13/09/2018
Carta Compromisso com a Umbanda, Candomblé e Demais Religiões de Matriz Africana
Prezado senhores (as),
Nós lideranças e seguidores de religião de matriz africana – estamos criando esta CARTA COMPROMISSO por estarmos preocupados com a situação e com os problemas de nossos Pais com uma população na sua maioria negra (52%) em especial o nosso estado uma história missigênica e uma realidade cultural-religiosa sincrética, e que por si só representa a face da democracia. Mas que ultimamente vem se
Distanciando desse perfil, graças a uma minoria desequilibrada apoiada em pseudo representantes do povo (nas diversas esferas do poder), que através de um proselitismo remunerado tem tentado implantar o fundamentalismo religioso como sistema político para o nosso país, nosso estado e para o que há de mais belo nesse país, nossos Estados e cidades.
Atualmente, as religiões de matriz africana vêem sofrendo ataques de todo o tipo. Nossa liberdade religiosa, garantida pela Carta Magna do país está sendo desrespeitada. Sobre essa colocação a pergunta mais simples seria:
A intolerância cresceu e leva pessoas fanáticas a passarem a nos agredir publicamente. As invasões a terreiros tornaram-se uma prática cotidiana. Apedrejamento a templos e agressões ao povo da Umbanda e do Candomblé tornou-se uma diversão. Historicamente, nossos templos sagrados sempre foram como uma “embaixada” para os menos favorecidos pela sorte, o que era benéfico para o poder público, pois mulheres não eram agredidas por seus maridos, quando adentravam nos terreiros em fuga; pais deixavam de espancar seus filhos quando um “mãe ou pai” de santo interferia; homens que engravidavam jovens eram chamados para prestar contas e assumir a responsabilidade pelos filhos. Aquele que não tinha um pão para comer aprendia a pescar para comprar seu próprio peixe, e sua mercadoria não era roubada, nem essas pessoas eram vítimas de assalto, pois estavam protegidos pela estrutura física dessa “embaixada”.
Os marginais passaram a demolir terreiros, a expulsar as comunidades de dentro dos terreiros da Umbanda e do Candomblé, em benefício de viciados no ganho fácil. Dentro de terreiros, para nosso espanto, pessoas foram assassinadas.
Dizemo-nos cidadãos do século XXI e, nessa condição, sabemos que o Estado Brasileiro é laico. No entanto, lidamos com pessoas, em cargos públicos, que estão eqüidistantes dos valores que norteiam a democracia e desconhecem a própria religião que pregam, pois nos acusam de cultuar o “demônio” ou o “diabo” que são figuras que fazem parte de suas religiões e não da nossa – não somos judaico-cristãos, somos candomblecistas, umbandistas… Cultuamos nossos orixás, vodus, ynkices e caboclos que no nosso entendimento são mensageiros de Deus.
Respeitar todas as práticas religiosas e todas as crenças é nosso lema. Acolhemos todos, independente do credo. Ser evangélico, ateu, espírita, católico ou maçom é um direito inviolável de cada um, bem como o de ter opinião diversa e fazer parte de uma agremiação partidária. Temos que conviver com o outro independente de sua orientação sexual ou da cor da sua pele. É isso que nos certifica como exercício da cidadania, e confere a um cidadão a possibilidade de representar o outro: numa prefeitura, numa Câmara Municipal, no Parlamento Estadual e Federal, no Senado.
Por esta razão entramos em qualquer igreja, quando somos convidados, na compreensão de que nas igrejas se cultua Deus, mesmo que – paralelamente – engrandeçam “satanás” e outras figuras dessa linha, que devem ser temidos, até mais que o próprio Deus. Essa diferença dessas crenças não faz com que a rejeitemos. Muito pelo contrário, procuramos respeitá-las em razão do que é singular: Deus.
O quadro a seguir diz a razão pela qual buscamos esse diálogo com os candidatos a Deputados Estaduais Federais, Governadores Senadores
1 – As casas religiosas têm imunidade de impostos garantida pela Constituição. Qual a razão de não permitir a prática desse direito para os Terreiros de Umbanda e Candomblé?
Por que isso se aplica às igrejas de princípios judaico-cristãos que têm esse direito reconhecido, inclusive com doação de terreno para uso pelo povo dessas religiões, e não para a nossa religião?
2 – Será que a nossa Carta Magna, não é tão Magna assim, e se usa de subterfúgios, chamando-os de burocracia, que nunca se esgota e nunca permite que nossas reivindicações sejam atendidas?
3 – Será que o administrador emite parecer para derrubar um Terreiro de Umbanda e Candomblé faria o mesmo em relação a uma “igreja” evangélica?
5 – Na linha do será, nos perguntamos por que será que o órgão fiscalizador Municipal, Estadual e Federal aparece em nossos terreiros quando vamos realizar nossos rituais públicos, sob a alegação de que um vizinho ligou reclamando do “barulho”, mas não ouvem o “barulho” dos bares, igrejas, das festas publicas dos Municípios, veículos nas ruas, entre outros espaços que, ao mesmo tempo em que estamos em festas, ligam sons com abecedeis comparados com os de trios elétricos?