15/06/2016
Comunicado do Ocupa Caic, esclarecendo os motivos da desocupação.
No dia 28 de abril o caic foi ocupado, como uma forma de reivindicar os direitos dos estudantes, buscávamos melhorias na educação pública. A ocupação foi um momento onde aprendemos a viver em coletivo, aprendemos a respeitar as diferenças dos outros e a amar cada um deles, formamos uma família lá dentro, éramos fortes juntos.
Infelizmente desde o começo da ocupação nós não conseguimos o apoio da comunidade, tentamos explicar para os moradores do Bom Jardim que aquilo era um ato político, porém eles não nos escutaram, e muitas vezes falaram calunias sobre os estudantes. A ocupação vem sofrendo assédio moral do governo e da mídia seletista que quando fazem alguma reportagem, criminalizam o movimento trazendo depoimentos falsos de pessoas que não conhecem a rotina da ocupação, influindo na opinião de alguns moradores da comunidade sobre a conduta dos alunos. Tudo isso é um ataque a greve, realizada pelos professores do nosso estado, pois o governo sabe que as ocupações vem dado força aos professores para continuar a greve, e cada dia mais a nossa luta se unifica, afinal temos pautas em comum, onde buscamos uma melhoria nas escolas públicas do Ceará. Acreditamos que esses assédios por parte do governo fez com que a gestão se voltasse contra nós, e as reportagens da imprensa tentando desmoralizar a ocupação contribuiu para que a comunidade se posicionasse desta forma.
Há duas semanas o Caic vem sofrendo alguns assaltos, nossa escola é bem aberta, o que facilita a entrada e saída de qualquer pessoa. Já se vinha estudando a ideia da desocupação pacífica, por conta da diminuição do número de ocupantes e da espera do fim da greve dos professores, o grêmio entrava em constante reuniões para decidir como ia se dar o futuro da ocupação, então chegou em um consenso que seríamos poucos para conter os alunos caso a greve acabasse.
Com o episódio do assalto a creche/escola, e a bomba caseira jogada na escola na hora da nossa assembleia, o grupo ficou bem abalado e nos sentimos em estado de perigo, criou-se a hipótese mais forte de desocupação para não sofrer mais com aquele problema, então durante a manhã da segunda feira (13/06/2016) em assembleia foi votada pela desocupação pacífica, que se daria pela noite do mesmo dia, porém alguns estudantes foram contra a desocupação, e ficou naquele impasse... Desocupa ou não? Decidimos fazer uma reunião depois do jantar, para decidir o rumo da ocupação. A reunião foi feita nos dormitórios, e no final da reunião começamos a escutar umas pessoas gritando no andar de baixo, assustados, fomos olhar que barulho era aquele, e quando chegamos lá, nos deparamos com a comunidade rasgando a faixa da ocupação e alguns cartazes, eles foram chamados pela diretora da escola, com o fim de forçar nossa saída de lá. Quando percebemos que aquilo era uma jogada para tirar a gente dali, resolvemos resistir, e algumas pessoas que moravam perto do CAIC chamaram uns traficantes para tirar a gente de lá. Foram momentos muitos tensos. Todos ficamos acuados enquanto eles passeavam livremente pela escola ameaçando os estudantes. Durante o conflito alguns estudantes foram agredidos e uma menina foi ameaçada de morte caso voltasse na escola.
Vimos que com todo esse tumulto, com a falta de segurança, com as ameaças que sofremos, não era possível prosseguir com a ocupação. Nós desocupamos o CAIC ontem(13/06), porém queremos deixar claro que não vamos parar na luta, os estudantes que ocupavam o CAIC estão agora dando apoio ás outras ocupações do nosso bairro.
A ocupação sempre foi uma ferramenta política, iremos mudar nossas táticas pois não temos mais condições de sustentar uma ocupação, continuaremos dando apoio as ocupações do Ceará, e vamos continuar lutando por uma educação digna.
Agradecemos a todas as pessoas que nos ajudaram nesses 47 dias de ocupação, a todos os professores e alunos que estão em busca de uma educação de qualidade, o rumo do movimento estudantil não para por aqui. Vai ter resistência sim, resistência da luta.
Por uma educação que nos ensine a pensar, e não a obedecer.