Psol Mocajuba - PA

Psol Mocajuba - PA Partido Socialismo e Liberdade - Mocajuba Pará

31/03/2021

Deputada Federal Vivi Reis PSOL PA!

Tem um recado pra você de Mocajuba!

Venha fazer parte do PSOL

Aqui as lutas se encontram!!!

Aqui a lutas se renovam!!!!

17/03/2021

A CONSTRUÇÃO COLETIVA DE PROJETOS DE GOVERNO DO MUNICÍPIO

Existe todo um conjunto de possibilidades de pensarmos, construirmos e trilharmos caminhos de construção coletiva de projetos de bom governo para nossos municípios. É sobre estas possibilidades – ou pelo menos sobre certa perspectiva delas – que proponho discutirmos e refletirmos juntos. O que significa, de antemão, termos em mente e em mira que estas possibilidades não se esgotam no que podemos pensar e hoje vislumbrar e construir. Mas, trata-se de, fundamentalmente, encontrar ou construir Alternativas políticas.
O esvaziamento das noções e discursos de Alternativa e Mudança política e as contradições que caem aquelxs que se propõem representa-las, leva ou deveria nos levar a sermos mais cautelosos e questionarmos sempre em que sentido a alternativa e a mudança que defendemos é realmente alternativa e mudança. A Alternativa não está apenas no reconhecimento dxs que se propõe como tal; nas principalmente na maneira como os Outros podem nos reconhecer no contexto das disputas políticas. Penso que o caminho da construção de Alternativa, para quem defende projetos coletivos de mudanças efetivas nos modos e modelos de gestão pública, é bastante acidentado, incerto e permeado de inevitáveis desvios. Se não assumirmos isso logo de partida corremos o risco de essencializar e mistificar estas palavras ou torná-las simplesmente artefatos de marketing político.
As questões que apresento aqui, para nossa reflexão e diálogo, passam por: 1) levantar algumas problematizações aproximativas quanto a construção coletiva de projetos de bom governo do município; e 2) suscitar nossa imaginação sobre indicações iniciais ou parciais (esboços) de proposições discursivas e práticas que encaminhem estratégias partilhadas de ações programáticas. Desse modo, a intenção é, primeiro, colocar alguns problemas, para grupos minoritários como os nossos, de construção comum e depois tentarei expor algumas linhas de ação que se abrem ou podemos vislumbrar num contexto local de enfrentamento desigual com grupos e forças políticas dominantes. Isso significa um entendimento de que as ações partidária e política, geralmente, se sobrepõem, mas não podem ser confundidas ou não são redutíveis umas às outras; e, também, compreendermos que o pequeno número de pessoas que atuam conjuntamente não é um entrave às ações políticas. Todas as grandes mudanças históricas começaram com poucas pessoas. Porém, pessoas empenhadas apaixonadamente em realiza-las. Pessoas atuando em um momento em que culminou, digamos, uma longa preparação histórica, resultado de experiências nem sempre exitosas. E, talvez, nós ainda sejamos os agentes dessa longa preparação das mudanças. Nós fazemos parte também desta preparação. Talvez as atuais condições nos permitam abrir alguns caminhos e ensaiar alguns passos adiante no rastro dos que vieram antes de nós.
Então, vamos primeiro às problematizações. Vou colocar apenas três. Não digo que são as mais importantes, mas são as que tenho mais visualizado ao longo da minha militância político-partidária e a partir da análise do contexto atual. Temos, 1) um problema de organização; 2) um problema de comunicação e 3) um problema de formação. Organização, comunicação e formação se entrelaçam de maneira complexa, só separei aqui para fins de apresentação. A ideia que vou defender é a seguinte: para construirmos projetos coletivos de bom governo para o município enfrentamos problemas relacionados a nossa capacidade de organização político-partidária e social, organização dos segmentos populares; bem como esbarramos em obstáculos relacionados aos meios e formas de comunicação entre nós e com a população em geral, sendo que muitas das experiências organizativas e comunicativas acabam sendo abandonadas, pois não conseguimos formar as novas gerações para dar continuidade a estas experiências.
