorporará todos os funcionários, comprometendo-se a pagar os 20 milhões de reais da folha salarial dos servidores. Denota-se, que, diante de uma política econômica de austeridade praticada pelo prefeito, será necessário um aumento vertiginoso de impostos para todos os ourinhenses, visando aumentar a arrecadação, caso, a prefeitura realmente queira incorporar todos esses trabalhadores.
Porém, tal promessa torna-se insustentável diante da Lei de Responsabilidade Fiscal (defendemos sua revogação), devido ao comprometimento das receitas para pagamento dos salários dos servidores e servidoras, que serão incorporados; tendo como consequência, a proibição de reajustes para os servidores municipais e a proibição de realização de novos concursos públicos.
Como sabemos, a empresa privada que irá explorar exclusivamente o serviço de água e esgotamento sanitário, pelos próximos 35 anos, irá importar-se somente com o aumento de seus lucros, em detrimento do direito do povo ao acesso à agua e esgoto, e sem dar importância necessária para o cuidado com o meio ambiente e com os rios Pardo e Paranapanema.
É necessário evidenciar que o prefeito utiliza-se do discurso retórico de que está realizando uma concessão, ao invés de uma privatização, pois sabe que esta última é notavelmente impopular, como já evidenciaram várias matérias da Folha de S.Paulo e Estadão.
Ficaria complicado admitir que está privatizando a autarquia municipal de água e esgoto, diante dos escândalos causados pelas privatizações das telecomunicações, dos bancos públicos estaduais, da Vale e da Eletrobrás; como exemplo nítido temos a mineradora Vale, privatizada, que matou centenas de pessoas e destruiu Brumadinho e Mariana, e, também temos como expressão, o apagão provocado pela privatização da Eletrobrás na semana passada.
Diante de tamanha demagogia e sofisma, é preciso dar ênfase ao fato de que a empresa irá explorar o serviço de água e esgoto pelos próximos 35 anos, aproveitando-se da infraestrutura pública existente e devolverá, como ônus ao poder público, tudo sucateado.
Por fim, a concessão da SAE demonstra que o prefeito Lucas Pocay (PSD) é um representante da burguesia, da classe dominante, dos grandes empresários, os exploradores do povo, que terão lucros exorbitantes com a entrega/venda da SAE, enquanto os (as) trabalhadores (as) ourinhenses pagarão mais caro por um serviço de água e esgoto de pior qualidade, e ainda sofrerão constantemente com faltas d'água.