05/05/2026
Manifestamos nosso repúdio à condenação imposta pela 4ª Vara Criminal Federal de São Paulo a José Maria de Almeida, presidente nacional do PSTU. A sentença de dois anos de prisão em regime aberto, motivada por discurso público de denúncia aos crimes de guerra cometidos pelo Estado de Israel contra o povo palestino, é um grave atentado à liberdade de expressão e à solidariedade internacional.
Ao pretender tipificar como crime a crítica ao colonialismo e ao apartheid israelenses, o judiciário brasileiro alinha-se a uma ofensiva mais ampla de perseguição política a militantes, ativistas, jornalistas e organizações que se opõem ao genocídio em Gaza, mundo afora.
O Estado de Israel, enquanto estrutura nacional-territorial fundada sobre a expropriação, a segregação racial e o controle militar permanente, constitui uma expressão contemporânea do colonialismo. Criticar esse Estado, defender seu fim como entidade política baseada na supremacia étnica, e lutar por uma Palestina livre de toda dominação não equivale, de forma alguma, a atacar o povo judeu. Como já explicitado pelo próprio Zé Maria ao evocar o paralelo com o fim do apartheid sul-africano, essa distinção é elementar para qualquer perspectiva anticolonial e antirra***ta.
A condenação de Zé Maria inscreve-se em uma estratégia judicial promovida por entidades sionistas que buscam equiparar a crítica ao sionismo — ideologia política ra***ta e de extrema-direita — a uma suposta incitação ao ódio religioso ou étnico. Essa estratégia visa não apenas silenciar vozes isoladas, mas desmobilizar o movimento de solidariedade internacional ao povo palestino e criminalizar a própria denúncia do genocídio.
Enquanto isso, sob o silêncio das autoridades brasileiras, militantes e ativistas brasileiros são sequestrados em missão de solidariedade da Flotilha Global Sumud, que passava ainda por águas internacionais, e portava apenas suprimentos e insumos de vida para Gaza. Dentre 175 sequestrados estavam os brasileiros Mandi Coelho, do PSTU, e Thiago Ávila, que segue mantido em isolamento total.
Defender o povo palestino é um dever humanitário, não um crime. Crimes são o genocídio, o apartheid, a ocupação militar, a destruição de casas e hospitais, o cerco coletivo a uma população civil, sequestros e prisões políticas, promovidos por Israel. A decisão judicial contra Zé Maria se insere como um avanço a perseguições que já aconteceram com outras figuras como Breno Altman, Soraya Misleh, Mohamad el Kadri, Rawa Al-Sagheer e o centro cultural Al-Janiah.
Pelo fim de todo Estado colonial, ra***ta e genocida!
Palestina Livre!
Solidariedade Zé Maria e a todos que denunciam os crimes de guerra de Israel!
Liberdade imediata para os ativistas da Flotilha Global Sumud!
Contra a repressão judicial, organização e luta internacionalista!
Organização Socialista Libertária
Maio de 2026