27/04/2012
"Não adianta falar em combater o racismo se quem ensina nossos jovens nas escolas e universidades ainda são profissionais que reproduzem a lógica ra***ta. Se os publicitários colocam a beleza branca como padrão nos meios de comunicação, os produtores culturais não valorizam a cultura afro. Estes profissionais precisam ser grandes colaboradores na luta dos negros e negras. Precisam SER negros e negras. Eu não estou satisfeita com menos de 1% dos professores universitários negros que nós temos hoje no Brasil. Não estou satisfeita com a cota do "neguinho" na propaganda de fralda. Também não me sinto contemplada com o extermínio da juventude negra, com o moleque branco ser tratado como "usuário" e o negro como traficante, apanhar da polícia, não ter respeito. Também não aguento mais bonecas brancas de olhos azuis nas prateleiras das lojas de um país mulato. Também não fico feliz em não poder frequentar Ponta Negra à noite sem ser tratada como pr******ta, nem acho correta a reprodução da visão eurocêntrica nos livros de história, Princesa Isabel ser tratada como he***na e Zumbi dos Palmares receber uma figurinha no canto da página lembrando da sua existência. Não gosto de não conhecer os heróis negros da história e não me agrada ver as empregadas domésticas e ladrões negras e negros nas novelas, mesmo sabendo que é um fiel retrato da nossa realidade. Eu não fico feliz em perder uma oferta de estágio mesmo com um currículo mais rico porque a concorrente era branca. Continuo me horrorizando com a falta de humanidade dos médicos que deixam as mulheres negras serem atendidas por último em situação de parto, porque "elas aguentam mais". Por esse tipo de coisa, amigos, os brancos não vão passar, eu garanto. E ISSO TUDO precisa ser mudado. Eu não quero essa realidade para o meu país. Eu não me conformo com essa realidade. E SIM, eu vou reivindicar cota para entrar na universidade. Não porque eu acho q não tenho capacidade intelectual de passar sem ela, mas porque esse é um direito conquistado com muita luta do povo negro, do meu povo, do povo que derramou sangue na construção desse país, e ainda assim, é tratado como menos, como feio, como nada. Precisamos entrar nas universidades. Mais do que isso: as universidades precisam de nós. !"
Larissa Lorena, 19 anos, estudante secundarista do IFRN, negra.