MANIFESTO DA EPPEN FEMINISTA: universidade opressora não passará
Somos tantas. Cis, trans, lésbicas, heteros, negras, índias, mães, filhas... algo nos une. Trazemos uma semelhança maior que todas as diferenças. Viemos com nossos corpos fadados, com nossos olhos cansados de procurar ameaças. "Viver é muito perigoso" - escutamos desde sempre. Chegamos sufocadas pelo mundo que nos cerca e é aqui que
queremos gritar. Somos mulheres. Queremos nossa voz, nossos corpos, nossas vidas, nossa liberdade... queremos desconstruir um sistema opressor e cruel, queremos reconstruí-lo de maneira mais justa e segura para todxs. Repudiamos a cultura machista propagada por alguns discentes, docentes, técnicos administrativos e outros membros desta comunidade. Repudiamos a cultura machista propagada em massa por nossa sociedade. Vemos nesta cultura o alicerce para outras formas de opressão - como o racismo, a homofobia, a transfobia - que também repudiamos. Procuramos desnaturalizar esta cultura, queremos desconstruir os instrumentos de manutenção desta opressão, que há muitas gerações causam tanto sofrimento. Lutamos em nome das nossas mães, das nossas avós e das nossas filhas. Lutamos em nome de nós, e todas as outras mulheres. Acreditamos no potencial transformador da universidade. Reconhecemos e nos comprometemos com a função social de uma universidade pública: construir uma sociedade melhor para todxs. É chegada a hora. É hora de pôr fim à cultura do estupro, é hora de pôr fim à culpabilização da vítima, é hora de quebrar os paradigmas do patriarcado, é hora de gritar contra tanta opressão - é, sobretudo, hora de lutar contra a cegueira crônica que esconde estas opressões. O lugar de fazer tudo isso é aqui. Somos um coletivo pelo empoderamento das mulheres. Concordamos com Simone de Beauvoir: "Não se nasce mulher, torna-se mulher.". Nossa identidade de gênero é culturalmente construída, no seio das mais diversas sociedades ao redor do mundo. No seio das mais diversas sociedades ao redor do mundo somos objetificadas, reprimidas, submissas e violentadas. Ao redor do mundo muitas de nós morrem, às vezes muito antes de descobrirem o significado da ideia que nos condena a tanto: ser mulher. Reconhecemos o valor das mulheres trabalhadoras na nossa luta, e queremos empoderá-las. Reconhecemos o valor das mulheres negras na nossa luta, e queremos empoderá-las. Reconhecemos o valor das mulheres lésbicas em nossa luta, e queremos empoderá-las. Reconhecemos o valor das mulheres transsexuais em nossa luta, e queremos empoderá-las. A nossa luta é política, em que nós somos as protagonistas da resistência e dos nossos discursos. Utilizaremos todos os espaços disponíveis para a nossa luta. Denunciaremos os casos de abuso acontecidos nesta instituição e fora dela. Sempre que possível, promoveremos o debate acerca das questões adjacentes à problemática feminista. Apoiaremos os outros coletivos e movimentos com cuja a luta nos identificamos. Caminharemos lado a lado, dia a dia, pelo fim da nossa opressão.