03/07/2020
Nesta semana indicamos a obra "A Montanha Mágica" de Thomas Mann.
“Mann, génio da ironia, não pôde dominar a arte que enseja a criação de
personagens shakespearianos ou cervantinos, arte essa que, no século passado,
talvez só tenha sido dominada por Proust e Joyce. Hans Castorp, protagonista de A Montanha
Mágica, é imensamente admirável e querido, e aprendemos a não tomar no sentido
literal a constante ironia de Mann com respeito à mediocridade do melhor herói por ele criado. A ironia, seja na literatura ou na vida, é gesto defensivo, e Mann ressentia-se
dos críticos que consideravam sua obra mais irónica do que cómica. A Montanha
Mágica e Doutor Fausto não são, absolutamente, romances cómicos, mas As Confissões
do Vigarista Félix Krull certamente, o é, e demonstra o surgimento tardio da
personalidade goethiana em um protagonista de Mann.”