A própria lógica e horizonte temporal do jogo eleitoral, ou a centralidade que atribuímos às eleições, acaba sendo, até in-certo ponto, um entrave para o pensar e construir projetos coletivos de governo. Temos hoje ao menos um esboço ou uma ideia de projeto coletivo de governo para Cametá? Como temos construído este projeto? Quais são as linhas básicas de sua orientação e sustentação? Ou acreditamos que basta ganhar as eleições municipais para realizar este projeto? Em que sentido este é realmente coletivo? Quais são as experiências e possibilidades de construção coletiva de projeto de governo que podemos vislumbrar? E quais temos explorado?
A questão mais importante talvez seja: como podemos construir um projeto democrático de governo do município sem conseguir construir/organizar democraticamente os partidos e as organizações sociais de que fazemos parte? Nossos partidos e organizações ainda são fragilmente democráticas. E não porque não organizamos eleições internas para eleger periodicamente os que devem geri-los. Os nossos partidos são muitos mais des-organizados pela reprodução de caciquismos, sectarismos, hierarquias, centralismos e outras práticas viciosas e nocivas que reproduzem, em vários sentidos e níveis, uma organização antidemocrática. A nível local temos este imenso desafio de nos organizarmos partidariamente (mas não apenas) de forma muito mais democrática. Evitando que nossas lideranças degenerem em centralismo e que nossas discordância e conflitos se convertam em sectarismo. A divisão em grupos internos, que disputam posições dentro do partido, fragiliza muito mais os partidos ditos de esquerda quando não conseguem se aliar em torno de um projeto coletivo, mas tão somente do propósito comum de ganhar eleição. Sei que sem ganharmos as eleições temos poucas possibilidades de pôr em prática um projeto, mas sem projeto temos menos ainda chances de, apenas ganhando a eleições, promover as mudanças que as pessoas esperam e aspiram.
Os mesmos problemas da fragilidade democrática de nossas organizações partidárias encontramos nas organizações sociais. Nossa participação em Associações, Sindicatos e Movimentos sociais devem buscar promover a maior democratização desses espaços coletivos. Vejam como isso é tão frágil que facilmente as pessoas dessas organizações que participam dos Conselhos Municipais se deixam cooptar, manipular ou são impelidas muitos mais por interesses individuais e particularistas. Disputamos os conselhos municipais para quê? E o que temos feitos nestes conselhos que representam avanços ou ganhos na democratização das relações que se estabelecem entre gestores públicos e a população? De que maneira podemos tornar estes espaços de participação popular e controle social realmente espaços participativos, a partir das organizações das quais fazemos parte?
Na maioria das vezes, realmente, nossa noção do que é a democracia é muito restrita. Não são somente as periódicas eleições internas dos dirigentes partidários e demais organizações sociais que promoverá uma maior democratização de nossas organizações. O que vemos é que nestas acabam se reproduzindo as práticas viciosas da cultura política comuns às eleições municipais, até mesmo naturalizadas por estas. Eu tenho cansado de ouvir muitxs de nossxs colegas dizer que não adianta nos pormos contra elas; que precisamos aceita-las; que não ganharemos eleições se não acatarmos estas práticas; que o povo está acostumado com isso e não podemos mudar isso. Será que não podemos superar estas práticas tão naturalizadas que apenas beneficiam aquelxs com poder econômico e tradicional influência política?
É fácil reconhecermos que nossas organizações partidárias e sociais são frágeis democraticamente; o difícil é saber como podemos nos organizar de forma mais democrática. Existem estruturas legitimadas, consolidadas, estabelecidas e estabilizadas em prática tradicionais das oligarquias que interditam e esvaziam ações democráticas intra e extrapartidárias. Somos mais democráticos nos discursos que em nossas práticas concretas. Se o PSOL, que somos nós – partido são antes de tudo pessoas –, não conseguir se organizar, ao menos a nível local, de forma mais democrática, como poderá construir coletivamente projetos democráticos de governo do município? Pois estes projetos não podem ser construídos para xs Outrxs, mas tão somente com aquelxs que devem ser xs protagonistas das mudanças.
