31/03/2015
URGENTE.
Colegas do curso de psicologia,
A despeito da decisão da última assembleia geral do curso, em novembro de 2014, de criar as disciplinas de “Gênero e Sexualidade” e “Subjetividade e Relações Étnico-raciais”, com 4 créditos cada uma, algumas professoras e professores de nosso departamento estão tentando ignorar essa necessidade do nosso curso. A proposta aprovada na última assembleia prevê a criação dessas duas disciplinas, preenchendo parte dos 12 créditos disponíveis para disciplinas obrigatórias decorrentes da redução da carga horária da disciplina de “Seminários Integrados”.
Foi aprovado por unanimidade, tanto dos docentes quanto dos estudantes presentes na assembléia, a necessidade de criação dessas disciplinas específicas. Embora alguns tenham proposto a inserção desses temas nas outras disciplinas do currículo, venceu o argumento de que essas temáticas são fundamentais para a nossa formação, uma vez que gênero e raça são categorias-base que estruturam relações de hierarquia e opressão, necessitanto de disciplinas específicas que garantam o necessário aprofundamento do tema e de suas interrelações. O resultado dessa discussão foi o comprometimento do corpo docente (guardado na memória e registrado no áudio da assembleia) de continuar a discussão de forma aberta e coletiva com o curso para a criação das disciplinas até o prazo máximo do semestre 2015.2.
No entanto, contrariando o que foi decidido em assembléia, na última reunião do Colegiado de Curso foi decidido que nada será feito por enquanto com os 12 créditos a serem preenchidos com novas matérias no curso, o que levanta a possibilidade de que essas disciplinas específicas não sejam criadas, mas que as suas temáticas sejam trabalhadas dentro do conteúdo de outras disciplinas - proposta essa que já tinha sido derrotada em assembleia.
Não bastasse parte do corpo docente ignorar a decisão legítima e democrática da assembléia geral do curso de psicologia, a proposta foi discutida anteriormente no Núcleo Docente Estruturante (NDE), espaço que é responsável formal pela tarefa de repensar continuamente o currículo do curso. No semestre passado, o corpo estudantil foi destituído de poder de voto pela última gestão, numa reunião sem aviso prévio a nós estudantes, ainda que promessas genéricas tenham sido feitas de que as reuniões continuariam abertas e que seriam divulgadas.
A argumentação apresentada por parte do corpo docente para ignorar a decisão da assembléia é de que o MEC só cobra que esses conteúdos sejam abordados no curso, não sendo exigido que os conteúdos sejam dados em disciplinas específicas. Ou seja: Na ausência de entraves burocráticos do MEC que os obrigaria a adequar o currículo, joga-se no lixo decisões firmadas em espaços coletivos de decisão e ignora-se as carências identificadas pelos estudantes na nossa formação. Isso evidencia a falta de vontade de parte do professorado do Departamento de Psicologia em se posicionar firmemente contra as opressões que permeiam nossa sociedade. Desconsideram a importância de abordar com atenção essas questões no curso, para que nós, estudantes, tenhamos uma formação social e política bem fundamentada para transformar a sociedade. Para alguns deles, pelo visto, a luta contra o racismo, o machismo, a homolesbotransfobia se resumem ao cumprimento de uma norma estabelecida pelo MEC.
Esses temas não podem ser “introduzidos” no meio de qualquer disciplina! Essas temáticas são muito caras à nossa sociedade e necessárias à nossa formação. Não podemos ignorar as marcas existentes até hoje na nossa sociedade advindas do período colonial e do processo de escravização e as consequências da cultura machista e estrutura patriarcal da nossa sociedade. Desconsiderar os desdobramentos do racismo, do machismo e da homolesbotransfobia na subjetividade dos sujeitos é retroceder a um período em que a psicologia apenas adaptava e excluía os diferentes.
Por esses motivos, nós, estudantes, estamos nos organizando de antemão para garantir que os compromissos firmados em espaços de decisão coletiva sejam cumpridos, frente à falta de vontade de parte das professoras e professores do departamento. Convidamos todas as pessoas interessadas à comparecer à uma reunião, AMANHÃ, TERÇA-FEIRA (31/03), às 12:30 horas para discutir como nos articularemos para garantir a criação das disciplinas de “Gênero e Sexualidade” e “Subjetividade e Relações Étnico-raciais”.
Se não formos nós, estudantes, a pressionar e lutar pela nossa própria formação, ninguém mais ira! À luta!
Florianópolis, 30 de março de 2015.