11/04/2026
Hoje, ser uma pessoa com deficiência não é fácil. A luta é diária e a persistência precisa ser ainda maior.
Ser uma pessoa com deficiência e lutar pelos direitos das pessoas com deficiência torna tudo ainda mais desafiador. Nós vivemos essa realidade na pele. Conhecemos as dificuldades, o peso do dia a dia e, muitas vezes, nos tornamos ativistas por necessidade, para garantir direitos básicos. Para conquistar o que deveria ser garantido, muitas vezes ultrapassamos nossos próprios limites — inclusive os da nossa saúde.
São dias intensos. Às vezes voltamos para casa com dor, febre, cansaço. E, na maioria das vezes, quem testemunha essa realidade são apenas as paredes do nosso quarto ou as pessoas mais próximas. São elas que veem nossas dores, nossas lágrimas e as marcas de uma luta constante.
Porque se nós, pessoas com deficiência, não lutarmos por nós mesmos, quem lutará?
Fazemos tudo isso porque vivemos essa realidade. Lutamos não só por nós, mas por muitos que não têm voz ou oportunidade de estar onde estamos. Mas o cansaço chega. A dor chega. E há momentos em que pensamos em desacelerar. Mas então surge a pergunta: se pararmos, o que acontece?
Eu sei o que passo, porque vivo isso. Continuo porque acredito. Às vezes respeitando meus limites, outras vezes ultrapassando-os, sempre buscando algo maior — não apenas para mim, mas para todos.
Essa é a luta das pessoas com deficiência. E ainda há muito a conquistar.
Mas f**a a reflexão: até quando precisaremos lutar por algo que já deveria estar garantido?
Enquanto outras pessoas lutam por direitos, nós lutamos até para começar o dia. Para nós, acordar e seguir em frente já é, por si só, um ato de resistência.
— Gabriel Henrique