Xuletando

Xuletando Atividades rupestres.

16/08/2016

GOLA MOURA

Sabe aquelas feiras, que de um olhar mais puritano assustaria, organizadas por um pessoal descolado, desolado e orgânico? Numa dessas que estive, e em inúmeras demonstrações, entre cactáceos, cotiledôneas, monos, dicos, tripos e ate a mais longínqua ordem taxonômica que você queira e suporte ir e nos recôncavos a definir. Talvez aí comece o erro, nas definições, e talvez ai também te finde.

Percorrendo cada estande, entre meus olhares, por horas contemplativo, outrora surpreso, agora deslumbrado, certo que eu estava ficando.. de verdade mesmo, não tinha nada mais agradável do que aquela plantinha, fosse em desenvoltura, formosura, cognição ou qualquer outro motivo translucido a mim, tal como a nuance de seu espasmático riso.

Fui rápido, claro, inapto, sem dúvidas, e logo te trouxe a minha terra, ao cabo de embelezar minha confusa e malemolente existência, mas até então tudo que eu sabia era sobre violetas, orquídeas, suculentas; nada sobre plantas ornamentais, e bom.. dai já viu, no anseio de ver o mais valente e pleno desenvolvimento dessa semente, a gente acaba ousando no regar, tardando a tirar do sol, uma confessa sucessão de erros para uma inflexível mudança de realidade.

07/07/2016

Colecionava compotas: palmito, pepino, rolmops, pessoas.
Guardava na geladeira: refrigerado, longe da sua vista..
mas em sua posse para seu esporádico consumo.

06/07/2016

SINET

É diferente quando se para
levanta a cabeça
inclina o olhar aos céus

então o fluxo de pensamentos outrora: apressado, passadiço, irrelevante dá lugar a um outro ritmo,
tal qual o das nuvens
o mesmo do voar dos pássaros
conduzido pelo vento que toca suas asas
levando-os num passeio
sem hora
paz..
a nosso alcance.

24/05/2016

Eu precisava ouvir novamente a verdade
mas seu medo, vergonha e silêncio
deram forças as minhas trevas
não há culpados
tampouco ressentidos..
somente omissos
e desgraçados.

19/04/2016

Entraram de mãos dadas no mercado:
Ele tava p**o que o dinheiro não ia dar pra comprar o premiado vinho argentino.
Ela tava feliz que ia tomar um campo largo.
Chegando na fila das compras:
Ele mentalmente questiona quem é o filho da p**a que contrata esses m***a desses velho pros caixa do mercado, meia hora pra achar a p***a do código de barra.
Ela olhando a ruga nas mãos do senhorzinho lembra do seu vozinho, as pescaria no rio, a comidinha de domingo.
Saem do mercado, sinal amarelo, freiada brusca:
Ele xinga aos quatro cantos a imbecilidade do cidadão, bate no peito, chama pra si.
Ela descendo o queixo agradece ao motorista por ter parado.
Chegam no parque:
Ele vendo uns mendigos fumando maconha, vendo o lugar de gente do bem sendo tomando por vagabundo, se irrita.
Ela vendo o céu azul, os pássaros, as arvore, se alegra com aquele dia.
Terminam o namoro, não sei por qual motivo:
Ele sai xingando aquela vagabunda, deve ta traindo. (pobre diabo, perdeu sua unica alegria)
Ela já pronta pra um recomeço. (a liberdade, sempre foi sua companhia)

31/03/2016

Vou corria já estava
te alcançava a carne fria

no encontro não encontrava
ali estava e não sentia

essa pressa que morava
a nós casa vazia

volto os olhos ao que é eterno
lembro..
meu peito sabia.

25/02/2016

Octro Nove

Acaso eu te diria da insegurança que sofria? O mais breve silêncio me fez questionar aos céus, e este me dizia fechado em nuvens apenas uma turva visão daquele brilho, pontilhado, recordo, entrecortado por verde, marrom, as cores da natureza; eu brindo porque voltou naturalmente.

O que lhe traz? Boas memórias, e por essas também que mantive sorrindo o cultivo, sim, arei a terra. Semeie, caía a chuva quando a semente foi posta, próxima daqui, ali nos andes.

Andes, andemos até calejar os pés, a mão foi dada, a mesa posta, e adormecemos nos braços teus meus, acordei: vivia mesmo, podia sonhar mais uma vez.

