12/04/2016
CURSO BIOMECÂNICA APLICADA AO TREINO DE FORÇA
Carga X Intensidade
A carga de treinamento representa um conceito abrangente e complexo. Segundo Zakharov (1992, p.57), a carga de treinamento é “um estimulo capaz de provocar adaptações no organismo”, sendo tradicionalmente dimensionada através dos componentes volume, intensidade, frequência, densidade e duração (Wernbom, Augustsson & Thommeé, 2007).
Por vezes nos prendemos à carga como fator principal para levar um indivíduo à fadiga, ou falha concêntrica. Mas esquecemos que carga e intensidade são coisas totalmente diferentes. Em se tratando do treino de força, a necessidade é um treino intenso, independente do objetivo, seja ele hipertrofia, redução do percentual de gordura, aumento da força máxima etc.
Uma determinada carga X gera uma intensidade Y, que gera um nível de fadiga e consequentemente uma adaptação. Tal modelo foi proposto por Hans Sellye em 1956, denominado “Síndrome Geral de Adaptação”.
Então o fator principal a ser controlado é a intensidade, e, a partir disto saber qual nível de fadiga esta intensidade é capaz de gerar e adequá-la aos objetivos do aluno.
Se o foco é a intensidade, esta pode ser aumentada ou diminuída pelas mais variadas formas, inclusive Cinesiológicas e Biomecânicas (na maioria das vezes é).
Se o foco é voltado simplesmente para o controle da carga, o erro na periodização do treino de força é quase certo.
A tabela abaixo ilustra duas situações para o mesmo indivíduo, onde na fase de avaliação e te**es (Pré), tal indivíduo realizou o teste de 1RM e obteve 100kg para um exercício X, obviamente consideramos então este valor referente a 100%.
Feito isso, o treinador resolve iniciar o trabalho neste exercício com uma carga de 80kg, logo esta carga representaria 80% de intensidade relativa, lembrando que o valor de 1RM foi 100kg. Após 6 semanas, o treinador havia aumentado esta carga para 96kg.
Se analisarmos apenas o valor absoluto da carga, foi considerável o aumento da mesma em 6 semanas, de 80kg levantados para 96kg. Mas imaginemos outra situação, se após estas 6 semanas, o treinador fizesse outro teste de 1RM, e verificasse um novo valor, 1RM= 120kg. Resultado: a intensidade que iniciou em 80% continua nos mesmos 80%. (Ver tabela)
Consequência: o rendimento deste aluno aconteceria até a melhoria da coordenação neural, logo após entraria numa fase de platô e o rendimento passaria a declinar, isto por que o controle feito visou a carga e não a intensidade imposta, a mesma não geraria mais o nível de fadiga gerada no início.