Movimento de Mulheres do Projeto Popular
"Vem pra luta mulherada
vamo se organizar
Canta forte, canta alto
Que a vida vai melhorar
vem juntinha com as Amélias
Na luta vamos entrar
Pro direito das mulheres
Junto com a gente avançar"
Natal/RN - Brasil O movimento que veio a tornar-se Amélias: mulheres do projeto popular, surgiu em 2013, quando algumas mulheres resolveram se auto-organizar para c
onstruir um feminismo popular no Rio Grande do Norte. Em fevereiro de 2015, num momento de acolhimento das novas companheiras e de planejamento da nossa agenda de lutas para o ano, sentimos a necessidade de batizar o nosso movimento com um nome que representasse a diversidade das mulheres do projeto popular, que nos inspirasse para a luta e que nos apresentasse de forma dialógica às mulheres dos mais variados territórios. Sabemos que houveram muitas mulheres resistentes e lutadoras em nosso estado, que não se conformaram com seu lugar de subjugadas e que dedicaram sua trajetória à luta pela transformação e justiça social, sendo por isso perseguidas e pagando tantas vezes com a própria vida. Mulheres que foram apagadas da historiografia oficial e hegemônica potiguar e que merecem ser lembradas para que integrem nossa memoria e nos inspire a superar essa sociedade desigual e sexista. Foi pensando nesse resgate, que trouxemos para o encontro alguns nomes de lutadoras norte-rio-grandenses, como Anatália Alves, Ligia Maria, Leonila Felix, Luiza Gomes, Chica Pinote, Chica Gaveta e Amélia Reginaldo. Esta ultima, com destaque na organização de mulheres pela União de Mulheres do Brasil as quais fardadas e armadas participaram do levante que invadiu o 21 Batalhão de caçadores do exercito, tomando o poder e instaurando um governo revolucionário de cunho socialista durante 4 dias no Rio Grande do Norte, momento histórico conhecido como Intentona Comunista. Depois disso, passou 3 anos vivendo na clandestinidade, sendo perseguida pela Ditadura Vargas como subversiva e imoral. Amélia, nome que em muitos dicionários aparece como "aquela que serve". Que permeia o imaginário popular como "sinônimo de mulher feia; burra; submissa". Nos surpreendeu descobrirmos em nosso estado uma lutadora com nome tão estigmatizado. Uma mulher que não se conformou com os ditames de uma sociedade patriarcal, conservadora, opressiva. Uma mulher que dedicou parte de sua vida a organização feminina com outras mulheres. Que pegou em livros e tornou-se educadora por desejar uma mudança cultural na sociedade e que pegou em armas e lutou por mudança política e pela revolução social. O nome dessa companheira nos fez refletir sobre as nossas próprias submissões e resistências, e as de tantas outras mulheres, pretas, índias, brancas, lésbicas, trans, oriundas de diversos meios sociais. Marias, Silvas, Amélias. Nós, mulheres que - em maior ou menos grau de opressão e submissão - somos todas vitimas de uma sociedade patriarcal, ra***ta e excludente. Somos todas Amélias. Mas podemos ser mais, e é com esse nome que representa toda a estereotipação, humilhação e submissão que sofrem as mulheres, que nos assumimos enquanto movimento que luta e reivindica direitos. É por transformação social, é por mudança nas nossas vidas. É pela vida das mulheres! Desse modo, nos afirmamos Amélias, mulheres que sofrem mas, sobretudo, que resistem e lutam! E assim seguimos na construção de um projeto feminista e popular para o brasil!