17/09/2020
* MANIFESTO CONTRA-CAMPANHA *
BOICOTE À FARSA ELEITORAL, ORGANIZE-SE PELO PODER POPULAR!
“Se votar mudasse algo seria proibido
Votar é abdicar do nosso potencial combativo
Candidatos são farsantes na mão da burguesia
Não vote, lute pela insurgência na periferia”
- Ktarse Rap
Já votou e se arrependeu ao perceber que quem prometeu resolver os problemas do povo não resolveu de nada? Nas eleições, os políticos prometem soluções para todos problemas e pedem nossos votos. Mas assim que são eleitos esquecem daqueles e daquelas que o elegeram. Quantas vezes te convidaram a participar das decisões? E quantas são tomadas sem a nossa opinião? Estamos em época de eleição, onde promessas sobre mudanças são feitas a torto e à direita. Mas ousamos perguntar: como transformar radicalmente através do voto o Estado burguês, construído sob a caveira de povos indígenas, de negros e negras escravizados/as, dos corpos das mulheres dentro e fora das casas e da superexploração da classe trabalhadora brasileira? Se entregar à lógica eleitoreira é cair em uma prática falida e deslegitimada pela própria classe trabalhadora, que não enxerga mais nas eleições uma perspectiva de mudança. Ninguém mais aguenta esse sistema que nos explora e oprime. O povo pode estar confuso e um tanto desorganizado, mas vamos além de Chico Science & Nação Zumbi quando dizemos que ‘um Povo roubado jamais se engana!!!’. Esse sistema tem seus próprios interesses, então são Eles versus Nós. Ano após ano os números em abstenções, votos nulos e brancos crescem, ao passo a confiança no Estado e em suas instituições corruptas desaparece. O que chamam de democracia, chamamos de ditadura dos ricos sob os pobres.
Se por um lado, as crises econômica, social, política e ambiental que já vinham se fortalecendo desde 2008 são consequência da expansão do capital, o imobilismo eleitoreiro também tem sua parcela de responsabilidade. A farsa eleitoral arrasta junto dela toda a trambicagem que pacifica e boicota a fúria da classe trabalhadora. Ao longo da história foram jogados inúmeros baldes de água fria sob as mobilizações ardentes do povo, pois a democracia burguesa em sua essência, grita por paz entre as classes dominantes e exploradas. Os partidos eleitoreiros e as burocracias sindicais abandonaram a resistência contra a reforma trabalhista ainda em 2017, quando por oportunismo sabotaram a Greve Geral que poderia derrubar o governo Temer, e em 2019, já com a vitória eleitoral de Jair Bolsonaro e seus capangas, em uma demonstração vergonhosa de covardia, sabotaram também as lutas em defesa da educação e abandonaram a resistência contra reforma da previdência de Paulo Guedes.
A pandemia do Coronavírus faz parte do desenvolvimento do capitalismo. A destruição ambiental e a lógica capitalista do lucro têm criado cada vez mais epidemias e pandemias. No Brasil, já contabilizamos mais de 130 mil mortes pela Covid-19, sabendo que menos de 1% dos casos de contaminação são notificados e os dados oficiais não dão conta da quantidade real de mortes. A grande maioria do povo brasileiro submetido desde sempre às condições de vida precárias, miséria, violência, machismo, racismo, LGBTfobia e negação de direitos básicos, segue sendo exposta à contaminação principalmente nas periferias das grandes e médias cidades. O cenário macabro que se desenha na pandemia e se projeta para depois que ela acabar (se é que irá acabar) é do maior desastre da história do país.
Os assentamentos, as ocupações, as favelas, os becos, os morros, as comunidades tradicionais, os conjuntos habitacionais, o campesinato e a periferia, clamam por uma transformação radical, gritam por uma Revolução. Trabalhar mais e mais pela base é nossa tarefa, pois só uma Greve Geral combativa e construída pelo Povo é capaz de manter a classe trabalhadora viva e em luta, a fim de recuperar a dignidade que lhe foi roubada. Temos que resgatar nossas próprias táticas de luta construídas historicamente em nosso país. Desde as lutas dos povos indígenas pela Autonomia e Autodefesa de seus territórios, a Quilombagem e as tradições radicais do povo preto, escravizado no passado e marginalizado no presente, as lutas dos/das camponeses/as pobres contra o latifúndio e a grilagem de terras, as lutas feministas radicais no início do séc XX e as lutas independentes, classistas e combativas do hoje.
A luta se faz aqui e agora. Votar significa depositar esperança num sistema que é podre na sua essência. É como acreditar que uma casa construída sobre bases em ruínas pudesse se sustentar. Nós não queremos reformar a casa, queremos derrubá-la. Uma nova casa, sob nova base deve surgir, feita com as nossas mãos, diretamente. Queremos, ao invés da democracia burguesa e das eleições, uma democracia direta em que as pessoas se organizem para decidir sobre os assuntos nos quais estejam envolvidas, seja no seu bairro, na sua escola, no seu local de trabalho ou qualquer espaço de sua convivência. Queremos uma política que seja feita no cotidiano das nossas vidas. Que sejamos nós mesmos a decidir e agir na organização da sociedade. Precisamos de mudanças profundas no modo de fazer política, na forma de organizar nossa sociedade e, sobretudo, na maneira como produzimos e distribuímos as riquezas. Enquanto uma minoria rica e privilegiada ditar os rumos da nossa vida, nada mudará e a servidão vai prevalecer. É hora de despertar para luta, hora de assumir a rédea dos nossos destinos. Essa proposta não está tão longe quanto parece, e é praticada em diversas partes do mundo, por muitos grupos e povos diferentes. Trabalhadores se reúnem para produzir bens ou prestar serviços sem a necessidade de um patrão, em cooperativas. Diferentes grupos de pessoas se organizam em associações de bairros, mantém centros culturais, participam de movimentos sociais, culturais e políticos, assim como de manifestações, protestos, ocupações e ações para denunciar as injustiças cometidas pelo Estado e pelos capitalistas. São pessoas que pela ação direta, sem representantes e sem chefes, em conselhos e assembleias, decidem e atuam pela transformação da nossa sociedade. Esses grupos se comunicam e se articulam, combinando ações, criando laços de apoio mútuo e solidariedade, planos de ações conjuntas e programas do povo, mantendo sua autonomia, organizando-se sem hierarquias e sem dirigismo, através do que chamamos de federalismo. Façamos nós mesmos a nossa história!
Só uma organização feita diretamente do Povo pelo Povo é capaz de transformar os rumos de nossas vidas e conquistar as mudanças concretas que precisamos no nosso cotidiano. Precisamos acender a chama da rebelião nos corações e mentes de nossos irmãos e irmãs que estão ainda adormecidos pela brutalidade da vida no capitalismo. Somos dez, vinte? Pouco importa. Amanhã seremos legiões em luta contra as injustiças. E nós venceremos.
Que a elite trema diante da classe trabalhadora organizada!
🏴🚩✊🏻✊🏽✊🏿 !!! PAZ ENTRE NÓS, GUERRA ENTRE AS CLASSES !!!✊🏻✊🏽✊🏿🏴🚩
Alternativa Popular, 17 de setembro de 2020.