25/11/2015

Sabemos que a marcação temporal dada no relógio, pouco corresponde com a realidade do que chamamos de tempo decorrido. Um minuto naquele restaurante com rodízio de sua preferência, e um minuto parado no trânsito tem dimensões bem distintas, logo: o tempo passa diferente para cada situação, o tempo sobretudo está marcado pelas emoções.

Suponha um ser humano "adulto", adulto esse porque completou dezoito anos, acaso as vivências desse com outro de mesma idade são fidedignamente semelhantes? talvez em restritos aspectos, pois no campo do tempo decorrido, pautado pelas emoções, certamente não.

Agora preciso da sua imaginação: imagine um bebe, daqueles bem fofo, a sua volta, que grita, chora e esperneia, porque quer c***r, comer ou carinho, e de repente ele começa a crescer e em menos de um minuto ele adquire a aparência de um velhinho, sim tão somente seu crescimento se deu no corpo, nada no campo da inteligencia emocional, ele certamente irá gritar, chorar e esperneia para ter atendida suas necessidades.

Agora olhe ao redor, olhe ao mundo, faz sentido a carga que tu tem imprimido aos "adultos", esperando deles toda sorte de comportamentos maduros?

Relax baby, não viva sofrido com esses bebe crescido.

26/10/2015

George parou em frente aquele grande espelho, olhando e tocando suas imperfeições, primeiro o deslumbre, em seguida o medo, o medo do que ali via, nunca imaginara que dentro de si habitasse tal homem.

Alguém lhe cutuca, se depara com uma pessoa numa máscara vermelha, sorridente, imponente e sobretudo imutável sobre sua face, e esse com inumeras outras mascaras em sua mão lhe oferece uma. Sem dar tempo a resposta, George tem seu rosto coberto.

Alguém mascarado lhe enlaça os braços, e George é conduzido a uma roda, todos mascarados, todos de vermelho; dançam, cantam, vibram. Seu olhar ao longe de repente encontra a uma outra roda, e nela pessoas mascaradas de azul também dançam, cantam, se escondem.

A cada dia e ao longo dos anos, inumeros são os agregados as rodas, até que essa não comportando mais, sofre clivagens, e criteriosamente selecionados (um sim, um não, um sim, um não) são divididos a uma nova classe: vermelho com traço rosa, azul com traço verde.

Por ter o braço muito comprido do seu novissimo grande grupo, George fora convidado a empossar a bandeira, e com ela desfilar. As outras rodas ao verem a bandeira de George, triunfante aos mais altos céus, logo se puseram a chorar.

Um dia o braço de George pesou, cansou e caiu por terra, envergonhado se arrastou calado e escondido para longe da farra; suas costas esbarram em algo, se vira e se depara com um antigo espelho, lembrou que um dia esteve diante de um, e chorou por não lembrar qual era sua verdadeira face.

06/10/2015

Sabe aquelas palavras cruzadas? Hoje em dia tá barato, um pila leva, e somado a doses homeopáticas de amendoim, te garantem por décadas uma memória de elefante.

Elefante, por não ter joelhos, pelo apetite, e pela palavra cruzada que já estava findando mais uma página, mas faltavam duas palavras e sabe lá quanto tempo mais ali permaneceria até que se lembrasse. Na verdade eu, espectador e conhecendo seus trejeitos, estimei em meio minuto, não por confiar em suas sinapses, mas ahhhhh o ser humano e suas repetidas manias.

Não demorou, tirou os olhos do caderninho e percorrendo o olhar sob todos, vendo que não tendo testemunha a seu crime, vai as ultimas páginas, e após verificar a resoluta resposta, cerra os punhos os olhos e brada silenciosamente sua vitória.

Elefante vira a página, seu novo e secreto desafio.

06/10/2015

Separou o lixo em casa, jogou a bituca na rua
desperdiçou comida em casa, deu ração ao cão de rua
cumprimentou o porteiro de casa, xingou o motoqueiro na rua
na rua um vira lata, em casa: é banho e tosa.

01/10/2015

Eu gritaria, se soubesse o que gritar.
Eu corerria, se soubesse onde ir.
Eu morreria, se soubesse onde cair.
Mas pra gritaria e correria, já morri faz tempo.

Endereço

Curitiba, PR

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