12/02/2022
A Fazenda Palmital, de propriedade do Dr. Antônio Moreira de Barros, tem uma área de cerca de 1.200 alqueires de terras, e foi dedicada principalmente à cultura do café, de que tinha uma plantação de 750.000 pés. A produção média anual era de cerca de 54.000 arrobas. A fazenda era montada com os mais aperfeiçoados processos para lavar os cafés, despolpá-los, distribuí-los pelos terreiros, por canais de água. Os maquinismos para descascar e classificar eram também os mais modernos e apropriados. Todas as máquinas eram acionadas por um motor elétrico cuja corrente era fornecida pelas usinas da Companhia Paulista de Eletricidade, seção São Carlos. Os terreiros, que eram ladrilhados e macadamizados e depois pichados, ocupavam uma área de 2 alqueires, ou seja, 49.000 metros quadrados.
As pastagens, onde eram criadas mais de 300 cabeças de gado vacum, 60 lanígeros South-Down, 60 cavalos e mulas e 250 porcos, estendiam-se por 70 alqueires de pasto e 700 de campo. Seis colônias, disseminadas em pontos salubres e cômodos, abrigavam em cerca de 130 casas, 100 famílias de colonos que trabalhavam na lavoura de café. Cada família de colonos, a maioria descendentes de italianos, tinham criação de gado, porcos, cabras e galinhas, possuíam atinente à casa larga faixa de terrenos para hortaliças e fartas e férteis terras para roças onde cultivavam cereais com toda a liberdade.
A fazenda dispunha de 10 carroções de 4 rodas puxados por 8 mulas cada um e outros por bois e também uma locomotiva de 40 HP que puxava duas gôndolas com capacidade para 150 sacos de café beneficiado em cada uma. A iluminação em toda a fazenda e colônias era elétrica.
Nas florestas que o proprietário conservava cuidadosamente e numa área de cerca de 200 alqueires, encontravam-se as melhores essências, que eram empregadas nos trabalhos da fazenda; para seu preparo, havia uma bem montada serraria. A fazenda dispunha de uma oficina completa para os consertos e fabricação de maquinismos e material rodante. A casa de residência, de muito luxo e conforto, era cercada dum jardim e pomar de 7 alqueires. E há uma floresta de 53 alqueires onde se encontrava toda a espécie de caça. Esta fazenda é uma das maiores do Brasil.
O Dr. Antônio Moreira de Barros nasceu em 1867, no Brasil, onde fez os seus estudos. Formou-se em Direito e em 1888 saiu diplomado da Faculdade de São Paulo; desde essa época se dedicava à cultura do café. Residia parte do ano na fazenda e o restante no seu palacete à Alameda Barão do Rio Branco, 20, em São Paulo. O Dr. Moreira de Barros era filho único do falecido estadista Moreira de Barros, antigo Ministro de Estrangeiros, líder da Câmara dos Deputados, presidente da mesma Câmara e presidente da província no regime imperial.
Em 2020 a fazenda foi doada ao Instituto Cenários Futuros com o objetivo de preservação, restauração e conservação.
Contribuição do amigo Humberto Eufrade.