17/10/2021
Nota de solidariedade ao arcebispo dom Orlando Brandes, à CNBB e ao Papa Francisco
Dom Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida, é covardemente esculachado na tribuna da Assembleia Legislativa do estado de São Paulo, pelo deputado estadual, Frederico D' Avila do PSL, partido que elegeu Bolsonaro presidente da República, por causa de sua pregação na missa solene, no santuário de Nossa Senhora Aparecida, no dia 12 de outubro, dia da festa da Padroeira do Brasil.
O arcebispo usa da letra do hino nacional para chamar a atenção dos cristãos católicos, que 'Pátria amada' não pode ser pátria armada, manifestando o pensamento claro da igreja, expresso tanto pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), quanto pelo Papa Francisco, por ser radicalmente contra a política de armamento, defendida pelo governo do presidente Bolsonaro.
O parlamentar atacou, usando de palavreado desrespeitoso, com tom de ameaça, cometendo injúria e difamação, atingindo diretamente a imagem da Igreja, do seu clero, dos bispos e do santo padre, o Papa: _“Seu vagabundo, safado, que se submete a esse papa vagabundo… Seus pedófilos safados, a CNBB é um câncer que precisa ser extirpado do Brasil”_
Nosso repúdio às suas blasfêmias! É inadmissível que um deputado, use de suas prerrogativas de função parlamentar, para ofender moralmente uma instituição, sobretudo, religiosa, instituída por Jesus, dada a veracidade de sua história e tradição. A Igreja que em sua história no Brasil e no mundo, em muito cumpriu o papel do Estado, sobretudo, na educação e na saúde; na formação de seus colégios. E quantas vidas salvas em seus hospitais, que foram construídos para servirem ao país? As pastorais sociais no combate à fome e à desnutrição infantil, ilustram quão bem fez e faz, para publicamente, receber tamanha ingratidão de alguém que se diz represente do povo.
A Constituição da República que foi em 1988, promulgada sob a proteção de Deus, no seu preâmbulo, estabelece nos termos do capítulo 5°, inciso VI que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias".
Portanto, não podemos tolerar este tipo de discurso discriminador, que configura um governo totalitário, em nossa democracia.
Espírito democrático, sim, liberdade religiosa também, ainda que respeitosamente por muitos criticados, exerceu o arcebispo dom Orlando, ao acolher, no mesmo dia, o presidente da República, no Santuário.
"Eu vim para que todos tenham vida, e vida em abundância", disse Jesus em João 10,10. Está é a missão da Igreja: defender a vida, com o múnus não só de cuidar do espírito e salvar a alma, mas o de ensinar as pessoas na sua totalidade, corpo e alma, para que vivam felizes e com dignidade. Muitos, outrora, em vão tentaram calar a voz da igreja, não será agora, com palavras de ódio e temor que nos calarão.
Este tipo de ameaça e revolta de amantes da ditadura, nos faz mais fortes. A nossa indignação nos une não somente aos católicos, mas a todos os cristãos e não cristãos que sabem respeitar as diferenças e o seus semelhantes.
Nosso repúdio à repressão e à censura. A nossa solidariedade ao arcebispo dom Orlando Brandes, expressa a nossa unidade com a CNBB, nos fortalece na comunhão com o papa Francisco e amor à mãe Igreja.
DEPUTADO FEDERAL PADRE JOÃO