23/11/2022
O que foi que deu errado em 300 anos de administração?
Imagino o quanto tem sido difícil, para os servidores públicos municipais principalmente os contratados, ter que enfrentar isoladamente a magnitude do poder politico que impera sob as mais variadas áreas do funcionalismo público. Por isso, considero ser extremamente necessário, discutir mecanismos que possibilite ao menos a redução de tamanha influência do poder politico sob a classe trabalhadora.
Ninguém melhor que o próprio funcionalismo para entender o que estarei expondo por meio deste texto.
Não é novidade que no Brasil exista a tal da influência politica, o que para uns parece ser bom, para a maioria acaba não sendo, e quando se trata de um município consideravelmente pequeno, onde a administração pública detém em média 70% da geração de empregos, essa influência se torna muito mais prejudicial, pelo menos é o que tenho observado ao longo desse mandato.
Geralmente para chegar ao poder os políticos prometem "o mundo e o fundo" e uma vez estando lá, fazem de tudo para se manter, que cá entre nós na maioria das vezes não é com politicas públicas em beneficio do povo, a exemplo disso temos o Município de Minas Novas que nos seus quase 300 anos de emancipação, viu vilas que faziam parte da sua extensão territorial crescer 10 vezes mais, sendo posteriormente emancipadas, tornando-se cidades polo, na geração de emprego e renda, a exemplo disso temos como vizinho o município de Capelinha, que segundo dados demográficos, é hoje a cidade que mais cresce no vale do Jequitinhonha.
Diante disso é importante que façamos uma minuciosa analise do que é que não foi feito por parte dos administradores que aqui passaram, para que a cidade alavancasse, agora vou expor aqui, uma análise pessoal sobre o ocorrido.
Como mencionado anteriormente a administração pública municipal detém na atualidade em média 70% da geração de empregos, é um numero considerável, mas ao mesmo tempo é importante ressaltar que isso é algo que se arrasta por décadas, para não dizer por séculos, o que chama atenção nesse sentido é que, a maioria dos políticos que administraram o município não se preocuparam em aplicar politicas de desenvolvimento, e como isso se dá? Geralmente atraindo o setor privado para a cidade, ao contrário disso, a impressão que tenho é que deter a maioria da geração de emprego é uma estratégia que os políticos ainda trabalham para manter, por ser essa, uma ferramenta capaz de manter "no cabresto a maioria do funcionalismo.
Seria eu injusto, dizer que a cidade parou no tempo, mas é algo que ouço quase que diariamente, da mesma forma que muitos não concordam que seja feito um comparativo entre Minas Novas e Capelinha, o que de fato não parece ser justo, até porque estamos falando de uma cidade de 300 anos e uma de 100, mas ai pergunto, qual o problema em ser uma cidade que preserva a sua história e que ao mesmo tempo foca no desenvolvimento?
O que estou tentando dizer aqui não é que o desenvolvimento geral da cidade deve partir da iniciativa pública, mas que a iniciativa pública pode e deve criar mecanismos para que o setor privado se interesse em investir na cidade, eu deixo aqui uma pergunta, mais uma vez citando a cidade de Capelinha, vocês acham que o desenvolvimento desta cidade partiu da iniciativa pública ou privada
A realidade mostra que o desenvolvimento partiu sim da iniciativa pública, uma vez que a mesma cria mecanismos que possibilitam o impulsionamento da iniciativa privada. Ex. o bairro Jardim Aeroporto ele foi desenvolvido numa parceria entre iniciativa pública e privada, resumindo a cidade atrai para si o setor empresarial, que consequentemente atrai a mão de obra, funcionando como uma cadeia evolutiva.
Diferente disso a administração municipal de Minas Novas vem focando em politicas públicas que visam agradar uma parcela do seu eleitorado, o que consequentemente não traz desenvolvimento para a cidade, se fizermos uma análise do setor empresarial em Minas Novas, não temos, uma empresa se quer, que gere 50 vagas de empregos diretos com cede na cidade, uma análise simples que faço desse cenário, agora falando do distrito de Ribeirão da Folha, que é hoje distrito que mais contribui para com o desenvolvimento e renda no município, dos muitos empresários que investem aqui e geram hoje em média 300 vagas de empregos diretos, nem um tem escritório na cede municipal, 99% desses empresários tem seus investimentos, voltados pra capelinha, e mais uma vez falando do distrito de Ribeirão da Folha, se fizermos hoje uma pesquisa de interesse, dando aos pesquisados duas opções para morar, sendo elas Minas Novas e Capelinha, mais de 90% quer ir pra capelinha.
