11/05/2026
Dia das Mães é sempre um silêncio esquisito.
É um misto de dores,atravessadas em cada peito.
A dor da saudade.
A dor do abandono.
A dor do trauma.
A dor do abuso, da conivência.
A dor da ausência, da vergonha.
E por fim, a dor de não ter direito.
Nenhum direito, ninguém ali.
Eu nunca vou esquecer dos dias em que eu ensinei Ketlyn a dar banho no neném.
Ela filmava enquanto falava, registrando aquela memória que nunca mais saiu da minha mente e com certeza, da dela também não.
Ela não pôde ser mãe.
Não deixaram. Arrancaram aquele neném dos braços dela. E a largaram numa esquina.
Ela e tantas, tantas, tantas outras.
Ele, Davi, não pôde ser filho.
Assim como Lucas, João, Alice, Heitor, e tantos outros.
De todas as vulnerabilidades que se faziam presentes ali hoje, a maior delas é o fato de foi DEFINIDO que nenhuma delas poderia ser mãe.
Nenhuma.
Sem chance.
Despejadas e jogadas na rua, surtando em poças d’água, puxando os cabelos desnorteadas.
Gritando que venderam seus filhos, urinando nas calças sem nem perceber, toda vez que recebe um abraço.
“Ele tá bem, madrinha. Eu fui visita-lo ontem”. – Ela nunca mais o tinha visto, falava pra me acalmar.
“Ele é tão cabeludo, né, Van? Será que continua?” – Ela só viu o filho uma única vez.
“Eu sei que eles já foram pra adoção, mas se eu perder a esperança de reencontrá-los, eu morro na mesma hora”. – Perdeu os 3 filhos quando o terceiro nasceu.
Pra pessoas virem aqui dizer que é fácil e que “esse povo se beneficia por estar em situação de rua”.
Isso me arde o peito de uma forma que eu nao tenho como explicar.
Explico fazendo.
Organizando a minha raiva em luta por justiça, dignidade e equidade.
Feliz dia?
Feliz dia pra quem?
Não.
Só me sentirei digna quando todas elas também forem.
De resto, é balela.
As imagens incríveis são do , obrigada por isso.
E a raiva é minha msm