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NOTA DO CENTRO ACADÊMICO DE CIÊNCIAS SOCIAIS CONTRA O ENSINO REMOTOO Centro Acadêmico de Ciências Sociais (CACS), por me...
10/07/2020

NOTA DO CENTRO ACADÊMICO DE CIÊNCIAS SOCIAIS CONTRA O ENSINO REMOTO

O Centro Acadêmico de Ciências Sociais (CACS), por meio da Assembleia Estudantil realizada no dia 08 de julho de 2020, após a retomada do calendário da graduação e, por conseguinte, a aplicação do ensino remoto, vem a público manifestar seu repúdio.
No decorrer dos últimos três meses, iniciaram-se debates quanto à implementação do ensino remoto na universidade. Em um primeiro momento, estes debates, eram tratados como um planejamento a longo prazo, a fim de garantir a qualidade de ensino na instituição e o acesso a todos os discentes. A Universidade Estadual de Londrina, portanto, por meio da reunião virtual do CEPE (Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão), no dia 24 de junho de 2020, deliberou a retomada do calendário letivo de graduação de maneira remota a partir de 29 de junho de 2020.
Esta decisão tomada pela universidade trouxe à tona preocupantes aspectos que conflitam o perfil psicológico e sócio-econômico dos discentes de ciências sociais com a implementação do ensino remoto no curso.
Muitos estudantes têm enfrentado dificuldades no âmbito financeiro, familiar e de saúde mental devido a atual conjuntura que vivemos. O SEBEC (Serviço de Bem Estar à Comunidade) e a Clínica Psicológica da UEL não possuem recursos estruturais suficientes para suprir tal demanda que se apresenta nesse momento. É fato que os estudantes trabalhadores, nestes tempos de pandemia, diariamente tem colocado suas vidas em risco, já que são privados do direito de fazer uma quarentena adequada, uma vez que possuem como necessidade primária a garantia de recursos básicos para sua sobrevivência (como pagamento de contas, alimentação e suprimento de demais necessidades básicas) . Entre os que não trabalham, a possibilidade de contágio pelo vírus e o risco de se perder entes queridos, assolam suas famílias. Como é possível garantir a qualidade de ensino e aprendizagem nessas condições?
De um lado, temos uma maioria de docentes que não possuem preparação técnica para trabalhar com o ensino realizado à distância, carentes de entendimento tecnológico aprofundado, didáticas e metodologias que são pertinentes a essa modalidade. De outro, temos alunos que sequer possuem estrutura tecnológica ou ambiente familiar adequados para participar das aulas.
A proposta de retomada não considera, também, a situação dos estudantes indígenas da UEL, os quais por meio da Articulação dos Estudantes Indígenas (ARTEIN-UEL), redigiram carta ao CEPE, destacando a falta de acesso à internet dos estudantes aldeados, a carência de equipamentos como celulares e laptops, problemas financeiros e particularidades geográficas das aldeias (esta carta pode ser encontrada na íntegra, na página da ARTEIN-UEL e também na página do Diretório Central dos Estudantes).
Muitos estudantes, também, são provenientes de outros estados e cidades e residindo em londrina com a finalidade de cursar a graduação, foram obrigados a retornar por conta da pandemia. Como a universidade irá prover os recursos materiais necessários para essas pessoas? Haverá recursos suficientes para suprir a demanda dos estudantes que residem dentro e fora de Londrina?
A PROGRAD (Pró-Reitoria de Graduação) realizou um mapeamento em abril para analisar a situação socioeconômica dos estudantes e suas condições para a retomada remota das atividades, bem como, consultar a opinião e levantar o posicionamento dos docentes com relação a tal prática. Apenas 65% dos discentes de graduação e 69% dos docentes responderam ao formulário. Apenas 57% dos estudantes de graduação em Ciências Sociais responderam. Não atingir 100% dos estudantes significa, entre muitas coisas, a falta de acesso das pessoas ao questionário, tendo em vista que este foi feito online. A partir disso, foi encaminhado um pedido de prorrogação da suspensão do calendário, uma vez que, conforme apontou o relatório, a prática do ensino à distância era inviável.
Em abril de 2020, o Centro Acadêmico de Ciências Sociais também realizou um mapeamento para tentar averiguar a situação psicosocioeconômica dos discentes e iniciar o debate sobre a implementação do ensino remoto. Este formulário obteve 122 respostas, em contraste a 390 alunos matriculados no curso atualmente. Destacamos, então, alguns dados recolhidos:

1. 42 estudantes se encontravam em situação financeira em risco;
2. 15 estudantes não tinham acesso à um computador e outros 35 conheciam alguém que não tem acesso;
3. Mais de 60 estudantes conhecem alguém sem acesso à internet no local onde está isolado;
4. 100 estudantes apontaram a dificuldade de assegurar a qualidade das atividades desenvolvidas por meios remotos;

Em junho/julho, outro mapeamento foi realizado pelo CACS. Os dados que serão tratados a seguir foram resultados do segundo levantamento, com 211 respostas, em contraste a 390 discentes matriculados.

1. 96 discentes não estão situados em Londrina, desta forma, questionamos o assistencialismo que será ofertado aos discentes: como a entrega de aparelhos chegará a estes estudantes?
2. 52 discentes estão na posição de cuidador de algum familiar, como crianças ou idosos;
3. 136 discentes trabalham ou estão em busca de emprego, desta forma questionamos a flexibilidade referente aos discentes que não puderem participar das aulas no período pré matriculado.
4. 152 discentes estão passando por dificuldades relacionadas à saúde mental;
5. 95 discentes estão passando por dificuldades no âmbito financeiro;
6. 64 discentes estão passando por dificuldades no âmbito familiar;
7. 195 discentes afirmaram que não estão com o psicológico apto para retomar as atividades acadêmicas de forma remota, desta forma, podemos analisar que condições estruturais/tecnológicas não são unicamente impedimentos para a realização destas atividades;
8. 86 discentes necessitam de aparelhos para realização das atividades remotas;
9. 47 discentes não possuem nenhuma estrutura e/ou ambiente para participar das atividades remotas, além de 117 discentes que têm parcialmente estruturas e/ou ambiente;
10. 169 discentes conhecem algum colega que tem acesso/meios tecnológicos precários para a realização das atividades;
11. 190 discentes se posicionaram contrários à implementação do ensino remoto na universidade durante a pandemia de COVID-19;
12. 53 discentes já tem a certeza que irão trancar a matrícula ou abandonar o curso caso haja a implementação ensino remoto, outros 99 discentes apresentaram que não tem posicionamento quanto a isto.

Além disso, repudiamos a carta advinda da SETI/PR (Superintendência Geral de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior) que ameaça cortar as licenças dos servidores públicos durante a pandemia caso o ensino remoto não seja implementado, colocando em risco a própria segurança dos funcionários e de seus dependentes.
A fim de repudiar o ensino a distância com base nas pautas aqui explicitadas e defendidas, além dos questionários, foram realizados pelo CACS um abaixo-assinado contra a implementação do ensino remoto, que contou com a assinatura de 321 estudantes e uma assembleia discente extraordinária.
A assembleia estudantil contou com 97 estudantes, trazendo informes deste processo de implementação do ensino à distância e pautando um indicativo de boicote ao ensino remoto.
Após as discussões se deliberou de forma unânime o boicote ao ensino remoto para o curso de Ciências Sociais, isso porque entendemos que retomada do calendário de graduação configura um enorme descaso da universidade para com os seus discentes e docentes, de tal modo que, mesmo após serem elencadas inúmeras problemáticas, fora aprovado o ensino remoto, indo de contrapartida ao próprio Estatuto da universidade, vide artigos 2°, 3° e 29°:

Art. 2° A Universidade tem por princípios:

III. a igualdade de condições para o acesso e permanência discente na Instituição;
VII. a garantia de qualidade acadêmica;
XI. a gratuidade do ensino de graduação e pós-graduação stricto sensu acadêmico.