O problema da organização se volta tanto para dentro como para fora do partido. Não sejamos ingênuos: somente a organização partidária não é suficiente para realização das mudanças que buscamos. Mas, sejamos também humildes em reconhecer, que não existe soluções ou respostas fáceis e simples para este problema. É um problema que exige um imenso esforço coletivo de todxs em promover a radicalização das relações democráticas em todos os âmbitos sociais. Não é apenas elegendo periodicamente dirigentes partidários que o partido se tornará mais democrático. Disso temos já uma longa experiência. E sabemos seu resultado. Outros caminhos, meios, instrumentos e habitus precisamos construir na relação que estabelecemos uns/umas com xs outrxs no/com/através do partido e outras organizações.
Este problema é inseparável aqui do que chamei de problemas de comunicação. É preciso entender que as eleições são um meio e não um fim; que se ganha a eleição ganhando votos, mas isso não garante a construção e efetivação dos projetos coletivos de governo, muito menos a continuidade. As pessoas são informadas e desinformadas, formadas e deformadas atualmente muito mais pelos meios de comunicação de massa. O poder de comunicação é um poder político essencial. Estratégias de marketing comunicativo para meros fins eleitorais não vai nos permitir construir coletivamente projetos coletivos de bom governo para o município. Isso, então, nos coloca o desafio de estabelecermos formas mais horizontais, abrangentes e dialógicas de comunicação com diferentes pessoas, em suas variadas situações sociais, econômicas, políticas, culturais, religiosas etc. Como e com quem conseguimos estabelecer um melhor diálogo? Com base em que devemos e podemos estabelecer este diálogo construtivo? Quais meios de comunicação temos mobilizado ou podemos mobilizar? De que maneira estes meios de comunicação podem ser por nós apropriados positivamente?
Não importa apenas o meio de comunicação, mas a forma de nos comunicarmos politicamente com diferentes pessoas, principalmente aquelas que vivem as situações sociais de maior privação, exclusão, discriminação, marginalização, vulnerabilidade e precarização da vida. Não se trata de chegarmos até xs eleitorxs ou de fazermos chegar até elxs “nossas” ideias. Nem se trata da velha pretensão de “conscientização” dxs outrxs. O que importe é com que, com quem e como dialogamos em vista de potencializar, disseminar e aprofundar formas coletivas de organização, mobilização e ação social.
A questão também não é apenas do domínio dos meios de comunicação de massa pelas elites locais (como a rádio e a tv), mas também a manipulação realizada por meio das fakenews pela internet. Precisamos certamente nos apropriar melhor da Internet para nos comunicarmos politicamente com a população que tem acesso, mas antes de tudo é preciso que saibamos como falar, dialogar positivamente com segmentos específicos da população: juventude, mulheres, funcionários públicos, quilombolas, docentes, pescadores, trabalhadores autônomos, mototaxistas, ribeirinhos, trabalhadorxs rurais etc. A partir das especificidades, demandas e anseios desses grupos sociais e suas formas de organização. Outra vez é preciso dizer que não há receita para isso. Sabemos apenas que sem esta capacidade de diálogo plural e horizontal não conseguiremos construir coletivamente projetos de governo capaz de repercussão eleitoral e política expressiva.
O fundamental é que possamos experimentar várias formas de comunicação, criar vários espaços comunicativos e momentos de diálogo, promover ações comunicativas em várias escalas. Por exemplo, promover a criação de rádios comunitárias e/ou online; criar canais de comunicação entre as diferentes organizações sociais; estabelecer meios permanentes de denúncia, reinvindicação e apresentação de problemas e demandas sociais através de vídeos, paródias, músicas, teatro, danças, exposições etc. Mas, para que tais ações tenha algum efeito ou ganho político e eleitoral é preciso que partidariamente estejamos organizados o mais democraticamente possível. A comunicação é também um meio e âmbito de democratização das organizações sociais de que participamos.
