23/09/2020
Esta quarta-feira (23) é marcada pelo Dia Internacional Contra a Exploração Sexual e o Tráfico de Mulheres e Crianças. A data foi sancionada com o intuito de mobilizar a sociedade a respeito da importância no engajamento com o tema, que ainda é uma realidade atualmente. Segundo informações da Organização das Nações Unidas (ONU), no Brasil, o tráfico de pessoas atinge cerca de 2,5 milhões de vítimas e obtém lucro médio de 32 bilhões de dólares por ano. Ao todo, 85% desse total advêm de exploração sexual.
De forma geral, o panorama de violação de direitos humanos tem se agravado nos últimos anos. “Segundo dados da ONU (2018), por exemplo, 70% das denúncias registradas sobre tráfico de pessoas são relacionadas à exploração sexual contra mulheres. O que se verifica é a formação de verdadeiras redes de crime organizado que atingem dimensões nacionais e internacionais. Por óbvio, que isso não se descola da própria formação da sociedade brasileira ao longo do tempo, que nos trouxe até os dias de hoje como uma sociedade patriarcal, machista e sexista, o que precisa ser combatido por todos”.
Além das mulheres, que hoje se caracterizam como as maiores vítimas de casos de exploração sexual, as crianças também estão vulneráveis ao crime. “Quando falamos de crianças, o Relatório Global sobre Tráfico de Pessoas publicado em 2019 verificou um aumento do número de casos, passando a representar 30% de todas as vítimas identificadas, com um número muito maior de meninas do que de meninos, o que reforça o meu primeiro argumento. É preciso fazer a ressalva, contudo, que, apesar do panorama aparente verificado a partir dos dados provenientes de pesquisas em geral, esse número ainda é muito impreciso, o que não permite uma visualização segura do crescimento ao longo dos anos o que leva, portanto, ao desconhecimento dos dados reais.
O crime de tráfico de pessoas é silencioso, difícil de identificar e, ainda, pouco divulgado, contudo, ele permanece acontecendo com frequência, por essa razão, é necessário reiterar os contatos de órgãos e autoridades competentes. “É preciso incentivar a procura da rede de atendimento disponível no país, tais como a Delegacia Especializada de Violência Contra a Mulher, Casa da Mulher Brasileira, Centro de Referência de Atendimento à Mulher, Promotorias Especializadas e o próprio canal da Central de Atendimento, o Ligue 180, e creio que a importância da data se dá justamente por isso e para isso”.
Outro contato para denúncia em caso de tráfico de pessoas e exploração de mulheres e crianças é o disque 100. O serviço dos Direitos Humanos funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. As ligações são gratuitas e podem ser feitas de todo o Brasil.
Fonte: Faculdade Florence