14/07/2026
Covardia com os idosos e pessoas com doenças sérias.
O INSS parece ter se distanciado do seu propósito original. Para muitos trabalhadores, a sensação é de que a aposentadoria deixou de representar um período de descanso após décadas de contribuição. Em vez disso, cresce a percepção de que é preciso continuar trabalhando mesmo na velhice para conseguir manter uma renda digna.
É difícil não questionar esse cenário. Enquanto milhões de brasileiros enfrentam regras mais rígidas para se aposentar, cargos políticos e algumas funções públicas contam com regimes e benefícios muito diferentes.
Um exemplo frequentemente citado é o do ex-vice-governador do Rio de Janeiro, Thiago Pampolha, que renunciou ao mandato em maio de 2025 para assumir uma vaga de conselheiro no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ). O cargo foi preenchido por indicação do governador Cláudio Castro, dentro da cota do Executivo, com aprovação da Assembleia Legislativa, sem concurso público. A função é exercida até a aposentadoria compulsória, atualmente aos 75 anos, e tem remuneração bruta mensal superior a R$ 41 mil.
Outro ponto que costuma gerar debate é o regime de aposentadoria de ocupantes de cargos políticos. É importante lembrar que, atualmente, presidentes da República não se aposentam automaticamente após um mandato. Desde 1997, não existe um regime especial de aposentadoria para parlamentares ou presidentes baseado apenas no exercício do cargo. Ainda assim, ex-presidentes podem ter direito a benefícios previstos em lei ou aposentadorias obtidas pelas regras gerais, desde que preencham os requisitos aplicáveis.
Essas diferenças alimentam o sentimento de injustiça entre muitos trabalhadores, que passam décadas contribuindo para o sistema previdenciário e enfrentam cada vez mais dificuldades para alcançar uma aposentadoria que lhes proporcione segurança e tranquilidade na velhice.