12/01/2022
Aos 24 anos, Tawy Zó'é carregou o pai Wahu Zó'é, de 67, por horas dentro da floresta, em um trajeto com morros, para que o pai também pudesse ser vacinado contra o coronavírus.
Para o médico Erik Jennings Simões, autor da foto, este foi um dos momentos mais marcantes de 2021, registrado ainda em janeiro, mas publicado somente agora.
"Foi uma forma de tentar mandar uma mensagem do povo Zo'é, porque eles sempre perguntam se o branco está se vacinando e se a Covid-19 já acabou", conta o médico.
A população Zo'é vive em uma área de floresta preservada no norte do Pará e é composta por cerca de 325 indígenas que vivem em mais de 50 aldeias, segundo os agentes de saúde da região. Desde o início da pandemia não houve casos de Covid-19 entre o povo Zo'é, diferente do restante da população indígena do resto do Brasil, que registrou mais de 57 mil casos e 853 pela doença.
Erik, que é médico do povo zo'e há duas décadas, explica que os indígenas se dividiram em grupos de aproximadamente 18 famílias e se isolaram de qualquer tipo de contato. Ele explicou que a vacinação foi organizada em um ponto fixo entre as aldeias para evitar que os grupos se encontrassem.
Ainda, ele contou que a equipe de saúde combinou com os indígenas que a vacinação seria organizada em um ponto fixo entre as aldeias e que cada família se deslocaria para essa base, tudo pra evitar que as aldeias se encontrassem ou que a equipe de saúde transitasse entre a moradia de uma família e outra.
Tawy carregou o pai em uma espécie de Jamanxim, esse tipo de cesta, quase uma mochila, pela floresta para conseguir a imunização. Seu pai não podia enxergar o caminho, por conta da visão debilitada e tampouco aguentaria as horas do percurso de ida e volta.
Por fim, Erik relata: "Os indígenas não entendem o motivo de muitos brancos não terem se vacinado. Eles se preocupam com isso porque sabem que se o branco não se cuidar também reflete neles."
via Folha de S. Paulo
📷: Erik Jennings Simões