16/08/2016
GOLA MOURA
Sabe aquelas feiras, que de um olhar mais puritano assustaria, organizadas por um pessoal descolado, desolado e orgânico? Numa dessas que estive, e em inúmeras demonstrações, entre cactáceos, cotiledôneas, monos, dicos, tripos e ate a mais longínqua ordem taxonômica que você queira e suporte ir e nos recôncavos a definir. Talvez aí comece o erro, nas definições, e talvez ai também te finde.
Percorrendo cada estande, entre meus olhares, por horas contemplativo, outrora surpreso, agora deslumbrado, certo que eu estava ficando.. de verdade mesmo, não tinha nada mais agradável do que aquela plantinha, fosse em desenvoltura, formosura, cognição ou qualquer outro motivo translucido a mim, tal como a nuance de seu espasmático riso.
Fui rápido, claro, inapto, sem dúvidas, e logo te trouxe a minha terra, ao cabo de embelezar minha confusa e malemolente existência, mas até então tudo que eu sabia era sobre violetas, orquídeas, suculentas; nada sobre plantas ornamentais, e bom.. dai já viu, no anseio de ver o mais valente e pleno desenvolvimento dessa semente, a gente acaba ousando no regar, tardando a tirar do sol, uma confessa sucessão de erros para uma inflexível mudança de realidade.