04/09/2024
Mulheres e Gestão publica
Historicamente no Brasil a política é um universo masculino e machista, pois, a conquista da participação das mulheres na política é muito recente. Até a década de 30 o voto e a candidatura era exclusivamente masculino.
O sufrágio feminino só aconteceu em 1932, e essa conquista só foi possível após movimentos feministas que aconteceram nos EUA e na Europa por direitos políticos.
Vamos enumerar algumas de nossas conquistas recentes:
- Em 1977 a Lei do divórcio foi aprovada;
- Em 1988 a constituição brasileira reconhece que mulheres possam ser vistas como iguais aos homens;
- Em 2002 a falta de virgindade não pode ser considerada motivo para um homem anular o casamento;
- Em 2006 é sancionada a Lei Maria da Penha;
- Em 2015 é aprovado a Lei do feminicídio;
- Em 2018 a importunação sexual passou a ser considerado crime;
- Em 2021 criou-se a Lei para prevenir e combater a violência política contra mulheres.
No governo Sarney criou-se o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, o primeiro órgão governamental voltado à afirmação da igualdade de gênero. Foi um marco importante que impulsionou a articulação de diferentes movimentos e organizações de mulheres. No governo Lula, os direitos das mulheres ganharam maior visibilidade política e importância institucional com a criação do Ministério das Mulheres.
Tivemos alguns avanços, a Constituição de 1988 foi um divisor de águas na luta das mulheres no Brasil. Nela, a igualdade legal entre homens e mulheres faz parte do capítulo dos direitos e garantias fundamentais dos indivíduos, mas a busca por uma sociedade justa e igualitária é um processo contínuo, que exige dedicação e empenho constantes. Simone de Beauvoir escreveu:
“Nunca se esqueça que basta uma crise política, econômica, ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados”.
Agora que sabemos um pouquinho mais sobre nossas conquistas, podemos falar sobre a participação feminina na política, que é mínima, ou não existe na gestão pública.
Em relação ao município de Itaara, na eleição passada as mulheres não conseguiram ocupar uma cadeira no legislativo. Muitas coisas precisam mudar, pois precisamos mais do que as garantias ao direitos básicos atendidos. Afinal direitos são passíveis de ampliação, interpretação e reconstrução.
A elaboração dos direitos das mulheres serve como um mecanismo jurídico para nos proteger de vulnerabilidades. Permite que ações práticas nos âmbitos social, político e econômico sejam implementadas a partir de medidas governamentais.
Então o meu questionamento é: Porque mulheres não votam em mulheres, se somos maioria e o nosso voto é determinante para quem vai legislar?
É urgente e necessário afirmar a mulher como um ator político, tendo o direito de ocupar o espaço público e ter participação social. Pode até parecer mi mi mi de feminista, mas esse assunto é muito mais amplo e necessário. Quando mulheres não alcançam cargos públicos, nossa sociedade não pode ser considerada democrática, pois mais da metade do eleitorado não está sendo representado.
E como mudamos essa realidade que por hora encontra estagnada?
PRIORIZANDO
POLITIZANDO
ENCONTRANDO SUAS REFERÊNCIAS FEMININAS
VOTANDO EM MULHERES
Precisamos mudar essa realidade, enquanto pensarmos que mulheres não tem chance para vencer, elas não irão vencer. Nós somos a maioria do eleitorado brasileiro e ainda assim somos sub-representadas. Precisamos questionar se as Leis de proteção as mulheres realmente nos dão garantias, se precisam ser aperfeiçoadas.
Só poderemos mudar essa realidade por meio do voto. Procurem mulheres que te represente. Mulheres que lutam. Mulheres fortes. Mulheres que trabalhem ou trabalharam para o desenvolvimento do nosso município.
E é nesse momento, onde se instala essa uma nova estrutura de gestão que é fundamental que haja uma participação justa de ambos os sexos na administração.
As mulheres ao reivindicarem maior participação, entendem que precisam ser mais representadas em um mundo onde haja o respeito pela dignidade, pela diversidade, pela igualdade e não a dominação.