24/06/2017
Delírios de uma mente que a tempos vem me pregando peças.
Eu me vi no centro, não no centro de nada específico, como no centro de um pátio ou no centro de uma casa, de uma cidade, rua... Nada específico mas eu sei que era no centro.
Olhar em volta era agoniante, estar com os olhos arregalados e ainda sim não ver absolutamente nada, me vi perdida, sozinha, e o medo me corroía. Como uma forma de co***lo levei minhas mãos até o meu rosto, meu toque era gélido, como se minhas mãos estivessem molhadas, me ajoelhei no chão e senti vontade de gritar, mas o medo como num sopro sumiu tão rápido quando apareceu, recobrei a razão me pus de pé, e percebi estar dentro de um sonho foi uma sensação de alívio e ao mesmo tempo de medo, tanto por não conseguir acordar daquele sonho escuro e sem nexo, mas também por estar mais uma vez em um sonho vivido e assustador, tive medo de estar ficando louca e quando acordasse fosse perder completamente a razão. E esse medo foi me corroendo, então resolvi em um ato insano não acordar, permaneci sentada no vasto escuro que me encontrava, até recobrar minhas forças levantar e começar a caminhar, não sei por quanto tempo caminhei, mas pareceu horas, até chutar um objeto de metal duro e maciço, e mesmo sabendo que estava presa em um sonho aquilo me doeu muito, peguei o objeto do chão e percebi ser um lampião, um inútil objeto sem luz, até que como em um passe de mágicas o objeto se iluminou me mostrando o caminho, um surto de felicidade me consumiu, continuei a caminhar e quando menos percebi estava pisando em grama molhada e lamacenta, de pés descalços sentia vivida mente aquela sensação estranha e me sentia enganada pela minha própria mente por ser tão real e ao mesmo tempo ser falso.
Caminhei por um tempo no campo de grama até ser consumida por uma sensação de dejavu comecei a me desesperar porque aquele campo era familiar, rapidamente desviei meus olhos dos meus pés lamacentos e olhei pra frente, era a casa mas sinistra do que da última vez que estive nela, a casa que ficava nos fundos do colégio onde estudava. Entrávamos lá como um ato de bravura ou apenas a curiosidade que consumia crianças que estavam descobrindo os mistérios da vida, como uma dessas crianças nunca tive medo de entrar na casa velha cheia de histórias grudada nas paredes, mas de uns tempos pra cá, olhar a casa mesmo de longe me trazia arrepios, deduzi que esse medo súbito que vinha alimentando pela casa inofensiva era traços da minha mente que a tempos vinha me pregado peças, mesmo tendo certeza de que estava dentro de um sonho, não tive coragem de avançar nem mais um paço se quer, travei os pés ali, observei ao redor a não avistei nada a não ser o caminho até a parte da minha mente onde a casa se encontrava, coloquei meus olhos nos meus pés e me virei devagar como quando era criança e não queria acordar a minha mãe, dei dois passos pra frente e olhei pra cima, novamente em um desespero já esperado vi a casa na minha frente de novo, sentei no chão e senti a grama nas minhas pernas esticadas e resolvi refletir sobre o que estava acontecendo, não queria entrar na casa e sabia que poderia ir embora dali, mas o medo de acordar e me ver completamente insana me dava calafrios, então analisei a situação e como uma memória antiga que aparece na sua cabeça percebi que estava em um estado de transe e me encontrava vagando pela minha própria mente, e então percebi que para acordar com a minha mente sã deveria concerta- lá de dentro pra fora, e o problema se encontrava dentro daquela casa, então me levantei e caminhei até a entrada da casa ao passar pela porta foi como andar de montanha russa, abri meus olhos e me vi olhando de longe pra uma lembrança minha, o dia em que eu e dois amigos meus resolvemos entrar na casa porque avia visto um homem lá dentro. Estava do lado de fora olhando pra min mesma, aquilo era estranho me sentia desnorteada, era como olhar em um espelho da minha mente, então estiquei minhas mãos e olhei para elas não eram minhas mãos, nem meu corpo eu estava olhando com os olhos do homem que vi dentro da casa, quis gritar e chorar desesperada, mas não consegui, o pior foi saber que aquela figura que eu vi dentro da casa nos vigiava enquanto nós o procurávamos.
