14/11/2017
ACONTECEU HOJE (10/11/2017 – Monte Santo, UPA)
De passagem na cidade de Monte Santo, sexta-feira última passada, fui chamado por um colega para opinar sobre o atendimento de um paciente que sentiu uma dor torácica súbita, deu entrada na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) e evoluiu em poucas horas para choque circulatório (ausência de “pressão” arterial e de pulso).
Mais uma vez presenciei o quanto NADA a vida humana vale para o Estado:
Encontrei o paciente em uma cama comum de hospital (sem possibilidade, por exemplo, de inclinar devidamente) – quando ele deveria estar em acomodações adequadas para a gravidade do caso;
o monitor que o servia estava QUEBRADO e era o único do hospital, não era possível monitorizar as batidas do coração;
não havia respirador artificial (não tinha como manter o paciente devidamente ventilado);
não havia a possibilidade imediata de dosar enzimas cardíacas para saber se era um infarto do miocárdio, o laboratório dali não faz esse exame;
não havia sequer bomba de infusão, máquinas baratas que infundem medicação em quantidades precisas (dr**as para manter o paciente vivo naquelas circunstâncias, precisam de gotejamento automático... não tinha);
o local não tinha ar condicionado – seria pedir demais?!...
não havia NENHUMA condição de manter o paciente vivo naquelas circunstâncias.
Quando aconselhei transferi-lo imediatamente, ouvi dos colegas que, naquele momento, não dispunham de ambulância para tal (pouquíssimas, estavam em trânsito).
Perguntei porque não o transferiram logo que chegou (cerca de 6 horas atrás), posto que chegou andando, embora grave. Responderam o que eu já sabia: não encontraram vaga, teriam que aguardar a famigerada “REGULAÇÃO”, se eles levassem o paciente NA RAÇA para Feira de Santana ou Salvador (locais onde há possibilidade técnica para atendimento) – o que denominam “VAGA ZERO”, iriam bater com a cara na porta, ficariam com o paciente em condições piores do que ele estava naquele quarto de UPA, ficariam co