03/07/2024
Bom dia queridos e queridas
Deixamos aqui uma sugestão para aqueles leitores que já se descobriram amantes da leitura, pois não é um livro curto este. Tuiatã, de Hilda Simões Lopes, foi um livro que chegou durante a pandemia, através de uma magnífica doação da Libretos para nossa Biblioteca.
Lembro de já ter relatado algumas vezes o prazer que é morar numa biblioteca, e percorrer com os olhos as prateleiras cheias de histórias guardadas nas páginas dos livros. Esta vez foi o Tuiatã que chamou minha atenção.
Este romance histórico narra a saga duma família que inicia no ano 1720, Minas de Ouro, Brasil. A família se origina a partir da paixão entre um dragão português e uma cigana, que cruzam seus caminhos e decidem construir sua família nas quase desabitadas e perigosíssimas terras do extremo sul, o que hoje é o Rio Grande do Sul. Através da gerações, acompanhamos de perto a história dessa grande família, tendo por cenário a história do Brasil e do Rio Grande do Sul. Passamos por guerras, revoluções, fugas, paixões, festas, homens corajosos e mulheres fortes. Revolucionários, políticos, poetas e pensadores cruzam-se, amam, sonham, morrem e lutam, enquanto as gerações se sucedem.
O livro conta também com imagens e documentos que revelam a extensa e rigorosa pesquisa da autora. Através das vidas, ideias, angústias e sentimentos das personagens verídicas da obra, acompanhamos a formação social, econômica e política, do futuro estado do Rio Grande do Sul.
Quero deixar aqui também esse trecho do livro, essa descrição do conforto que nos traz nos saber dentro de uma grande família, esse sentimento de pertencer.
“Os dois tios estavam tristes, nostálgicos. Falávamos nas gerações passadas e eu os via como alguém que segura um líquido precioso com as mãos e o vê escorregar e se ir indo, sumindo e as mãos ficando vazias. E úmidas. Os tempos mudavam com rapidez. O que foi não era e o que era logo não mais seria. E os tios vinham do tempo quando o passado se repetia e as mudanças eram tênues. O tempo da família gigantesca, onde um por todos e todos por um, onde falar de alguém do próprio sangue era indigno e sempre havia um idoso ou idosa respeitável numa grande poltrona frente a quem os corações faziam mesura, e de uma voz suave se ouviam sermões carinhosos ou perguntas claras sobre comportamentos inadequados. A grande família era uma descomunal piscina de águas rosadas e mornas onde a gente relaxava, se reanimava e de lá saía da alma acalentada e vontade fortificada.”
Depois da leitura, e de conhecer um pouco mais da personalidade do J. Simões Lopes Neto, fomos perceber que temos também um livro dele na biblioteca, Contos Gauchescos e Lendas do Sul. Será uma experiência diferente ler seu livro depois de "conhecê-lo".
Boa leitura!