Art. 3° São finalidades da Universidade:

I. gerar, disseminar e socializar o conhecimento em padrões elevados de qualidade e eqüidade;
VI. conservar e difundir os valores éticos e de liberdade, igualdade e democracia;
IX. propiciar condições para a transformação da realidade, visando justiça e eqüidade social;

Art. 29°:

Os cursos de graduação terão por finalidade a concessão de graus acadêmicos e deverão possibilitar a formação de profissionais de qualidade e com consciência crítica, atendidos os princípios e as finalidades da Universidade.

Desta forma, podemos analisar que, para o correto funcionamento da universidade e cumprimento do Estatuto, é necessário que esta consiga contemplar os artigos e respectivos pontos, assegurando-os a todos e todas os/as estudantes. Assim, questionamos a negligência na garantia de qualidade de ensino, na igualdade das condições para acesso e permanência na instituição, na equidade social, nos valores democráticos e na qualidade de formação profissional.
Devemos também entender que a implementação do ensino remoto, por mais que aplicado apenas em meios excepcionais, pode gerar grandes impactos a curto e a longo prazo, uma vez que reforça discursos elitistas e de não democratização da educação e abrem margem para um futuro desmonte do setor, através de uma maior precarização do ensino por meio de cortes de verbas públicas.
O ensino remoto emergencial pode justificar, a longo prazo, uma implementação integral do ensino remoto em cursos teóricos e/ou a privatização da educação pública, além dos efeitos a curto prazo, como a evasão estudantil dos cursos. Assim, objetivando a garantia da não exclusão social, a não mercantilização e não precarização da educação, esta nota reafirma que a formação dos discentes deve ocorrer por meio de cursos presenciais. A atitude da universidade ao aprovar o ensino remoto foi irresponsável e atropelada, incentivando ainda mais a elitização desse espaço!

Centro Acadêmico de Ciências Sociais UEL – Gestão Ação direta

Para participar da videochamada, clique neste link: https://meet.google.com/nci-oiwg-tfuEsse é o link de acesso à reuniã...
13/04/2020

Para participar da videochamada, clique neste link: https://meet.google.com/nci-oiwg-tfu

Esse é o link de acesso à reunião das 17h. Para entrar precisa ter instalado o App do hangouts no celular ou no computador. Após o acesso todos devem desligar o microfone e ligar assim que a reunião iniciar, é só aguardar as orientações.

08/04/2020

Reunião de Centro (07/04)

Em reunião, dentre outras pautas, foi discutida a situação da suspensão das aulas, tanto para a graduação como para a pós-graduação. Para a pós, desde o início não houve a suspensão completa das atividades, apenas das presenciais, que desde antes da paralização uma parte ja era feita online.
Segundo o que foi trazido em reunião, a PROPPG (pró-reitoria de pesquisa e pós-graduação) já vê uma possibilidade de extender para além do prazo a suspensão das aulas, que terminaria no dia 12 de abril, assim como ae formulação de uma nova resolução sobre o tema do ensino domiciliar.
Sobre a situação legal do sistema de ensino, foi apresentado que, dentro de questões jurídicas, por essa situação ser especial, distante do habitual, poderia ser aplicado uma forma de ensino a distância/domiciliar temporariamente. Ou seja, nessas condições essa situação estaria dentro da legalidade.
Sobre a PROGRAD (pró-reitoria de graduação), foi dito que não está sendo cogitado um calendário seletivo (no caso, dependendo da viabilidade do curso, se ele funcionará com ensino domiciliar ou não), existirá um calendário único para todos os cursos. Atualmente ela está fazendo um diagnóstico inicial sobre a situação, como foi um exemplo do formulário feito e repassado para nós respondermos, para então deliberar sobre as ações que serão tomadas a respeito suspenção das aulas.
Ainda em grupo, foi feito um apelo para ficarmos atentos sobre o tratamento da questão das atividades domiciliares, a qual existe diferença para com EAD de fato.
Foi questionado o posicionamento do Centro de Ciências Sociais sobre o tema assim como o de história, e ambos se posicinaram contra a questão do ensino domiciliar temporário.