O terceiro problema diz respeito a como estabelecermos uma linha de continuidade entre as ações coletivas e formação de lideranças políticas. Talvez devamos problematizar esta ideia de formação de lideranças, pois precisamos muito mais é de formação de coletivos. A questão envolve tanto a necessidade de criar maior autonomia para que as pessoas possam desenvolver por si só ações comunitárias ou coletivas, sem precisar de nenhuma tutela; quanto também no sentido de renovar continuamente nossas “lideranças” político-eleitorais, criando mais oportunidades de formação política para as novas gerações. Nós temos lideranças comunitárias ou de grupos que se converteram em lideranças político-partidárias, mas não foram necessariamente formadas para isso.
Nós aprendemos com os outros e outras a agir politicamente, por isso xs mais jovens precisam ser ensinados ao mesmo tempo que aprendemos com elxs. Mas, isso tudo implica pelo menos duas ações coordenadas: a busca da autonomia das ações coletivas por nós incentivas e/ou promovidas e a formação de coletivos políticos e novas gerações. Eu coloco isso como um dos principais problemas para a construção coletiva de projetos de governo para o município. Porque parece claro para nós “como tem que ser”, mas também ainda não fomos capazes de apresentar respostas e soluções efetivas a longo prazo. Também penso que estas respostas e soluções dependem de experimentar várias formas de promoção da autonomia e da formação política. Uma formação que não seja a imposição de “quem sabe” sobre “quem não sabe”.
Parece-me que ainda não encaramos este problema de forma sistemática ou programática. Nós temos lidado muito espontaneamente com este problema ou deixado a cargo de outros. A escola, por exemplo, não promove formação política nem autonomia de ações coletivas. A igreja católica fez durante um tempo uma certa formação política, muitos de nós somos resultado dessas. Mas faz tempo que deixou de fazer. Os Sindicatos também não parecem ter esta preocupação. As igrejas evangélicas, em sua maioria, têm criado o contrário: grupos tutelados, manipulados, despolitização, com pensamento e atitude conservadora. As Universidades públicas ainda estão muito longe de promover sistematicamente formação política neste sentido. E nós, através dos partidos ditos progressistas, o que temos feito? O que podemos fazer para que ações coletivas tenham continuidade e possamos garantir para o futuro novos sujeitos políticos mais críticos, comprometidos e atuantes para efetivação de relações sociais democráticas? Também aqui é difícil dizer o que podemos fazer ou o que dará certo. Mas, penso que seja um problema que devemos enfrentar com maior vigor.
Para não ficarmos só nos problemas, proponho que pensemos algumas indicações práticas, ainda que parciais, para construirmos coletivamente projetos de bom governo para o município. Entendam como indicações o que vou sugerir. De modo algum pretendo que seja alguma espécie de receituário ou caminhos garantidos e seguros. Essas indicações dependem da maneira como enfrentaremos ou daremos respostas aos problemas de organização, comunicação e formação, entre outros. Mas, antes, penso que seja necessário deixar claro o que entendo por projeto coletivo de governo. E por que é importante construirmos coletivamente projetos políticos de governo do município.
Todos nós temos uma ideia de como o município pode ser melhor governado. Pode ser que não em sua totalidade, mas em certos aspectos ou âmbitos da gestão pública municipal com que temos mais contato, certa experiência e conhecimento. Melhor governado no sentido de oferecer serviços e desenvolver políticas públicas que atendam as pessoas que destes mais precisam no município. A gestão pública de um município apresenta estes dois âmbitos principais: dos serviços públicos básicos que deve oferecer a população e das políticas públicas que precisam ser implementadas para que determinados problemas sejam minimizados ou, idealmente, superados. Claro, isto demanda gestão de recursos financeiros, infraestrutura material e equipamento, profissionais qualificados para cargos públicos, fiscalização social etc.
