01/06/2026
Artigo da Semana
Por:
Mairkon Castro| 1108/SRTE-AM
O Preço da Entrega e o Valor do Recomeço: O que os Bastidores me Ensinaram sobre Valorização
Trabalhar por amor, dedicação e profissionalismo à frente de qualquer diretoria ou cargo de confiança é um desafio que poucos entendem. Quem vê o evento pronto, a engrenagem girando e o sucesso acontecendo, raramente imagina o que se passa nos bastidores.
Por três gestões consecutivas, liderei a comunicação de uma determinada agremiação com entrega total. Foram anos dedicados sem receber um único real. Muitas vezes, até a água que eu bebia para continuar trabalhando saía do meu próprio bolso. Não era por interesse; era por compromisso, por amor ao pavilhão e ao projeto. Na quarta gestão, o presidente da época, demonstrando sensibilidade e solidariedade ao meu esforço, passou a me oferecer uma ajuda de custo. Mas o destino muda, as dinâmicas internas se transformam e, na quinta gestão, por conta de divergências com a nova presidência, decidi que era hora de me afastar.
Passei quase dois anos longe. O tempo cura, mas também abre os olhos. Recentemente, diante de um pedido de socorro para ajudar na venda de fantasias, decidi retornar e estender a mão. E foi justamente nesse retorno que o choque de realidade aconteceu.
Olhando de fora, com o distanciamento necessário, percebi que o mercado e as relações institucionais funcionam de outra forma: cada um tem o seu preço. Descobri que, de certa forma, fui ingênuo durante todo esse tempo por nunca ter colocado um valor financeiro na minha entrega. Nunca fui capitalista, nunca gostei de me aproveitar de situações A ou B para tirar vantagem. Mas a maturidade nos ensina uma lição dura: quando você não dá o seu preço, o sistema define o seu valor por você.
Tenho a certeza absoluta de que vivi intensamente cada momento, cada dia e toda a movimentação daquele universo. Foi uma experiência profunda, que me marcou, me ensinou e, acima de tudo, me trouxe a maturidade necessária para entender exatamente qual é o meu lugar e até onde eu posso chegar.
Vim de uma família humilde. Tudo o que conquistei na comunicação foi “sozinho”. Nunca tive padrinhos políticos, nunca dependi de indicações importantes para abrir portas. Graças a Deus, construí meu nome com base no meu caráter, na minha postura — de pouquíssimos amigos e extremamente seletivo — e em um profissionalismo rígido, que não passa a mão na cabeça de ninguém para agradar.
Deixo este relato não como um desabafo de lamentação, mas como um alerta para quem se entrega de corpo e alma a projetos institucionais ou cargos de confiança em qualquer setor: valorizem-se mais. No final das contas, o mercado é frio e, se você não se der o devido valor, ninguém o fará por você. Dedique-se, faça o seu melhor, mas nunca esqueça que o seu conhecimento, o seu tempo e o seu suor têm um valor imensurável.