08/04/2020

Reunião do Colegiado de Ciências Sociais (07/04)

Estiveram presentes: Rafael, Raquel, Carla, Larissa (estatística), Marco, Ronaldo Gaspar, Celso, Laís e Nathalia (estudantes)

• A UEL está fazendo um levantamento geral, ou seja, não há um projeto de EAD pronto e nem a previsão de aplicação do EAD. A questão do mapeamento seria, "a princípio, temos condições?"

• o levantamento vai até 9 de abril
• muitos pontos foram levantados, como, por exemplo: por que a pressa para o EAD? Considerando que a UEL já passou por greve de até 6 meses e isso não foi aplicado. Se aderirmos, quanto tempo ficaríamos nessa modalidade?

•Os professores estão trabalhando muito mesmo durante o isolamento, o corte de salários não é uma possibilidade para o governo. Professores não trabalham apenas em sala de aula.

• O sindicato dos professores vai publicar um documento sobre o assunto

• O que é EAD? Por que foi criado? Para quem? A proposta do EAD feita foge completamente dos princípios do EAD e sua aplicação feita hoje em dia.

• como os docentes fariam um treinamento para dar aulas? Os alunos têm condições psicológicas e socioeconômicas? Não há uma democratização do acesso à internet, computadores, etc. Como os alunos que não têm acesso vão responder ao formulário enviado aos estudantes?

• o primeiro debate sobre EAD na UEL foi em 1999

• um questionário qualitativo foi mandado aos professores para que eles respondam sobre seu preparo para essa modalidade, entretanto o colegiado deliberou que mandará um texto para a PROGRAD com diversos pontos levantados na reunião, que são contrários ao EAD, sendo, portanto, contra a aplicação do EAD, por unanimidade.

Entre em contato com o Centro Acadêmico de Ciências Sociais
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[CAMPANHA DE ARRECADAÇÃO PARA O FLORES DO CAMPO]Na semana de recepção (02/03 - 06/03) a atual gestão do Centro Acadêmico...
25/03/2020

[CAMPANHA DE ARRECADAÇÃO PARA O FLORES DO CAMPO]

Na semana de recepção (02/03 - 06/03) a atual gestão do Centro Acadêmico de Ciências Sociais (Ação Direta), propôs como "trote solidário" uma campanha de arrecadação de alimentos para o Flores do Campo. Entretanto, com a gravidade da pandemia de coronavírus, as aulas foram suspensas do dia 17/03 ao dia 12/04 e a campanha ficou inviável neste período. Dessa forma, deliberamos por unanimidade que iríamos montar cestas básicas com os alimentos já doados, completar com mais alimentos e produtos de higiene e doá-las para a população do Flores neste período. Ao todo são 10 cestas básicas. Nosso objetivo é dar continuidade à campanha assim que seja segura a volta às aulas. Agradecemos a todes pelas doações e divulgações.

