Política, Amenidades e Afins

Política, Amenidades e Afins A página aborda assuntos da política e da cultura, tais como música, cinema e literatura em geral.

Espremido entre o Tropicalismo e a Jovem Guarda, coube a Chico Buarque, que chega aos 80 anos, encontrar seu próprio cam...
19/06/2024

Espremido entre o Tropicalismo e a Jovem Guarda, coube a Chico Buarque, que chega aos 80 anos, encontrar seu próprio caminho. Frente às pressões do que seria o melhor para a MPB naqueles idos dos anos 1960 e criticado por ainda gravar sambas, ele sintetizou tudo na famosa frase: “nem toda loucura é genial, como nem toda lucidez é velha.”

E foi entre a genialidade e a lucidez que o filho de Sérgio Buarque de Holanda – outro obstáculo a ser superado – construiu sua obra. Curiosamente, coube a voz feminina de Maricenne Costa fazer a música de Chico Buarque se tornar presente pela primeira vez em 1964, ano em que a paulistana lançou “Marcha para um dia de sol”.

Começava ali a associação do artista com as cantoras do Brasil. Não era para menos. O talentoso melodista também mostrava habilidade para escrever sob ótica da mulher, fascinando as intérpretes até os dias de hoje.

Entre os anos 60 e 70 – na leitura de Millôr Fernandes, com quem brigaria depois por conta de Tarso de Castro – Chico Buarque foi a única unanimidade nacional. O tempo, porém, o fez deixar para trás o compositor engajado, mas não menos politizado.

A guinada se iniciou no fim dos anos 1980 e se consolidou nas décadas seguintes. O artista que chegou a decretar o fim da canção – abraçando uma tese de José Ramos Tinhorão -, passou a produzir uma música mais sofisticada, gerando uma menor difusão popular da sua obra e, consequentemente, restringindo seu público.

Mas mesmo com canções mais difíceis de serem apreendidas, há letras submersas, com fragmentos de cartas e vestígios, como ele mesmo descreveu em “Futuros amantes”. Ou como disse ainda em “Flor da Idade”, a gente continua se coçando, se roçando e se viciando com a sua arte. Seja lá como for, o universo ainda sonha com Chico Buarque sem aviso prévio.

09/05/2024

A essência do samba!

01/05/2024
“Aumenta Que é Rock'n'Roll”, dirigido por Tomás Portella, é a mais perfeita signif**ação da palavra nostalgia. Ao menos ...
28/04/2024

“Aumenta Que é Rock'n'Roll”, dirigido por Tomás Portella, é a mais perfeita signif**ação da palavra nostalgia. Ao menos para uma boa parcela de quem foi adolescente naquela efervescência dos anos 1980 - a década que foi considerada perdida economicamente, mas que venceu na visão sociopolítica, em especial pelo estabelecimento do pacto democrático.

Ainda se vivia sob o regime da ditadura militar. Desta forma, f**a ainda mais emocionante perceber que, em 1982 - dois anos antes do início da redemocratização - um grupo de jovens jornalistas conduziu uma espécie de “revolução musical e radiofônica” que atingiria em cheio a juventude daquele período.

Eu, que nunca fui do rock, me deixei levar pela aura pura (nem sempre) e límpida do som da Blitz, Paralamas, Barão Vermelho, Legião Urbana e tantas outras que se sucederam. Era o surgimento da geração BRock.

Verdade que na concepção de hoje o mundo era outro. Não havia internet, rede social e muito menos inteligência artificial. Era “sem coração de silício”, como escreveu o líder do grupo, Luiz Antonio Mello. Talvez por isso aquelas afetividades claras, junto ao ritmo envolvente do filme, exponham momentos de puro deleite na tela do cinema.

Ninguém que confia na voz da razão pode ignorar Immanuel Kant, que chega aos 300 anos mais atual do que nunca. O pioneir...
27/04/2024

Ninguém que confia na voz da razão pode ignorar Immanuel Kant, que chega aos 300 anos mais atual do que nunca. O pioneiro do Iluminismo elaborou uma visão social que vale até hoje, em meio a mudanças climáticas, guerras e crises. Curiosamente, pensou o mundo sem nunca ter saído da sua cidade natal, na antiga Prússia.

Elaborou a tese da paz duradoura entre as nações (dando origem à ONU), da lei de cidadania mundial, em rejeição ao colonialismo e ao imperialismo, e justificou a dignidade e os direitos humanos como algo filosófico, racional. “Devo proceder sempre de maneira que eu possa querer também que minha máxima se torne uma lei universal”, disse ao cunhar o imperativo categórico. Hoje, essa formulação seria: você só deve fazer o que for para o melhor de todos.

É na "Crítica da Razão Pura" que aparecem as quatro questões fundamentais da filosofia: O que posso saber? O que devo fazer? O que posso esperar? O que é o ser humano? A busca por essas respostas deu origem à teoria do conhecimento. Conhecimento que o fez cunhar a famosa frase: tenha a coragem de fazer uso do seu próprio entendimento.

Trinta anos de “Pulp Fiction: Tempo de Violência”! Obra-prima de Quentin Tarantino! Via Geração só80s!
26/04/2024

Trinta anos de “Pulp Fiction: Tempo de Violência”! Obra-prima de Quentin Tarantino! Via Geração só80s!

Numa clara homenagem a Yasujiro Ozu, o premiado Wim Wenders reafirma seu talento nessa preciosidade chamada “Dias Perfei...
26/04/2024

Numa clara homenagem a Yasujiro Ozu, o premiado Wim Wenders reafirma seu talento nessa preciosidade chamada “Dias Perfeitos”. Dos planos ao enquadramento, passando pela descrição da rotina, são os pequenos gestos que iluminam e dão sentido à solidão que reluta em se adaptar aos tempos e, de alguma maneira, quer encontrar o rumo da vida moderna.

O cineasta alemão reitera sua admiração por Ozu como já fizera no documentário “Tokyo-Ga”. Um verdadeiro primor. Sem muitas palavras e sem apiedar o protagonista - um homem de meia-idade encarregado de limpar os banheiros públicos da cidade de Tóquio -, são as imagens, os detalhes e a delicadeza de Hirayama (estupendamente interpretado por Koji Yakusho) que nos insere nas inflexões do cotidiano da vida.

Através do pouco movimento da câmera, do olhar de otimismo do personagem e de suas paixões - ouvir música em fitas-cassetes, tirar fotos, ler livros e cuidar de plantas -, Wenders retrata toda humanidade de Hirayama ao indicar que há poesia no fazer e refazer do dia a dia.

Tudo importa e é milimetricamente pensado. Com a evolução da narrativa, descobrimos seu passado e f**a difícil não se emocionar com ele. A cena final é simplesmente arrebatadora, fazendo lembrar, como já havia descrito o próprio Ozu, que a rotina tem o seu encanto.

O comandante da Marinha, almirante Marcos Sampaio Olsen, enviou uma carta à presidência da Comissão de Cultura da Câmara...
26/04/2024

O comandante da Marinha, almirante Marcos Sampaio Olsen, enviou uma carta à presidência da Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados se manifestando contra a inclusão do nome de João Cândido no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, alegando que ele seria um “reprovável exemplo de conduta para o povo brasileiro”.

A atitude demostra que, passados 114 anos da Revolta da Chibata, o líder revolucionário continua sendo açoitado. Não pelos castigos físicos impostos por essa mesma Marinha que fez eclodir o movimento, em 1910, mas em sua memória.

Endereço

Niterói, RJ

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