Este conjunto de ideias e proposições que ao longo do tempo fomos formando de como um município pode ser melhor governado, para o bem de todxs, quando partilhado por um conjunto de pessoas capazes de agir em comum, e que se propõe a implementá-las na gestão pública, formam projetos coletivos de governo. Um conjunto de pessoas, mais ou menos unidas e organizadas, têm buscado garantir que o governo assegure o direito das pessoas. Isso significa que, buscam fazer com que o município seja governado de forma mais participativa, equitativa, democrática, transparente, com serviços públicos de qualidade e políticas públicas que garantam o aumento da qualidade de vida e a justiça social. Alguns desses projetos até chegaram a ser implementados de algum modo em nossos municípios. Alguns continuam sendo divulgados e promovidos publicamente com alguma adesão. Outros não conseguiram se concretizar. Temos assim diversos discursos e experiências de projetos coletivos de governo do município, sendo que poucos são formulados claramente e lograram ganhar o espaço do Estado.
Então, primeiro, um projeto coletivo de governo não busca responder aos interesses particulares ou oligárquicos. O modo de governar das oligarquias constituídas demonstra um certo aparelhamento do Estado para garantir privilégio e só tangencialmente, ou quando muito pressionados, atendem a direitos. Ainda que não tenha uma formulação definida, um projeto coletivo de governo é um conjunto de concepções e propostas de gestão pública que se alinham com interesses, necessidades, demandas e aspirações de grupos sociais desprivilegiados. Visam promover ações programáticas de ampliação e melhoria de serviços e políticas públicas, potencializando os recursos disponíveis e criando novas oportunidades de melhoria das condições de vida das pessoas. Porém, esta definição geral, deixa a descoberto duas coisas importantes: 1) projetos coletivos de governo são plurais e construídos por uma pluralidade de pessoas (com ideias, propósitos, crenças, valores e interesses diversos); 2) e, portanto, o “coletivo” que constitui o projeto não é um grupo formal, estável e coeso.
Um projeto coletivo de governo se apropria das experiências e heranças políticas progressistas e abre-se para a emergência de novos desafios e possibilidades de construção do novo e da mudança. Mas, seu núcleo ou espinha dorsal está sempre no que podemos fazer juntos, diminuindo as distâncias entre xs que governam e xs governadxs. Ele, em si, é sempre um processo de aprendizado, posto em prática no dissenso, no conflito, na contraposição de perspectivas diversas. Não formulamos um projeto de governo com antecedência e depois pomos em prática quando alcançamos eleitoralmente o governo do município. Ele é um projeto posto em prática a partir do momento que agirmos conjuntamente em vista de um propósito comum. E cada passo deste agir em comum implica sua construção prática. Sem o processo continuo de debate de ideias, colocação e análise de problemas, elaboração e discussão de propostas, invenção e mobilização de estratégias, coordenação de ações, experiências de diálogo e prática coletiva não se constrói coletivamente um projeto de bom governo do município. Ele até pode ser expresso depois num Programa de Governo com fins eleitorais, mas o lugar em que se inscreve é nas pessoas, nas suas relações e práticas, nos seus sonhos e buscas de justiça social.