Discurso de Marielle na Tribuna da Câmara de vereadores do Rio de Janeiro, no dia 8 de março de 2018, dia Internacional ...
14/03/2020

Discurso de Marielle na Tribuna da Câmara de vereadores do Rio de Janeiro, no dia 8 de março de 2018, dia Internacional da mulher

“Nesse dia de luta, de resistência, aonde uma palavra de ordem pra nossa vida em meio a essa crise é que nós possamos viver com respeito a todas, cada uma com seus corpos, cada uma a sua maneira, cada uma na sua forma de resistência diária. A todas nós, nesse dia 8 de março, ocupando apenas uma das 7 cadeiras daqui do parlamento municipal, a gente precisa sempre se perguntar “O que que é ser mulher?” “O que que cada uma de nós já deixamos de fazer ou fizemos com algum nível de dificuldade pela identidade de gênero, pelo fato de ser mulher?” A pergunta não é retórica, ela é objetiva, tem um cunho da gente refletir no dia a dia, no passo a passo de todas as mulheres, no conjunto da maioria da população como a gente fala, mas infelizmente é subrepresentada. Nesse 8 de março, um março histórico, um março que a gente fala de flores, lutas, resistências, mas um março que não começa agora, né e muito menos apenas 1 mês pra pautar a centralidade da luta das mulheres. A luta por vida digna, a luta pelo direito humano, a luta pelo direito à vida das mulheres precisa ser lembrada e não é de hoje, é de séculos. Inclusive com uma origem em séculos passados, aonde nas greves e manifestações, principalmente as russas, no período pré-revolucionário, lutaram com firmeza, lutaram pelos direitos trabalhistas [ *interrompida por um vereador que queria parabeniza-lá* ]dia de luta onde a gente ocupa mais uma vez a tribuna, eu fico muito feliz e muito à vontade, porque essa tribuna, esse lugar legítimo aonde a gente não ocupa só no 8 de março, né. A gente pode falar das reformas, contra as reformas da previdência, onde a gente pode falar sobre a nossa oposição, sobre a nossa posição em oposição ao governo Marcelo Crivella, quando a gente pode falar do processo da intervenção federal. Daí, ocupar esse dia no grande expediente, na luta por direitos, vem reforçar o simbólico e o objetivo da luta das mulheres. Mas a luta das mulheres que começa, como eu falei, lá atrás, na revolução que comemoramos e que lutamos e que reverenciamos em 2017, de um século, na luta por demarcação das mulheres indígenas, da luta das minhas mães, mulheres negras que vieram antes de nós, que resistiram tamanho absurdo que foi o período da escravidão, a luta pelo fim de toda a forma de opressão que se reflete no racismo, na misoginia, na luta contra o patriarcado e assim, a gente segue lutando. No dia 5, na segunda-feira, foi aniversário de uma mulher que é referência pra mim, que disputou o Partidão, Rosa Luxemburgo, que era coxa. A história conta que ela figurava ali em um metro e meio e ia pra linha de frente do fronte da luta política do seu momento na história. Se é tempo de outro momento histórico, é tempo sim da gente celebrar um 8 de março, é tempo sim da gente reivindicar que esse 8 de março começa muito antes, como diria a Rosa, aniversariante do dia 5, né: “nós mulheres lutamos por um mundo onde nós sejamos socialmente igual, humanamente diferente e totalmente livre na sua diversidade, mas na sua resistência”. Inclusive nesse momento onde a democracia se coloca frágil, aonde se questiona se vai ter processo eleitoral ou não, aonde a gente vê todos os escândalos com relação ao parlamento, falar das mulheres que lutam pela outra forma de fazer política num processo democrático é fundamental. Inclusive, em tempos onde a justificativa da crise [ *interrompida novamente por outro vereador que queria parabeniza-lá*] aonde a justificativa da crise, a precarização, a dificuldade da vida das mulheres é apresentada, mas com muita dificuldade real: tempo da escola, aonde é que tão as vagas da creche que foi apresentada pelo prefeito Marcelo Crivella, que iria ser ampliada, aumentada? Aonde tão as educadoras e os educadores que