11/03/2026
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Centro de Trabalho em Psicanálise Afinal quem desconhece a porta que S. Mas “lembremos que o cartel não é um órgão de trabalho coletivo.
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Pioneira na capital e no Estado do Paraná na continuação das teses de Sigmund Freud e de Jacques Lacan, esta instituição psicanalítica se compraz do amadurecimento de sua trajetória. Fundada em 1980 , reestruturada em 1988 e considerada instituição de utilidade pública por decreto governamental, apenas em 1995 é que definiu seus dispositivos de formação, articulando seu funcionamento nos moldes atuais. A dominante da reestruturação e posterior definição, foi a de ceder lugar à transferência de trabalho com o texto psicanalítico Atualmente é constituída por: - Cartel Diretivo - que se ocupa dos rumos éticos da instituição e da preservação dos dispositivos de formação do psicanalista, - Cartel de Gestão - que organiza, planifica e cuida das condições de execução dos projetos de ensino, de cartéis e de clínica. A transmissão da psicanálise e a formação de psicanalistas fazem, do mister de suas atividades, as razões de um exercício ético constante. Transmitir um saber fora dos cânones acadêmicos e no interior da cultura da qual faz parte e participa, implica uma responsabilidade que a torna capaz de operar transformações tanto no nível singular como no coletivo. Afinal quem desconhece a porta que S. Freud abriu ao revelar, nos atos humanos, a presença inquieta e inquietante do inconsciente e seus efeitos? Aproveitemos também este espaço para falar um pouco da atividade promovida pela BFC que efetivamente, seguindo os ensinamentos de Lacan, constitui o órgão base para transmissão da psicanálise: o cartel. “Vamos. Reúnam-se vários, grudem-se o tempo necessário para fazer alguma coisa, e depois se dissolvam para fazer outra coisa, se desliguem antes de ficarem grudados irremediavelmente” (Lacan, 1980). Mas “lembremos que o cartel não é um órgão de trabalho coletivo. Sujeitos são cooptados para perseguir a céu aberto, em seu grupo, o progresso de cada um sobre o tema escolhido. Fazer a supervisão da qual resulta o objeto de uma experiência analítica, isto especifica o cartel” (1964). Esta é a proposta de Lacan ao denunciar o saber pré-digerido, que mascara a ignorância, praticado em muitas instituições de ensino. É uma proposta dentro da lógica do não-todo, em que se faz sentir o impacto da destituição de um saber. Freud (1921) nos adverte das influências do grupo sobre o indivíduo, efeitos que Lacan chama de obscenidade imaginária. Assim, não se trata de colocar uma objeção à prática de grupo, mas sim de não desmentir seus efeitos. Fazemos aqui convite a esta experiência analítica. Que auxilie cada um a passar do ‘tú és aquele que me seguirá’ para ‘tu és aquele que me seguirás’, proferindo sua fala em nome próprio.