A importância de um projeto de governo coletivamente construído está em que não é apenas uma pessoa que o representa ou deve realiza-lo. Sua importância está em que constitui uma base comum do discurso e da ação transformadora, redefinindo nossas relações uns/umas com xs outrxs, nossas organizações e instituições. Se um projeto de governo coletivamente construído não for capaz de mudar a maneira como pensamos, agimos, falamos, nos relacionamos uns/umas com xs outrxs e como governamos, então não tem um sentido democrático, popular, progressista, plural, inclusivo, aberto, flexível... Ele não é feito por nós para as outras pessoas para quem pensamos governar, ele é feito com as pessoas sem as quais não podemos governar. Cada pessoa com quem conversamos e interagimos de maneira construtiva se torna protagonista do projeto de governo que queremos e precisamos. Mas, como toda construção coletiva, esta implica limites, incertezas e problemas crescentes. Porque não se baseia simplesmente em um consenso ou convencimento a respeito de como deve ser o governo, para ser bom para todxs; ele se faz com disputas e cooperações provisórias e estratégicas; com negociações e conflitos inelimináveis; com posições, oposições e convicções partilhadas; com paixões e interesses nem sempre concordantes e conciliáveis. Agir em comum acordo com xs outrxs para o que julgamos ser o “bem de todxs” é sempre sem garantia e parcialmente realizável.
Agora, vamos às indicações (na palavra se une a ideia de índice, indício e de dica de ações) para que possamos levar adiante este movimento, no qual há tempos muitos de nós já estamos envolvidos, de diferentes maneiras, de construção coletiva de projetos de bom governo do município. Vou procurar expor de maneira bastante sumária, para que possamos dialogar.
1. Promover, organizar e sistematizar experiências e diálogos com diferentes pessoas e grupos sociais. Um projeto de governo depende do conhecimento e da experiência de muitas pessoas. Mas, nós que temos a intenção de mudar o modo de governar o município temos que criar os meios e as oportunidades para que possamos aprender uns/mas com xs outrxs, tornando esta aprendizagem mais concreta, quer dizer, procurando sempre que possível dar forma a ela. Por exemplo, quais são os problemas da saúde do município? Como o serviço público municipal de saúde pode resolve-los? Nas conferências municipais discutimos problemas e soluções, mas isso envolve preconcepções de saúde, de serviço público, de problema etc. Em que valores os gestores públicos se apoiam para promover mudanças efetivas no serviço e na política pública de saúde? A gente tem que provocar um outro diálogo, constantemente discutir o que fundamenta a ação política governamental; os princípios éticos, sociais, existenciais, ideológicos... de nossos propósitos coletivos de governo.
2. Criar espaços de experiências de ações comunitárias e de grupos, promovendo projetos em pequena escala, que possam ser modificados, aprimorados e ampliados. Não precisamos primeiro ascender ao governo para testar a eficácia de nossas ideias ou propostas. Algumas podem ser postas em prática como forma de experimento, de ensaios, de experiências... nos possibilitando depois torna-las mais eficazes a nível municipal. Criar uma horta comunitária, por exemplo, fazendo com que a associação de um bairro ou de uma comunidade a mantenha por si mesma é possível e pode nos proporcionar espaços construtivos de novas ideias. Já fizemos isto, mas não teve continuidade e não modificou a prática das pessoas. O que aprendemos com estas experiências fracassadas?
3. Levantar, organizar, sistematizar e divulgar informações a respeito da gestão do município, discutindo com grupos específicos seus problemas, limites e possibilidades. Como funciona e deveria funcionar órgãos públicos responsáveis por ofertar e manter determinados serviços públicos no município? Nós até podemos apresentar para as próximas eleições bons/boas candidatxs a prefeitx e veredadxr, que tenham reais chances de ganhar as eleições, mas elxs podem ser péssimos gestorxs se não tiverem o mínimo conhecimento de como funciona na prática a gestão pública do município. Todas as pessoas precisam ser informadas de como deveria funcionar a gestão pública.