não foram chamados ainda nos concursos? Como ficam as crianças que nesse período de intervenção [ *não vem me interromper agora, né, mas homem fazendo homice, meu Deus do céu (ela recebe uma rosa de um homem), brigada Ítalo, muito obrigada, amém, brigada* ] brigada aos vereadores, como falei antes e falava na Fel Cruz no dia de hoje, as rosas da resistência nascem do asfalto, a gente recebe rosa, mas a gente vai tá com o punho cerrado também, falando do nosso lugar de vida e resistência contra os mandos e desmandos que afetam as nossas vidas, né. Até porque não é uma questão do momento atual, e o vereador, na última semana que falava sobre o processo de violência, sofrido pelas mulheres no carnaval, me questionava da onde eu tirava os dados apresentados. As mulheres quando saem às ruas na manifestação, no 8 de março, daqui a pouco na Candelária, fazem porque entre 83 países, o Brasil é o sétimo mais violento e aí, volto a repetir, dados da Organização Mundial de Saúde. Esse quadro segue piorando, aumentando 6,5 no último ano. Por dia, são 12 mulheres assasinadas no Brasil. O último dado que a gente tem do estado do Rio de Janeiro, figura o de 13 estupros por dia [ *um homem grita: VIVA USTRA* ] essa é a relação com a violência contra as mulheres [ *a gente tem um senhor que tá defendendo a ditadura e falando alguma coisa contrária à isso, eu peço que a presidência da Casa, no caso de maiores manifestações que venham atrapalhar minha fala, assim proceda como a gente faz quando a tribuna interrompe qualquer vereador. Não serei interrompida! Não aturo interrompimento dos vereadores dessa Casa, não aturarei de um cidadão que vem aqui e não sabe ouvir a posição de uma mulher ELEITA, presidente da comissão da mulher nessa Casa.* ]
[ _a presidenta da Casa (Tânia) se desculpa e pede para os seguranças se atentarem_] brigada presidenta Tânia, até porque sabemos que infelizmente esses casos, não será a última nem a primeira vez, mas o embate pra quem vem da favela e minha fala, tava falando da violência contra as mulheres nesses 20 minutos, nós somos violadas e violentadas há muito tempo, em muito momentos. Esse período, por exemplo, onde a intervenção federal se concretiza na intervenção militar, eu quero saber como ficam as mães e familiares das crianças revistadas, como que ficam as médicas que não podem trabalhar nos postos de saúde, como que ficam as mulheres que não tem acesso à cidade. Essas mulheres são muitas, são mulheres negras, mulheres lé***cas, mulheres trans, mulheres camponesas, mulheres que constroem essa cidade aonde diversos relatórios, queiram os senhores ou não, apresentam a centralidade e a força dessas mulheres, mas apresentam também os números, como o Intercept publicou, do dossiê de lesbocídio, que, no ano de 2017, houve uma lé***ca assasinada por semana. Lesbocídio é um conceito que as mulheres lé***cas estão cunhando, assim como nós avançamos no debate com relação ao homicídio impetrado por mulheres, que se constituiu no feminicídio, dados que mostram a realidade absurda, mas que sim, vitima a nossa diversidade. As mulheres negras, por exemplo, quando passam na rua, ainda tem homem que tem a ousadia de falar do quadril largo, da bunda grande, do corpo, como se a gente tivesse no período de escravidão. Não estamos, queridos, nós estamos num processo democrático. Vai ter que aturar mulher negra, trans, lé***ca, ocupando a diversidade dos espaços! E pra quem gosta do porte de armas, por exemplo, que alusão à militarismo e tem a audácia de vim querer gritar no processo da república democrática hoje, nós rejeitamos nesta Casa o que poderia ser o preparado de armamento, onde os municípios negaram. Não tem eco o lugar aonde nem a polícia militar hoje tá preparada pra utilizar armas de fogo e pra contextualizar: alguém viu o que aconteceu na praça São Salvador ontem? Pois é. Felizmente, os guardas municipais que tavam lá, que não estavam armados, correram pra se proteger, como todos os outros cidadãos. Porque se ali estivessem