07/06/2020
COMUNICADO DAS ORGANIZAÇÕES ANTIFAS DE CURITIBA SOBRE O ATO ANTI RACISMO DE 01 DE JUNHO
As Organizações Antifascistas de Curitiba, Ação Antifascista e Gulabi Antifa, vêm a público se pronunciar sobre a manifestação Anti Racismo (segunda dia 01/06) onde participamos como apoiadoras e apoiadores da pauta.
O Ato surgiu como evento nas redes sociais (facebook) e assim que soubemos nos organizamos para estar presentes junto à bandeira Antifa como forma de manifestar que na luta antifascista o anti racismo deve ser central. Entendemos que o fascismo têm sua base firme em projetos de extermínio da população negra e indígena enquanto o Estado se fantasia de democrático apenas para as pessoas brancas, portanto lutar contra o fascismo têm como pauta central lutar contra o genocídio da população negra.
Em nenhum momento nós, organizações antifascistas, estivemos na organização do ato para além de manifestar nosso apoio na segurança (ajudar a fechar as ruas e manter o ato unido). Também não fomos responsáveis pela falta de diálogo entre a organização e movimentos negros, visto que não estávamos participando da organização do ato, não silenciamos falas pois ficamos ao lado da praça junto a bandeira. Reforçamos que sempre estaremos abertos e abertas a dialogar com o movimento negro e qualquer outro movimento social. Infelizmente, por estarmos compondo a linha de frente junto à nossa bandeira na intenção de auxiliar a segurança da manifestação em caso de qualquer tipo de repressão, acabamos roubando o protagonismo de um ato que antes deveria estar centrado essencialmente no Anti Racismo, e consequentemente confundidos como organizadores. Sabemos e compreendemos que as pautas devem ser diferenciadas apesar do racismo ser uma das expressões mais fortes do fascismo, pela necessidade urgente de visibilizar e combater um projeto de Estado genocida. A cada 23 minutos um jovem negro é assassinado de maneira covarde pela polícia, e apagar a centralidade da questão racial na realidade brasileira nunca foi nosso intuito. Fazemos portanto a autocrítica de ter estendido a faixa à frente e ter colaborado para invisibilizar a luta antirra***ta.
Nos últimos dias a bandeira antifascista têm se popularizado nas redes sociais para além das organizações e de nossos espaços. Muitos têm se identificado com o termo por identificar a ascensão do discurso fascista dentro e fora do Estado desde as jornadas de Junho de 2013. Ficamos muito felizes com o número de pessoas que têm escolhido se posicionar diante das injustiças sociais, mas é nosso dever alertar para o cuidado e segurança que devemos ter ao utilizar esse selo, pois nossa história de enfrentamento direto com grupos e organizações neonazistas e de extrema direita pode colocar pessoas em risco. Também queremos enfatizar à essas pessoas que têm se posicionado recentemente que o antifascismo vai muito além de ser oposição à um Governo ou outro. Reconhecemos que derrotar o atual líder genocida pode representar um grande ganho para nossa luta, porém o antifascismo carrega uma história de organização sistemática contra um projeto de sociedade que é perpetuado governo após governo, e derrubar um ou outro não vai derrotar toda a estrutura fascista e ra***ta. Isso requer anos de atuação e organização coletiva em movimentos sociais junto ao povo.
A respeito dos chamados “atos de vandalismo” e as acusações de que somos responsáveis pelas ações diretas, afirmamos que não podemos nos responsabilizar pelos efeitos da revolta popular em um ato massivo como esse. Recentemente muitas pessoas têm se posicionado como antifascistas e se identificado com diversas táticas de luta sem necessariamente ser das organizações antifascistas (o que não é um problema). O povo possui e utiliza de seu direito de manifestar contra as injustiças sociais e diante de tantos ataques às nossas condições de vida é compreensível que as pessoas se rebelem. Não devemos confundir a reação dos oprimidos com a violência dos opressores. Enquanto alguns reclamam pela integridade de objetos e vidraças, todos os dias vivemos o luto e choramos o sangue de filhas e filhos, irmãos e irmãs, derramado pela violência institucional do Estado. Seja através de operações policiais criminosas, leis antiterrorismo, ou pela fome, desemprego e falta de acesso à saúde e educação. É a violência do Estado e de seu projeto fascista de extermínio que devemos questionar.
Dito isso, nos posicionamos CONTRA a criminalização dos movimentos sociais e prisões arbitrárias da polícia militar e pelo arquivamento dos processos às pessoas detidas após a manifestação. Lutar não é crime, protestar é nosso direito! nos colocamos lado a lado na luta pela liberdade e contra a criminalização de movimentos sociais. Seguiremos firme na resistência lutando por justiça e pelo fim da racismo, do machismo, da LGBTfobia e toda expressão do fascismo que ainda existe.
PROTESTAR NÃO É CRIME!
VIDAS NEGRAS IMPORTAM!
LIBERDADE PARA OS PRESOS POLÍTICOS!