Então a memória ficou distante e foi perdendo a forma e a cor, tudo ficou escuro e eu me vi dentro da casa deitada no escuro com a luz da lua entrando na janela do cômodo que eu estava. Levantei, olhei pela janela e vi de longe a árvore onde dois dos meus melhores amigos e eu tínhamos colocado nossas iniciais, e aquela árvore foi como um suspiro de conforto em meio de tanto medo, sai da casa pisando em galhos e objetos que furavam meus pés, rasgavam minha fina camisola molhada e enroscava em meus cabelos, era um mato alto que se tornava um obstáculo quase impossível, mas que não era pareô para minha determinação de chegar até aquela árvore, quando cheguei até lá me joguei naquela árvore com todas as minhas forças, e ao tocar nas iniciais marcadas a sensação de andar em uma montanha russa voltou como um soco, e outra lembrança se apresentou para min.
Era dia e a a luz do sol me ofuscava os olhos me vi escondida atrás de uma árvore grossa olhando para o dia em que marque as iniciais na árvore, eu depois o Alan e logo em de seguia o João, estávamos felizes e brincando um com o outro, e eu me sentia intrusa ali olhando pela janela de uma memória sem ter permissão, me vi novamente olhando pelos olhos de um homem desconhecido que aparentemente nos vigiou nesses momentos de nossas vidas, chorei, chorei por medo, por saudade, e por sentir que assim que abrisse meus olhos e pulasse pra f**a desse sonho, a verdade de saber que um alguém estava nos vigiando não me deixaria conviver comigo mesma, percebi que assim que abrisse os olhos a loucura me engoliria viva. E novamente a memória ficou distante e sem forma, a luz do sol foi sumindo e eu me encontrei deitada no chão de baixo da árvore com as iniciais B.A.J. levantei e de longe vi as cadeiras em roda. Um lugar secreto que eu e meus amigos a víamos encontrado no acaso e era tão reconfortante aquele lugar, e eu sentia que precisava ir até lá, mas sabia que iria me encontrar espiando pela janela de outra memória, mas decidi arriscar e fui até lá, ao chegar no meio do caminho tive um colapso e o pesadelo que avia tido noites passadas veio na minha mente como um tiro no peito. Um sonho que parecia uma memória de terror, onde eu perdia todos os meus amigos que eram uma família que eu me importava tanto agora pareciam estar mortos e eu não os veria de novo. No fim do meu pesadelo quando eu falhei em salvar meu último amigo o mostro que espreitava nas sombras dos meus pensamentos depois de matar meu último amigo, falhou em acabar comigo também. Porém me vi novamente no fim daquele filme de terror meu amigo estirado no chão e o medo de olhar pra traz e dar de cara com a própria face do mal que eu saiba muito bem quais eram aqueles traços, chorei por saber que eu iria sentir aquela dor de novo então senti a mão pesada por entre os meus cabelos e ele me puxou com força me levantando pelos cabelos e me colocou sentimentos do seu rosto, um bafo terrível envolveu-me, e ele pronunciou as seguintes palavras.
_Eu até poderia acabar com você aqui em sua própria mente, mas terei o gosto de destruir o resto que sobrou da sua dela do lado de fora garotinha.
Então abriu a boca e lambeu a lateral do meu rosto com uma língua semelhante a de um réptil. Soltou uma cruel gargalhada e com um tom que me fez querer vomitar disse:
_Hmm você tem um gosto bom.
Me soltou e eu cai de joelhos no chão, quando olhei novamente para cima ele avia sumido, não avia nem rastro dele, e uma força, um puxão bruto, me carregou pra cima e quando me vi no alto perto das estrelas, tão alto que não era mais possível ver o solo despenquei em alta velocidade e cai em cima da minha cama suando frio, e incrivelmente feliz por estar acordada e ainda ter minha lucidez.