sacado armas de fogo, certamente teriam sido assassinados e perderíamos mais vidas dos servidores públicos da cidade do Rio de Janeiro. É por isso que homens e mulheres que pensam no preparado democrático são contrários ao que pode vitimar ainda mais a nós, população da cidade do Rio de Janeiro, contrário a esse argumento. Em tempo de violência, de negação de direito, mais armas vai ser retirada de direitos. A condição, a saída, são condições dignas de trabalho pra esses trabalhadores e trabalhadoras. É por essas e outras e vários motivos, que a gente defende sim a presença de mais mulheres. Queria saudar a presença da vereadora Rosa Fernandes, uma referência, por mais que tenhamos divergências, diferenças de partido, é uma mulher que me acolheu, recebe, trata com respeito devido. A vereadora Tânia Bastos falou novamente, fico feliz de ter me citado cedo, quando a gente fala das mulheres da política. Um movimento que nós fizemos, por mais mulheres nos espaços de decisão é pra que as políticas públicas entendam por que de um vagão necessário em tempos de assédio? É pra que nós possamos falar de mobilidade a partir da perspectiva de gênero, é pra que a gente possa falar de economia solidária. Saudar a presença de da Edjane, da Cristina, da Juliana, da Simone, das mulheres que aqui estão, da Renata Stuart, enfim, do meu corpo de assessoria, das mulheres que constroem esse mandato e que elaboram essa política com afeto. É todas elas, Inaldo, o mandato é composto, não só, elas não são todas elas da equipe, mas o mandato é composto 80% de mulheres, porque a gente entende que o lema que a gente fala de uma mulher sobe e puxa a outra, precisa ser concretizado. Uma escritora que eu gosto muito, que chama Amanda, fala que isso só vai ser alterado se as mulheres que estão no espaço de poder, de fato, trouxerem, derem o pé, abraçarem, acolherem, construírem com outras mulheres. Se esse parlamento é formado apenas por 10-13% de mulheres, nós somos a maioria na rua e sendo a maioria na rua, somos forças exigindo a dignidade e o respeito das identidades, aonde infelizmente o que tá colocado aí nos vitima ainda mais. O lema desse ano, que daqui a pouco estaremos na Candelária, um dos lemas do que a gente coloca sim, de valorização da vida das mulheres, é quando as mulheres internacionalistas falam, param na greve internacional, é quando mulheres falam sim “nós somos diversas, mas a gente não tá dispersa não”, a gente tá construindo uma sociedade que de fato, sendo a base da pirâmide constrói essa cidade. Assim como construiu a maestrina Chiquinha Gonzaga, que daqui a pouco, no final do dia, nós estaremos aqui felicitando, homens, nós homens, nós, os parlamentares e nós, mulheres, estaremos felicitando aqui com a medalha Chiquinha Gonzaga, a Dida que é uma mulher que faz política com afeto, gastronomia, que organiza um lugar de resistência na Praça da Bandeira, aonde esse lugar das mulheres negras potente de encontro com a Dida. E pra encerrar, eu gostaria de reforçar e dizer, das mulheres negras que são nossas referências, de citar Audre Lorde, que era uma mulher negra, lé***ca, escritora caribenha, com origem caribenha, mas nos Estados Unidos, feminista e ativista pelos direitos civis: “eu não sou livre enquanto outra mulher for prisioneira, mesmo que as correntes sejam diferentes das minhas”. Por isso, nós vamos juntas lutando contra toda a forma de opressão. Tem uma diversidade de luta, na pauta pela vida das mulheres, na pauta pela legalização do ab**to, na pauta pela luta das maternidades, da cultura, do empreendedorismo, das mulheres da zona oeste e acho que é fundamental agradecer nesse final, nominalmente, a Elaine, a Júlia, a Vitória, a Mônica, a Fernanda a Fabeola, a Mariana a Alana, a Rossana, a Priscila, Renata, Iara, Bruna, Rogéria, Natália e Luna, as mulheres que constroem essa história, que tão junto comigo, vamo que vamo! "

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09/03/2020

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