Manifesto do Coletivo Carmen Portinho
😉 Um convite à ousadia
Ao conjunto dos camaradas de luta pela revolução e o socialismo nos reapresentamos. A partir do núcleo Carmem Portinho e de um grupo oriundo da Comuna decidimos integrar nossa ação em um novo patamar. Temos uma compreensão comum das tarefas e da estratégia revolucionária. Mantemos a referência no internacionalismo proletário e na IV Int
ernacional. Das ruas e das lutas nunca saímos. Acreditamos numa esquerda democrática, que rompa com os valores do sistema capitalista e reflita sobre suas práticas passadas, suas experiências de poder, os mecanismos que pavimentam seu futuro e que esse processo de reflexão seja o mais pedagógico possível. Nossas práticas são pautadas pela mais aberta sinceridade e fraternidade. Por mais dura e contraditória que a realidade seja, é nela em que atuamos.
🤝 No meio da fragmentação nos reencontramos
O cenário é delicado. A nível global, projetos políticos conservadores e reacionários, de direita e extrema direita vão dando as caras novamente e ganhando espaço na sociedade e nas instituições. No Brasil, com a eleição de Bolsonaro, se lança um grande ataque não só a liberdade e a democracia - se atacam a cultura, a educação, a ciência, a população negra, os povos originários, as mulheres, a livre orientação sexual, a biodiversidade, os recursos naturais, todos os direitos sociais e trabalhistas conquistados em séculos de luta - em suma, se resume a um ataque à humanidade e ao futuro.
🧐 Não inventamos a roda, atuamos sobre a realidade
A imposição das políticas ultraliberais pelas mudanças estruturais por que passa o modo de produção capitalista, vem implicando em derrotas da classe trabalhadora e suas organizações tradicionais. Participamos dessas organizações, doamos e continuaremos dando o melhor de nossos esforços para que elas se mantenham de pé. No entanto, não nos omitiremos de debater o novo perfil do mundo do trabalho. Somos todos produtos dessa nova configuração, que implica na perda de empregos e em bicos e no trabalho informal como alternativa de sobrevivência . Sem perder a perspectiva de manter e ampliar a organização da classe que se manteve no mercado formal, vemos que parte significativa da sociedade foi obrigada a se uberizar. Procuramos entender uma nova realidade, organizar e dialogar com um novo perfil de pessoas com comportamento e subjetividades diferenciadas.
🌃 A Cidade É Uma Grande Fábrica
A expulsão de grande parte da população rural pela expansão do agronegócio e pelo extrativismo mineral se combina com a redução do peso relativo do setor industrial. Neste quadro se inclui o crescimento do setor de serviços e da economia informal . A redução da qualidade e do número de empregos no campo e na cidade vem acompanhada do crescimento das periferias urbanas e do aumento da miséria. Se combina também com a destruição dos recursos naturais e consequente crise ambiental. A luta pela reforma agrária e pela mudança de paradigma no modelo de desenvolvimento em uma perspectiva socialista se dá neste quadro. É necessária a compreensão da importância das cidades neste processo. Nelas se agudizam as contradições. Na composição étnica das periferias e favelas se expressa o racismo ao povo negro. Nas cidades está expressa a riqueza construída durante séculos ao custo da chibata da escravidão e da exploração capitalista. É a partir do capital concentrado nas cidades que se constrói a hegemonia que objetifica e violenta o corpo das mulheres e se discrimina, oprime e mata a população LGBTQI+. É a partir do poder do capital, instalado nas cidades que o braço forte do Estado executa a juventude pobre na periferia e no campo. É a partir da cidade que os bancos tomam a casa do trabalhador e a terra do pequeno agricultor. É na cidade que a barbárie capitalista se organiza para se expandir de forma aguda, apoiada na destruição do meio ambiente e exploração do trabalho, na busca insaciável do lucro. Para mudar a correlação de forças, é estratégico organizar a maioria da população urbana em torno a suas demandas por uma qualidade de vida que o modo de produção capitalista não permite, em sólida aliança com o direito à terra pelos camponeses, trabalhadores rurais e povos originários. Assim lutar por um modo de produção que assegure direitos. Direito à cidade, moradia, empregos e salários dignos, saúde e educação públicas de qualidade, acesso à terra e democracia - o direito de mudar a sociedade Mudar a correlação de forças, a partir da ação das multidões, do povo organizado. No coletivo, mas também respeitando as subjetividades. Entendendo, compreendendo e enfrentando as contradições que herdamos. Sem ambiguidades e ilusões.
😍 Na luta se fabricam sonhos
Para construir o futuro que sonhamos é necessária uma luta a ser feita com bravura, mas também com afeto entre quem luta do mesmo lado. Durante os dias calorosos de enfrentamento, seremos implacáveis na defesa do nosso futuro e na realização dos nossos desejos de igualdade e justiça. Nas noites de frio, aqueceremos nossos corpos e corações com fantasias, poemas e amor, renovando a cada segundo nossas esperanças. Em debate fraterno na busca de sínteses nos debruçaremos, vivendo o grande desafio de varrer o lixo capitalista da história da humanidade e construirmos uma sociedade comunista.
🙋🏿🙋🏿♂ Convidamos a todas e todos lutadores sociais a debater a construção de mais uma semente de resiliência, subversão e ousadia. Do acúmulo da classe trabalhadora neste novo momento histórico, em sintonia com uma esquerda renovada, faremos germinar a resistência unificada para derrotar o neofascismo e todas as expressões da barbárie capitalista. A partir da palavra socialismo mandamos um recado aos burgueses e aristocratas de todo o mundo:
✊🏳🌈 Transformaremos o inferno que vocês construíram para nós em uma maré revolta de igualdade e liberdade. Nos aguardem!
🗣💬 É nesse espírito que fazemos um convite a ousadia! Venha debater conosco! Niterói, 14/12/2019.