02/06/2026
Não há justiça climática prática sem orçamento efetivo. Enquanto o debate institucional patina na burocracia e a academia se fecha no produtivismo de títulos, os diálogos teóricos não cruzam os muros universitários, perpetuando o analfabetismo ecológico e destruição. Como provoca Ailton Krenak, a humanidade vive o transe de consumir a Terra sob a ilusão de um progresso infinito, usando paliativos ilusórios sem questionar nosso modos de vida.
Essa desconexão impera em fóruns globais e GTs que chancelam uma "sustentabilidade" corporativa — uma maquiagem verde para manter o consumo e alimentar máquinas. Esse modelo, denunciado por Vandana Shiva, impõe uma "monocultura da mente" e um colonialismo que privatiza bens comuns como águas e sementes. Contra isso, Shiva lembra que a verdadeira justiça climática nasce da biodiversidade e da soberania dos povos, não das métricas de carbono do mercado.
A escassez de recursos e de vontade política reflete um saber desengajado da realidade, de representantes políticos á instituições ambientais ligadas ao governo. O antropólogo Tim Ingold argumenta que o conhecimento deve ser gerado com o mundo (no habitar e no caminhar atentamente), e não sobre ele de forma isolada. Para romper esse ciclo tecnocrático, o pensador quilombola Nego Bispo propõe a "contra-colonização" e a "confluência": substituir a exploração linear pelo respeito aos saberes tradicionais. A preservação real exige financiar práticas que restabeleçam nossa relação orgânica com a Terra, e não empilhar relatórios.