4. Investir no processo de construção do projeto e não esperar um produto acabado. Para que este processo seja produtivo necessita do desenvolvimento de mecanismos de articulação entre diferentes organizações sociais do município. O que acontece é que na maioria das vezes estes agem de forma isolada ou paralela, às vezes visando os mesmos objetivos. Como podemos criar formas de articular lideranças populares, movimentos sociais, organizações, sindicatos, associações etc. em torno de ações coletivas? Ou, será que os interesses particulares e político-eleitorais estreitos sempre vão falar mais alto e desuni-los? Muitas vezes se encontram nos eventos que uma ou outra promove, que a igreja, a universidade ou o poder público promove. Mas estes “encontros” esporádicos não resultam em articulações consistentes. Não se trata de construção uma unidade, mas construir formas mais permanentes de mobilizações e articulações conjunta em torno de um projeto comum. Penso que precisamos identificar objetivos concretos, mais tangíveis, para que estes encontros ou outros que possamos promover resultem em articulações positivas e produtivas.
5. Por último, uma outra indicação, talvez nem tanto programática, passa pela construção de linhas básicas do que podemos chamar de política de aliança. Geralmente deixamos isso para véspera do processo eleitoral. Mas não deveria ser assim. Estou pensando a aliança em um sentido de que é possível projetos coletivos diferentes serem conciliados em um propósito comum. Não se trata apenas de aliança com pessoas, grupos, partidos ou organizações para fins eleitorais. Mas, de criar alianças de projetos coletivos. Esta é bastante complicada, como tudo que envolve a participação direta nas eleições. A maioria das pessoas tem uma opinião formada sobre o que é preciso para ganhar uma eleição. Mas teria dificuldade em explicar o que é necessário para melhor governamos o município. Ainda que tenha também uma opinião formada sobre o que devemos fazer para resolver determinado problema público ou social. Acho que devemos assumir uma postura mais humilde e aberta a múltiplas perspectivas. Mesmo assim, não podemos participar das eleições de qualquer maneira, nem seguindo o receituário aceito pela maioria dos partidos. Então, como chegar nas eleições com reais chances de ganhar e com condições de fazer um bom governo se eleitxs? A construção coletiva do projeto de governo deve ser a base para uma política de aliança promovida muito antes do ano eleitoral. Por isso é preciso discutir muito como estas podem ser feitas sem comprometer o projeto coletivo.
Nesta apresentação tentei discutir a construção coletiva de um projeto de governo do município, a partir de três conjuntos de problemas que temos enfrentados: o da organização, o da comunicação e da formação. Estes nos colocam desafios enquanto grupos minoritários (ou não-hegemônicos) e, ao mesmo tempo, nos abrem possibilidades de re-inventar discursos e ações político-partidárias no município. Também trouxe para reflexão e discussão cinco indicações programáticas para construção coletiva de um projeto de bom governo, passando pelo aprender com outras experiências, de outros tempos e lugares; promover ações e ensaios em pequenas escalas; conhecer melhor os meandros funcionais, legais, práticos da gestão pública; articular as organizações e movimento sociais locais de maneira mais constante, consistente e condizente com propósitos comuns e definir linhas de alianças estratégicas para as eleições com antecedência. Espero que essas pequenas inquietudes possam contribuir para o debate e a construção de novos horizontes de sentido e ação política transformadora para o bom governo do município.

Edir Augusto Dias
PSOL-Mocajuba

Este Texto foi construído para o Seminário de Planejamento do PSOL-Cametá realizado no dia 06 de Fevereiro de 2021.

14/03/2021
A filiação partidária é um direito de cidadania e uma opção de protagonismo político.Vem pro PSOL!Aqui todas as cores se...
12/03/2021

A filiação partidária é um direito de cidadania e uma opção de protagonismo político.

Vem pro PSOL!

Aqui todas as cores se encontram!!!

LIVE DE LANÇAMENTO DA CAMPANHA DE FILIAÇÃO DO PSOL MOCAJUBA!É com imenso prazer que o Partido Socialismo e Liberdade de ...
11/03/2021

LIVE DE LANÇAMENTO DA CAMPANHA DE FILIAÇÃO DO PSOL MOCAJUBA!

É com imenso prazer que o Partido Socialismo e Liberdade de Mocajuba Pará (PSOL), convida à toda a comunidade Mocajubense para a Live de Lançamento de nossa Campanha de Filiação, que ocorrerá no próximo dia (14) de março às 18 horas, com transmissão ao vivo pelo nosso endereço no Facebook (Psol Mocajuba).

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