25/09/2024
Diga não ao “bullying eleitoral”
• Sérgio Nunes
O eleitorado brasileiro vem assistindo, até com certa cumplicidade, a onda de violência física e psicológica que tem ganhado popularidade nos palcos dos pseudodebates em algumas campanhas eleitorais nesta sucessão municipal.
Recôndito sob o manto da era da liberdade desmedida, o famigerado “bullying” ganha compadrio de quem deveria combater as agressões em toda sua espécie, incluindo as verbais.
Quando um candidato passa a defender seu mandato ou sua campanha por meio de ataques, zombarias e achincalhamentos ao adversário, ele institucionaliza e difunde a permissividade a um problema endêmico, além de demonstrar seu caráter, comportamento antissocial e dificuldades para respeitar a individualidade do semelhante.
A campanha política não é, ou não deveria ser, como o palco de um circo, por isso, o “bullying eleitoral”, não deve ser tolerado pela população quando praticado por assessores, coordenadores, militantes, cabos eleitorais e, deve ser combatido com veemência quando partir do próprio candidato, uma vez que dele certamente haverá de advir outras atitudes violentas e reprováveis.
Os debates de campanhas perderam a essência e se tornaram ainda mais vazios quanto a propostas e projetos, se transformando em apenas um meio de se fazer gracejos para angariar a simpatia pelas vias da humilhação do outro.
Debochar das características físicas ou psicológicas de um adversário, de seu jeito de falar e de ser parece engraçado, mas é exatamente esse comportamento que a sociedade diz estar combatendo em intensas campanhas difundidas pelos meios de comunicação.
Afinal, o político adulto chacoteador de hoje não seria o mesmo zombeteiro que ontem praticava bullying com os colegas do banco escolar, da família, da igreja, nos grupos sociais lhes causando dor e angústia? Sim, e seu comportamento certamente irá afetar aquele que sofre a violência, bem como a família deste, mas a situação piora, também, por causa de liderança negativa que estimula seus partidários a chafurdarem no mesmo lamaçal dos que se divertem ao ofenderem ou verem ofendidas suas vítimas.
Dessarte, o eleitor não deve ser cúmplice dos que praticam o bullying, fazendo de seus discursos uma arma para ridicularizarem o adversário por causa de hábitos, características físicas, sexualidade e maneira de ser.
A campanha precisa ser um debate de ideias e propostas, não uma arma para que as vítimas sejam ridicularizadas e intimidadas por meio do bullying eleitoral.
• Sérgio Nunes é jornalista, professor, teólogo e advogado com formação da UFMS.
(autorizada a reprodução)