Então é preciso mais que depressa pautar politicas públicas que atraia para Minas Novas esse setor, eu tenho certeza que o jovem que sai do ensino médio, e vai estudar fora ele quer voltar pra casa, foi assim comigo e é assim com a maioria das pessoas que precisam sair daqui em busca de oportunidade, agora da forma que a politica continua sendo aplicada esse cenário vai continuar como está e com tendência até de piorar levando em consideração o futuro da região, nesse senário quantos pais tiveram que enterrar seus filhos, que na busca de um sonho foram trabalhar fora, e voltaram num caixão, por não ter oportunidade de emprego aqui na região, tenho certeza que se os representantes políticos, eleitos pelo povo, tivessem de fato compromisso com os que neles confiaram, o cenário seria outro.
Mesmo sendo uma das regiões com um dos menores IDH do Brasil, o vale do Jequitinhonha se comparado com outras regiões do país tem tudo para prosperar, é um lugar de gente trabalhadora, que de tanto apanhar da vida criou a capacidade de viver com pouco, quando um gr**go chega no vale a visão que ele tem é bem diferente da propagada pela grande mídia, somos um povo hospitaleiro, que mesmo em meio às dificuldades impostas produz, gera renda através do livre comércio, chamado de feras, somos um povo que merece mais respeito por parte dos seus representantes no poder público.
Voltando agora ao tópico deste texto, para enter melhor a atual situação em que vive o funcionalismo público de Minas Novas, é importante saber o que signif**a democracia, palavra essa que pelo visto não foi bem interpretada pela maioria dos que detém o poder politico no município, (DEMOCRACIA) o que é simplesmente, a ciência politica. ideologia, sendo posta no Brasil como 1- Governo em que o povo exerce a soberania, 2- Sistema politico em que os cidadãos elegem os seus dirigentes por meio de eleições periódicas.
Aí eu faço a seguinte pergunta, você que é funcionário público que através do voto elegeu os seus representantes, tem conhecimento dos seus direitos? Se tem porque o medo ir em busca dos mesmos? Nós eleitos pelo povo não somos patrões do funcionalismo, da um google ai, a constituição brasileira diz no seu Art. 1º V Parágrafo único que. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição. ai complemento a pergunta, porque dentro do estado democrático de direito, o povo não tem direito?
O que estamos vendo é uma ditadura disfarçada de Democracia, em que o povo se coloca como funcionário do chefe do executivo, o que configura como ato inconstitucional, onde estamos vendo aquele que constitucionalmente foi eleito para ser funcionário do povo se posicionar como patrão da classe de funcionalismo, como se administração pública fosse uma empresa privativa do chefe do executivo.
E isso são fatos, que na maioria das vezes o funcionário vive, e não pode se posicionar, muitos estão tendo os seus direitos cerceados pelo autoritarismo desenfreado de meia dúzia de políticos que acreditam ser quase que um deus encarnado.
Eu fico me perguntando que democracia é essa em que a grande maioria do funcionalismo público, é forçado a compartilhar nas redes sociais as publicações da administração pública
Que democracia é essa em que os donos de linhas escolares são obrigados a fazer tudo o que o chefe manda, ai eu pergunto pra você que é dono de linha escolar, você não ganhou a linha através de um processo legal de licitação?
Isso não te passa segurança?
Ou será que como é de praxe ouvir nas esquinas de boteco, "que o prefeito deu fulano uma linha" em que quando o camarada vai la participar da licitação ele ja vai sabendo qual é a sua rota?
vocês precisam perder o medo de questionar os seus direitos, eu vi diesel subir drasticamente nesses últimos dois anos e vi dono de linha reclamar de está trabalhando no vermelho, e não poder pedir um aumento ao chefe do executivo por medo de perder a linha.
Que democracia é essa onde você so tem o direito de ouvir, tivemos na ultima eleição absurdos acontecendo, em que algumas pessoas ligadas a administração relataram a mim a pressão sofrida "pelos sentinelas do prefeito" dizendo que estavam de olho, isso não é nem de longe um estado democrático de direito. Mas uma coisa é certa, em cima de um palco podem até me impedirem de falar a verdade, mas atrás de um computador eu duvido que me impeça de expor a verdade, ou de ser a voz dos que se calam diante do medo.
E finalizo com uma adaptação ao poema do Rubem Alves,
"Nas asas da democracia posso voar quando quiser, para onde quiser, esforço-me agora por escrever com sangue. Assim se o texto lhe parecer maçante, peço que o leia com indulgência"
Vereador Marciano Kbicera.